PAXG sobe 344% na Binance com migração ao ouro
O mercado de criptomoedas atravessa meses de pressão, com queda de preços e incertezas macroeconômicas persistentes. Nesse contexto, cresce a busca por alternativas mais defensivas dentro do próprio ecossistema digital. Um movimento observado na Binance, maior exchange do mundo, aponta nessa direção: a migração para ouro tokenizado.
Dados da CryptoQuant mostram que as reservas de PAXG, token lastreado em ouro físico, aumentaram de forma expressiva. No início de 2025, a Binance mantinha cerca de 25.301 unidades. Em abril de 2026, o volume chegou a 133.334, recuando para 112.385 no começo de maio. Ainda assim, o crescimento acumulado atinge 344% no período.
Esse avanço ocorre em paralelo a um ambiente de maior aversão ao risco. Em vez de migrar para stablecoins ou sair para moedas fiduciárias, parte dos investidores optou por permanecer no mercado cripto. Contudo, realocou capital em um ativo tradicionalmente visto como proteção: o ouro.
Valorização do ouro impulsiona demanda por PAXG
Ao mesmo tempo, o ouro físico apresentou forte valorização global. O metal saiu da faixa de US$ 2.700 no início de 2025 e atingiu US$ 5.589 em janeiro de 2026, segundo os dados citados. Posteriormente, houve correção para cerca de US$ 4.650, ainda em patamar elevado.
Assim, investidores posicionados em PAXG não apenas buscaram proteção, mas também capturaram parte desse movimento de alta. Dessa forma, a estratégia combinou preservação de capital com potencial de retorno.

Além disso, grandes instituições financeiras mantêm viés positivo para o metal. O JPMorgan projeta o ouro em US$ 6.300 até o fim de 2026. Já o Goldman Sachs estima US$ 5.400. Ambas as projeções interpretam a recente correção como oportunidade de entrada, não como reversão de tendência.
Entre os principais fatores estão a acumulação contínua por bancos centrais e as tensões geopolíticas. Nesse sentido, esses elementos reforçam a tese estrutural de valorização do ouro.
Investidores cripto seguem lógica semelhante
A análise da CryptoQuant indica que participantes do mercado cripto chegaram a conclusões próximas às instituições tradicionais. No entanto, o caminho foi distinto. Enquanto bancos utilizam modelos macroeconômicos, investidores reagiram diretamente às condições de mercado.
Assim, ajustaram posições dentro da própria infraestrutura digital. Em outras palavras, mantiveram exposição ao setor, porém com menor risco relativo.
Relação entre Bitcoin e ouro reforça preferência
Outro indicador relevante sustenta essa leitura. A relação entre Bitcoin e ouro gira em torno de 17,3, após recuperação parcial de uma queda acentuada no início do ano. Ainda assim, a tendência mais ampla favorece o ouro.

Bitcoin em relação ao ouro | Fonte: TradingView
O gráfico mostra rejeição após níveis acima de 35 em 2025, seguida por uma tendência de queda consistente. Isso sugere perda de força relativa do Bitcoin frente ao ouro.
Historicamente, a região entre 12 e 13 funciona como suporte, indicando interesse comprador quando o Bitcoin se torna mais barato em relação ao metal. Contudo, a recuperação recente parece corretiva e ainda não confirma reversão.
Níveis técnicos pedem cautela
Além disso, o indicador segue abaixo das médias móveis de 50, 100 e 200 semanas. Essas médias permanecem inclinadas para baixo ou lateralizadas, o que reforça a predominância de tendência negativa.
A faixa entre 17 e 18 aparece como ponto decisivo. Caso haja rompimento consistente acima desse intervalo, o Bitcoin pode recuperar força relativa, com alvo entre 22 e 24. Por outro lado, a perda do suporte atual abre espaço para novo teste da região dos 13.
Em resumo, os dados indicam que parte relevante do capital cripto está migrando para o PAXG. Ao mesmo tempo, o desempenho relativo entre Bitcoin e ouro reforça essa preferência, sobretudo em um ambiente de maior incerteza global.