O ouro sobe 1,4% com payroll fraco nos EUA

O ouro  subiu 1,4% nesta sexta-feira e caminhou para fechar a semana em alta. O movimento veio após um relatório de emprego dos Estados Unidos abaixo do esperado reduzir a pressão por novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. No mercado à vista, o metal negociava perto de US$ 4.182 por onça, com ganho semanal em torno de 2,3%.

Gold Aug 26 (GC=F)

Origem: Yahoo Finance

O avanço ganhou força depois da divulgação, na quinta-feira, das folhas de pagamento não agrícolas dos EUA. O relatório mostrou criação de apenas 57 mil vagas em junho, bem abaixo da estimativa de consenso de 115 mil. Além disso, maio registrou 129 mil vagas, número que passou por revisão para baixo.

Assim, o enfraquecimento do mercado de trabalho diminuiu as apostas de que o Federal Reserve precisará manter uma postura tão agressiva nos próximos meses. Como resultado, investidores passaram a enxergar menos espaço para altas adicionais de juros. Afinal, o emprego segue entre os principais indicadores observados pelo banco central dos EUA.

Payroll reduz pressão sobre juros e favorece metais

Antes da divulgação do payroll, o mercado atribuía cerca de 65% de probabilidade a uma elevação de juros em setembro. Após o relatório, porém, essa expectativa recuou para 53,5%, segundo leituras da ferramenta FedWatch, da CME.

Além disso, o dólar também ofereceu suporte ao metal. Depois dos números fracos do mercado de trabalho, o índice do dólar dos EUA recuou após se aproximar das máximas de 13 meses. Dessa forma, o ouro ficou mais atraente para compradores que usam outras moedas, o que ajudou a sustentar a valorização.

A recuperação ocorre após um período de forte pressão. Entre abril e junho, o ativo teve seu pior desempenho trimestral em 13 anos, com queda de aproximadamente 13%. Ao longo de 2026, a combinação entre dólar fortalecido, preocupações persistentes com a inflação e comunicações duras do Federal Reserve pesou sobre os preços.

Ainda assim, o metal seguia cerca de 22% abaixo do recorde superior a US$ 5.300, alcançado em janeiro de 2026. Em outras palavras, o alívio desta semana ainda não apaga as perdas acumuladas ao longo do ano.

Prata, platina e paládio acompanham a recuperação

O movimento positivo não ficou restrito ao ouro. A prata à vista subiu cerca de 2,9%, para US$ 62,77 por onça, e passou a apontar para alta semanal de aproximadamente 6,7%. Da mesma forma, a platina à vista avançou 2,8%, para US$ 1.660,10 por onça.

O paládio também registrou valorização, ainda que mais moderada, com alta de cerca de 1%, para US$ 1.280,09 por onça. Portanto, o desempenho conjunto reforçou a leitura de que os metais preciosos se beneficiaram da revisão nas expectativas de juros nos Estados Unidos.

Em 2025, ouro e prata haviam entregado retornos expressivos, com ganhos de 66% e 135%, respectivamente. Em 2026, no entanto, o desempenho seguia mais fraco: o ouro acumulava queda de 3% no ano, enquanto a prata recuava 12%.

OCBC mantém visão cautelosamente construtiva

Analistas do OCBC afirmaram manter uma visão “cautelosamente construtiva” para o ouro após a divulgação do payroll. Segundo a instituição, os números mais fracos do emprego ajudam a reduzir os riscos de novas medidas agressivas por parte do Federal Reserve.

Contudo, o banco ressaltou que a taxa de desemprego permanece estável e que os riscos inflacionários continuam presentes. Por isso, a instituição defende cautela antes de projetar uma recuperação mais consistente do metal.

De acordo com o OCBC, uma alta mais sustentável dependeria da queda dos rendimentos reais, da estabilização da demanda dos investidores e de uma postura mais branda do Federal Reserve. Ademais, o banco já havia reduzido no começo da semana suas projeções para ouro e prata. A instituição reconheceu que as expectativas em torno dos juros nos EUA e os níveis elevados de rendimento ainda pressionavam os metais.

Mercado opera com liquidez menor no fim da semana

As negociações desta sexta-feira ocorreram com volume mais contido, em virtude do fechamento dos mercados dos EUA por feriado. Mesmo assim, a alta de 1,4% do ouro, a criação de apenas 57 mil vagas em junho, a queda da probabilidade de aumento de juros em setembro para 53,5% e o recuo do dólar sustentaram a recuperação dos metais preciosos no fim da semana.