Ouro movimenta US$ 188 bi, mas fica 25% abaixo do pico

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Os bancos centrais compraram mais ouro do que os consumidores adquiriram em joias no terceiro trimestre de 2026. A demanda global pelo metal alcançou US$ 188 bilhões, com alta anual de 22%. Ainda assim, o ouro terminou outubro cerca de 25% abaixo do pico registrado em janeiro.

Bancos centrais lideram compras de ouro

Segundo o World Gold Council, bancos centrais e outras instituições oficiais compraram 321 toneladas líquidas. Já o consumo de joias somou 313 toneladas. No mesmo trimestre de 2025, consumidores haviam comprado cerca de 150 toneladas a mais que as instituições monetárias.

No trimestre, portanto, os gestores de reservas superaram os consumidores que compraram ouro para uso pessoal. No entanto, cerca de 63% da demanda oficial estimada não apareceu nas divulgações públicas dos países. Essa lacuna reduz a precisão sobre quais governos realizaram todas as aquisições.

A demanda total aumentou em dólares, embora os compradores tenham adquirido 1% menos metal, com 1.369 toneladas. Enquanto isso, o preço médio trimestral ficou 23% acima do registrado um ano antes. Dessa forma, boa parte do gasto adicional refletiu a valorização do ouro, e não o crescimento do volume comprado.

O consumo de joias caiu 17%, para 313 toneladas, no terceiro trimestre mais fraco desde 2000. Na China e na Índia, consumidores reduziram compras ou escolheram peças mais leves e com menor teor de ouro. Além disso, a procura física por barras e moedas recuou 19%, para 268 toneladas. Em contrapartida, ETFs lastreados em ouro adicionaram 211 toneladas e reverteram os resgates do trimestre anterior.

Cerca de 63% das compras oficiais de ouro não foram divulgadas
CategoriaDemanda oficial de ouro
Compras líquidas divulgadas publicamente120 toneladas métricas
Compras líquidas estimadas não divulgadas201 toneladas métricas

Fonte: World Gold Council.

 

Das 321 toneladas estimadas em compras oficiais, apenas 120 toneladas constaram nas divulgações públicas por país. A China informou uma adição de 63 toneladas, enquanto a Polônia reportou 40 toneladas. Assim, cerca de 201 toneladas permaneceram sem identificação pública.

Atrasos em relatórios e operações não divulgadas podem explicar a diferença. Contudo, a estimativa mais ampla ainda pode passar por revisões. A lacuna também não comprova a existência de aquisições secretas ou coordenadas. Nos primeiros nove meses de 2026, os bancos centrais acumularam 675 toneladas, acima do volume do mesmo período de 2025.

Compras de ouro divididas entre quatro grupos
PeríodoJoiasBarras e moedasETFs de ouroInstituições oficiais
3º tri. de 2025376,4 toneladas328,6 toneladas225,7 toneladas226,3 toneladas
4º tri. de 2025435,6 toneladas428,3 toneladas175,7 toneladas209,9 toneladas
1º tri. de 2026295,2 toneladas476,9 toneladas62,4 toneladas57,7 toneladas
2º tri. de 2026280,5 toneladas308,6 toneladas-47,3 toneladas296,3 toneladas
3º tri. de 2026312,9 toneladas267,8 toneladas211,2 toneladas321,2 toneladas

Fonte: World Gold Council, Metals Focus e Refinitiv GFMS.

 

Reservas globais reduzem exposição ao dólar

Em uma pesquisa de 2026, 74% dos participantes esperavam uma participação menor do dólar nas reservas globais em cinco anos. Dados do segundo trimestre do FMI mostraram uma fatia de 56,7% para a moeda americana. Anteriormente, o dólar representava 57,18% das reservas. Apesar da queda, ele continuou dominante.

A série do FMI exclui ouro monetário e, por isso, não mostra quanto metal substituiu dólares. Metade dos entrevistados financiaria novas compras de ouro por programas domésticos em moeda local. Outros 38% venderiam ativos de reserva existentes.

Comprar ouro produzido localmente com moeda nacional não exige a venda de títulos do governo dos Estados Unidos. Portanto, os totais trimestrais não revelam como cada aquisição recebeu financiamento. Gestores podem ampliar suas reservas de ouro sem abandonar outros ativos.

