Ouro digital pode alcançar US$ 170 bilhões até 2031

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O mercado de ouro digital pode atingir entre US$ 160 bilhões e US$ 170 bilhões até 2031. A estimativa foi elaborada pelo World Gold Council (WGC) e pelo Boston Consulting Group (BCG). Atualmente, o segmento movimenta entre US$ 45 bilhões e US$ 55 bilhões. A projeção-base considera uma expansão anual próxima de 27% nos próximos cinco anos.

O levantamento inclui ouro tokenizado e produtos digitais lastreados em barras mantidas em cofres. Além disso, os pesquisadores estimam uma demanda latente de até US$ 700 bilhões caso as barreiras à adoção desapareçam. Contudo, esse montante não representa uma previsão de compras ou fluxos de investimento até 2031. Portanto, o valor indica apenas o potencial identificado entre os investidores pesquisados.

O estudo avaliou mais de 70 produtos de ouro digital e consultou mais de 12 mil investidores de varejo em 12 mercados. Os autores também entrevistaram 20 especialistas de bancos, exchanges, gestoras e provedores de infraestrutura para ouro. Ao todo, as projeções abrangem 96 países, responsáveis por 98% da riqueza global investível. Com isso, o relatório buscou medir tanto a oferta disponível quanto o interesse potencial.

Mercado pode superar US$ 270 bilhões em cenário acelerado

Em um cenário de crescimento mais rápido, o mercado pode alcançar entre US$ 270 bilhões e US$ 280 bilhões em 2031. Para isso, confiança, distribuição, utilidade dos produtos e preços precisariam avançar em ritmo maior. Os cálculos combinam investidores potenciais, riqueza disponível, participação esperada e alocações de carteira. Assim, o resultado depende da remoção simultânea de diferentes obstáculos.

O modelo considera o preço do ouro constante durante o período analisado. Por outro lado, ele não prevê grandes violações de segurança ou falhas relevantes de custódia. Esses eventos poderiam afastar investidores mesmo diante de produtos mais acessíveis. Ainda assim, o WGC calcula que o mercado físico de ouro para investimento soma cerca de US$ 13 trilhões.

Negociação avança no primeiro trimestre de 2026

Produtos de ouro baseados em blockchain já registram atividade expressiva. Nesse recorte, o relatório avalia o ouro tokenizado em aproximadamente US$ 6 bilhões. O valor equivale a cerca de cinco vezes o nível observado no fim de 2024. Apesar do avanço, essa categoria representa apenas uma parcela do mercado de ouro digital.

No primeiro trimestre de 2026, o volume negociado à vista superou US$ 90 bilhões. O total de US$ 90,7 bilhões ultrapassou os US$ 84,6 bilhões registrados durante todo o ano de 2025. Contudo, esses dados medem negociações acumuladas, não o valor dos produtos em circulação. Logo, o volume também não corresponde necessariamente a uma nova demanda por investimento.

O ouro tokenizado ganhou espaço em operações que vão além das negociações à vista. Em agosto, empréstimos garantidos por ouro cresceram após a capacidade de dívida com Tether Gold na Aave atingir US$ 25 milhões. Mais tarde, a Chaos Labs elevou a capacidade de empréstimo do mercado. Enquanto isso, a Arch lançou crédito garantido por PAX Gold e Tether Gold para clientes elegíveis.

Confiança e resgate físico limitam a adoção

Quase nove em cada dez investidores consultados considerariam aplicar em ouro digital sob condições adequadas. Entre as exigências, a confiança apareceu como o principal fator para potenciais clientes. Os participantes também citaram provas transparentes do lastro físico, proteção ao consumidor e regras mais claras. Nesse sentido, a possibilidade de resgatar os produtos em ouro também ganhou destaque.

David Tait resumiu o principal desafio identificado pelo levantamento. “O interesse significativo dos investidores em ouro digital é claro, mas a demanda não pode escalar sem a infraestrutura adequada por trás dela”, afirmou. Tait ocupa o cargo de diretor-executivo do World Gold Council.

A entidade desenvolve o Gold as a Service, iniciativa compartilhada para emissão, custódia, fornecimento e conformidade. Além da infraestrutura, a distribuição por aplicativos financeiros conhecidos influencia a adoção. A posse desses produtos foi até sete vezes maior em mercados atendidos por aplicativos de pagamento e serviços bancários. Desse modo, os canais de acesso aparecem como parte relevante da expansão projetada.

China, Índia e Indonésia estão entre os países que já contam com esses canais de distribuição. Segundo o estudo, 65% da demanda potencial vem de pessoas que ainda não possuem ouro. Entre os atuais investidores de ouro digital, 52% não tinham mantido ouro antes da primeira compra digital.

Produtos lastreados em ouro buscam novas funções

O setor também desenvolve produtos que permitem usar ouro como garantia ou instrumento de rendimento. Em setembro, a Paxos Labs apresentou o PAXGy, lastreado em ouro e compatível com depósitos de PAX Gold. O produto busca gerar retornos por meio do aluguel institucional de ouro. Conforme a empresa, o valor de resgate pode crescer em termos de ouro com o acúmulo dessa receita.

No entanto, inadimplências e perdas de tomadores podem afetar os retornos, de acordo com as divulgações do projeto. Uma avaliação de risco da Aave, publicada em outubro, examinou o uso proposto do PAXGy em empréstimos descentralizados. O documento analisou limites de garantia, liquidez e mecanismos de retirada. Dessa forma, a avaliação destacou fatores que precisam ser considerados antes da integração.

Na projeção-base, o WGC estima que cerca de US$ 95 bilhões da expansão até 2031 podem representar uma demanda realmente nova por ouro. Ao mesmo tempo, o conhecimento sobre ouro digital alcança 50% entre investidores de 25 a 34 anos. Já entre pessoas com 55 anos ou mais, a proporção cai para 23%.

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