Patrick Steven Yaroch admite roubo de US$ 2,47 mi em cripto

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O ex-agente do FBI Patrick Steven Yaroch, de 37 anos, admitiu ter roubado quase US$ 2,5 milhões em cripto ligada a investigações federais. O caso expôs uma grave quebra de confiança dentro da agência. Yaroch se declarou culpado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

Segundo os promotores, ele usou seu acesso aos sistemas do FBI para obter credenciais de carteiras e transferir os recursos. Depois disso, direcionou os valores para endereços sob seu controle. Ao todo, o esquema envolveu cerca de 100 transações não autorizadas, relacionadas a 35 investigações. As operações renderam US$ 2.474.380,66.

Contudo, os recursos não pertenciam apenas a carteiras associadas a suspeitos de crimes. Parte vinha de carteiras ligadas a vítimas de delitos financeiros e a dois Estados-nação adversários não identificados. Além disso, o FBI financiou pelo menos uma carteira como parte de uma operação investigativa.

Agente usou sistemas do FBI para acessar carteiras

Os autos indicam que Yaroch iniciou os desvios, no mais tardar, em dezembro de 2024. Na época, ele trabalhava na divisão do FBI em Boston. Fevereiro de 2025 marcou sua chegada à sede da agência como agente especial supervisor. Ele assumiu uma função na Divisão de Contrainteligência e Espionagem.

Para executar o esquema, Yaroch pesquisava registros investigativos em busca de credenciais de carteiras. Logo depois, transferia os recursos para endereços sob seu controle. Conforme os documentos judiciais, ele realizou aproximadamente 100 transferências fraudulentas. Assim, os desvios atingiram pelo menos 79 carteiras.

Os valores individuais variaram de US$ 0,81 a mais de US$ 580 mil. Uma sequência documentada mostra que ele transferiu Bitcoin e converteu parte em Monero e Solana. Na etapa seguinte, Yaroch usou a rede Sui antes de depositar recursos em uma conta da Kraken.

De acordo com os promotores, a conduta também prejudicou investigações sobre organizações criminosas e adversários estrangeiros. Com isso, o caso pode ter exposto métodos sensíveis de investigação e operações de coleta de inteligência. Ainda assim, o impacto alcançou fundos relacionados a procedimentos que continuavam em andamento.

Dinheiro pagou dívidas e apoiaria mudança para Portugal

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, Yaroch transferiu cerca de US$ 93.082 para uma conta no TD Bank. Desse valor, aproximadamente US$ 30.176 serviram para quitar faturas de cartões de crédito. Já outros US$ 20 mil financiaram pagamentos de um Lexus.

Entretanto, os planos do ex-agente iam além do pagamento de dívidas pessoais. Nesse contexto, investigadores descobriram que ele considerava deixar os Estados Unidos e iniciar uma nova vida em Portugal. O planejamento incluía a possível compra de um vinhedo no país.

Naquele junho, Yaroch pediu ao ChatGPT orientações sobre uma mudança para a União Europeia com cerca de US$ 1 milhão. Posteriormente, ele concedeu procuração a advogados portugueses para registrá-lo junto às autoridades fiscais locais. Também organizou viagens relacionadas à mudança enquanto ainda trabalhava no FBI.

Julho de 2026 marcou o fim dos planos, quando Yaroch revelou sua conduta a funcionários do Departamento de Justiça. A partir dessa revelação, as autoridades avançaram com o processo criminal. O Departamento de Justiça detalhou o acordo de culpa e os bens envolvidos.

Acordo exige restituição e entrega de recursos

A declaração de culpa abrange uma acusação de fraude eletrônica e outra de lavagem de dinheiro. Cada crime prevê pena máxima de 20 anos de prisão. No entanto, o tribunal marcou a audiência de sentença para 4 de março de 2027.

Pelo acordo, Yaroch aceitou pagar pelo menos US$ 2,4 milhões em restituição e entregar recursos relacionados ao esquema. Entre os bens estão cerca de 1,38 milhão de SUI, 17.990 USDC e valores depositados em bancos e exchanges. Adicionalmente, ele abrirá mão de futuros ganhos com livros, filmes, entrevistas ou projetos sobre sua carreira e o processo criminal.

O caso amplia as preocupações sobre a proteção de cripto ligada a investigações e apreensões governamentais. Além disso, agências federais administram recursos digitais em casos de fraudes, ransomware, crimes cibernéticos e redes financeiras ilícitas. Outro caso envolve o suposto roubo de mais de US$ 46 milhões de carteiras associadas ao Serviço de Delegados dos Estados Unidos. Nesse episódio, John Daghita foi preso em Saint Martin e tornou-se alvo de acusações federais.

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