Ouro: China teria comprado 148 toneladas, diz Goldman Sachs
O Goldman Sachs estima que compradores chineses adquiriram 148 toneladas de ouro entre maio e agosto de 2026. O volume supera em 83 toneladas as adições oficiais de 65 toneladas informadas pelo Banco Popular da China, o PBoC. Com isso, a estimativa ficou 128% acima dos dados oficiais do período. No entanto, os números seguem metodologias diferentes.
A divergência aumentou a atenção do mercado sobre a demanda chinesa pelo metal. Em 19 de outubro de 2026, relatórios destacaram negociações robustas associadas a compradores chineses no mercado de balcão de Londres. Nesse ambiente, as operações nem sempre aparecem imediatamente nos comunicados oficiais. Por isso, os dados de mercado podem divergir das alterações declaradas nas reservas.
Estimativa de demanda chinesa supera dados oficiais
O modelo do Goldman Sachs calcula compras inferidas com base em fluxos e padrões de negociação. Já os números do PBoC registram mudanças formais nas reservas oficiais declaradas. Portanto, diferenças de metodologia e momento de registro podem explicar parte da lacuna. As estimativas também não identificam necessariamente o comprador final de cada operação.
Em agosto de 2026, o Goldman Sachs estimou compras chinesas de 25 toneladas no mercado de balcão londrino. O volume ficou 25% acima das 20 toneladas divulgadas pelo PBoC para o mesmo mês. Ainda assim, a diferença não comprova que o governo chinês adquiriu secretamente o metal adicional. Em vez disso, ela mostra uma diferença relevante entre as formas de mensuração.
O mercado de balcão, também chamado de OTC, funciona de maneira descentralizada. Assim, compradores e vendedores negociam diretamente, sem uma bolsa centralizada. Algumas transações podem demorar a aparecer nas estatísticas oficiais. Além disso, nem toda demanda associada à China representa uma compra do banco central.
Diferença mensal diminui entre maio e agosto
A maior distância entre as duas medições ocorreu em maio de 2026. Naquele mês, o Goldman Sachs calculou uma demanda chinesa de 48 toneladas. Enquanto isso, o banco central informou um aumento próximo de 10 toneladas. Dessa forma, a diferença mensal alcançou 38 toneladas.
Em junho, a estimativa indicou 40 toneladas, ante 15 toneladas oficialmente reportadas. Em julho, o banco calculou 35 toneladas, enquanto o PBoC declarou uma adição de 20 toneladas. Por outro lado, a lacuna caiu para cinco toneladas em agosto. Nesse mês, a estimativa chegou a 25 toneladas, contra 20 toneladas declaradas.
| Mês | Estimativa do Goldman Sachs (toneladas) | Adição oficial do PBoC (toneladas) | Diferença (toneladas) |
|---|---|---|---|
| Maio de 2026 | 48 | 10 | 38 |
| Junho de 2026 | 40 | 15 | 25 |
| Julho de 2026 | 35 | 20 | 15 |
| Agosto de 2026 | 25 | 20 | 5 |
A diferença mensal diminuiu gradualmente, de 38 toneladas em maio para cinco toneladas em agosto. Contudo, o descompasso acumulado nos quatro meses permaneceu expressivo. As compras inferidas no início do período responderam pela maior parte da diferença. No total, as estimativas alcançaram 148 toneladas, contra 65 toneladas informadas oficialmente.
Segundo o Conselho Mundial do Ouro, as reservas oficiais chinesas chegaram a 2.387 toneladas em agosto de 2026. O PBoC reconheceu uma adição de 20,2 toneladas naquele mês. Depois, a China informou mais 23 toneladas em setembro. Com a nova aquisição, as reservas oficiais subiram para 2.410 toneladas, em uma sequência de 23 meses de compras.
Bancos centrais também apresentam lacuna global
O Goldman Sachs identificou uma diferença semelhante no mercado global. Para agosto de 2026, o banco estimou compras de 79 toneladas por bancos centrais. Em contrapartida, os dados oficiais compilados pelo Conselho Mundial do Ouro somaram 39 toneladas. A estimativa global também ficou cerca de 4,6 vezes acima da média mensal de 17 toneladas anterior a 2022.
O Conselho Mundial do Ouro compila aquisições com base em divulgações públicas. Por sua vez, o Goldman Sachs usa a atividade de mercado para inferir compras. Desse modo, as duas métricas podem registrar partes das mesmas operações. Por essa razão, analistas alertam que os números não devem ser somados.
A pesquisa de 2026 do Conselho Mundial do Ouro mostrou expectativas de novas aquisições. Entre os bancos centrais consultados, 89% esperam ampliar suas reservas oficiais de ouro no ano seguinte. Ao mesmo tempo, 74% projetam uma queda da participação do dólar americano nas reservas globais em cinco anos. Esses resultados indicam expectativas futuras, e não operações confirmadas.
O contraste entre os métodos reforça a dificuldade de rastrear os fluxos de ouro. Embora os dados indiquem compras relevantes, eles não confirmam aquisições estatais não divulgadas. Também não oferecem prova definitiva da existência de reservas ocultas. Logo, as estimativas devem ser interpretadas de acordo com os critérios usados em cada levantamento.
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