Ouro pode chegar a US$ 6.300 em 2027, diz JPMorgan
O ouro recuperou parte do fôlego nesta semana e era negociado a US$ 4.622 por onça em 5 de novembro de 2026. Ainda assim, grandes instituições financeiras divergem sobre a trajetória do metal precioso até 2027. Enquanto o JPMorgan projeta uma alta expressiva, resgates em fundos e receios sobre os juros limitam a confiança no curto prazo.
Em projeção divulgada nesta semana, o JPMorgan estimou que o ouro alcance US$ 6.300 por onça no fim de 2027. Contudo, a instituição reconheceu que o metal enfrenta dificuldades para atrair investidores no cenário atual. Assim, a perspectiva imediata permanece menos definida do que as projeções de longo prazo.
Projeções para o preço do ouro até 2027
Greg Shearer, chefe de Metais Básicos e Preciosos do JPMorgan, afirmou que o preço está em uma zona técnica indefinida. Segundo o executivo, o metal opera acima da média móvel de 200 dias, próxima de US$ 4.340 por onça. Na avaliação dele, a média móvel de 50 dias, situada em US$ 4.730, ainda limita os avanços.
“O ouro está preso em uma espécie de terra de ninguém técnica, avançando lentamente acima da média móvel de 200 dias, em torno de US$ 4.340 por onça, e limitado, por enquanto, abaixo da média móvel de 50 dias, em US$ 4.730 por onça.”

Ao mesmo tempo, Shearer destacou que o temor de novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve reduziu o interesse pelo metal. A preocupação decorre de uma possível resposta do banco central à inflação impulsionada pelos preços da energia. Diante desse risco, muitos investidores deixaram o ouro em segundo plano.
“Em meio a esse movimento lateral, e com preocupações crescentes de que o Fed talvez precise responder à inflação impulsionada pela energia com altas, o ouro está em segundo plano para a maioria dos investidores neste momento.”
Fatores que podem sustentar a demanda
Apesar da cautela no curto prazo, o JPMorgan identifica fatores estruturais capazes de reativar a procura pelo ouro. Entre eles estão as dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos e o poder de compra das moedas. Além disso, riscos geopolíticos e incertezas sobre a política econômica americana podem favorecer o metal.
O banco também citou a possibilidade de novas compras por bancos centrais. Essas autoridades monetárias buscam diversificar suas reservas cambiais e reduzir a exposição ao dólar americano. Mesmo assim, essa perspectiva positiva não elimina o risco de novas perdas no curto prazo.
Resgates em fundos ampliam a incerteza
Na semana encerrada em 28 de outubro, dados do Bank of America mostraram retiradas de US$ 1,7 bilhão em fundos de ouro. Foi a primeira saída semanal registrada desde julho de 2026. Em contraste, o movimento sucedeu um período de entradas em fundos negociados em bolsa.
Já o relatório de setembro do World Gold Council apontou fluxos positivos em ETFs, mesmo com a queda das cotações. De acordo com o conselho, alguns investidores interpretaram o recuo como uma oportunidade para ampliar ou manter posições estratégicas. Dessa maneira, os dados indicam comportamentos distintos entre os participantes do mercado.

O Crédit Agricole também mantém uma perspectiva construtiva para o longo prazo. Para dezembro de 2026, o banco prevê uma cotação de US$ 5.000 por onça. Em dezembro de 2027, a projeção sobe para US$ 5.500 por onça.
Essa tese depende principalmente da continuidade da diversificação das reservas mantidas pelos bancos centrais. Na visão da instituição, o ouro permanece como uma ferramenta importante para reduzir a exposição ao dólar americano. Portanto, o uso da moeda pelos Estados Unidos como instrumento de pressão reforçaria essa estratégia.
“Mantemos uma perspectiva construtiva de longo prazo para o ouro a partir dos níveis atuais. Os bancos centrais ainda veem o XAU como ferramenta primária para reduzir sua exposição ao dólar americano, diante das tentativas dos Estados Unidos de usar a moeda como arma.”
Política monetária ameaça a recuperação
Por outro lado, as projeções permanecem vulneráveis a mudanças na política monetária dos Estados Unidos. O JPMorgan apontou como principal risco uma combinação de crescimento econômico resiliente, inflação persistente e novos aumentos dos juros. Nesse cenário, o metal poderia perder parte de seu apelo entre os investidores.
Caso esse ambiente se confirme, ETFs de ouro no Ocidente poderiam enfrentar retiradas prolongadas. A pressão aumentaria se as compras realizadas pelos bancos centrais também perdessem força. Em síntese, as instituições ainda enxergam potencial de valorização, embora o horizonte imediato permaneça incerto.
Enquanto a diversificação das reservas e os riscos geopolíticos podem sustentar uma nova alta, a inflação continua sendo uma ameaça. Saídas contínuas de fundos também podem adiar a recuperação do metal. Com isso, as projeções otimistas para 2027 dependem da evolução dos juros e da demanda institucional.
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