Queda em outubro limita proteção no curto prazo

O ouro fechou outubro a US$ 3.913 por onça, com queda mensal de 6,3%. O resultado consta no comentário de mercado do World Gold Council. Mesmo assim, a demanda dos bancos centrais não evitou a perda. Posições em futuros e necessidades de caixa podem superar o efeito das compras oficiais.

ETFs globais de ouro captaram US$ 2,7 bilhões líquidos em outubro e adicionaram 19 toneladas. Com isso, as reservas alcançaram o recorde de 4.275 toneladas. Porém, os ativos sob gestão caíram 6%, para US$ 542 bilhões, porque a desvalorização superou as entradas.

Um estudo do FMI, publicado em julho de 2026, avaliou a proteção oferecida pelo ouro. Conforme a pesquisa, a eficácia depende do tipo de choque e das condições econômicas. Logo, o metal pode diversificar reservas no longo prazo sem garantir proteção em todos os eventos extremos.

Bitcoin supera desempenho do ouro no trimestre

O Bitcoin avançou 42,7% no terceiro trimestre e encerrou setembro perto de US$ 83.570. A análise trimestral da 21Shares comparou o movimento com a alta de 3,84% do ouro. Como ambos atraíram recursos por ETFs, os fluxos enfraquecem a tese de uma simples migração entre os mercados.

ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos adicionaram cerca de 79.800 BTC, avaliados em US$ 6,2 bilhões. Desse modo, o movimento reverteu aproximadamente US$ 4,8 bilhões em resgates no segundo trimestre. As compras também corresponderam a quase o dobro dos 41.300 BTC minerados no período.

Por outro lado, a emissão não representa a única fonte de Bitcoin disponível para compra. A 21Shares estimou que investidores de longo prazo reduziram seus saldos em 248.000 BTC no trimestre. Entretanto, o indicador não mede diretamente vendas em corretoras, pois transferências também podem alterar a classificação.

Fundos globais lastreados em ouro receberam o recorde de US$ 31 bilhões e incorporaram 211 toneladas. Todavia, os valores cobrem mercados diferentes. O número do ouro é global, enquanto o dado do Bitcoin considera apenas ETFs spot dos Estados Unidos. Por essa razão, os totais não permitem uma comparação direta.

Ouro e Bitcoin recuaram em outubro
AtivoRetorno de preço em outubro
Ouro-6,3%
Bitcoin-7,3%

Fontes: World Gold Council, Bloomberg e LBMA; 21Shares.

 

Liquidez pressiona mercados considerados escassos

Em outubro, o Bitcoin caiu 7,3%, para cerca de US$ 77.500, enquanto o ouro perdeu 6,3%. ETFs globais de ouro mantiveram entradas líquidas, lideradas por Europa e Ásia. Em sentido oposto, fundos de Bitcoin monitorados pela LSEG/Lipper perderam US$ 215 milhões, de acordo com a Reuters.

O World Gold Council citou a redução de posições especulativas e a revisão das expectativas sobre o Federal Reserve. Também apontou uma rotação entre ativos como fator para a queda do ouro. Enquanto isso, o Bitcoin enfrentou ações de tecnologia mais fracas, crédito restrito, o ataque à Binance e as eleições legislativas americanas.

O governo dos Estados Unidos criou a Reserva Estratégica de Bitcoin em março de 2025. Contudo, a ordem executiva determinou o uso principal de BTC obtido em confiscos criminais ou civis. Autoridades também puderam estudar aquisições sem custos adicionais aos contribuintes. Isso não configura um programa recorrente comparável às compras de ouro dos bancos centrais.

Expectativas de juros e acesso a dinheiro continuarão influenciando os dois mercados. Dados fortes de emprego ou inflação podem favorecer instrumentos com rendimento e pressionar o Bitcoin. Em outro cenário, indicadores fracos podem apoiar uma política monetária mais flexível. Ainda assim, uma deterioração severa também pode aumentar a procura por liquidez.

Bancos centrais conseguem acumular ouro durante anos, mas investidores de ETFs podem reduzir a exposição rapidamente. Ao mesmo tempo, consumidores podem escolher joias mais leves e traders alavancados podem precisar encerrar posições. Assim, uma convicção duradoura sobre um mercado pode coexistir com quedas acentuadas de preço.

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