Payward negocia parceria de cripto e pagamentos com BNY
A Payward, controladora da Kraken, negocia uma possível parceria com o BNY para serviços de criptomoedas, custódia, trading e pagamentos. Duas pessoas familiarizadas com as conversas afirmaram que a proposta abrange seis áreas de atuação. Contudo, as tratativas continuam em andamento e não há garantia de acordo entre as empresas.
A eventual estrutura pode envolver a Payward Services, plataforma sediada em Wyoming que atende bancos, exchanges e gestoras de recursos. Além disso, uma das fontes comparou parte das conversas ao trabalho de infraestrutura previsto no recente acordo da empresa com a Nasdaq. Como as negociações são privadas, a pessoa falou sob condição de anonimato.
Empresas discutem serviços para clientes institucionais
A operação da Payward reúne negociação à vista, derivativos, ações tokenizadas, custódia, staking, pagamentos e títulos tradicionais. Por sua vez, o BNY atua com custódia, compensação, gestão de patrimônio institucional e outros serviços financeiros. Assim, o possível relacionamento não ficaria limitado a um único produto de criptomoedas.
A Payward também fornece serviços B2B que sustentam a Kraken e outras operações do grupo. Já o BNY, antigo Bank of New York Mellon, tem sede em Nova York e ações negociadas na NYSE sob o código BK. Sua controladora é a The Bank of New York Mellon Corporation.
Em 9 de janeiro, o banco detalhou a primeira etapa de seu programa de tokenização de depósitos. Inicialmente, a iniciativa cria registros em blockchain que refletem os saldos dos clientes participantes. O programa de dinheiro digital atende clientes institucionais e fornecedores de infraestrutura dos mercados financeiros.
O BNY aplica a estrutura aos fluxos de garantias e margem nesta primeira fase. Enquanto isso, os registros digitais representam créditos dos clientes sobre depósitos à vista mantidos no banco. Os saldos continuam registrados nos sistemas tradicionais para fins regulatórios e de reporte.
O sistema funciona em uma blockchain privada e permissionada, sob os atuais modelos de risco, conformidade e controle do banco. Nesse sentido, o BNY pretende viabilizar movimentações de caixa baseadas em regras e quase em tempo real. Em paralelo, a ICE trabalha para aceitar depósitos tokenizados em suas câmaras de compensação.
Acordo com Nasdaq prevê ações tokenizadas
Em setembro, a Nasdaq Ventures acertou um investimento de US$ 100 milhões na Payward. A transação avaliou a empresa em US$ 21 bilhões. Também incluiu avanços nos Nasdaq Equity Tokens e um contrato de vigilância de mercado.
Nesse acordo, a Wells Fargo atuou como assessora exclusiva de mercados de capitais da Nasdaq. Conforme os termos divulgados, a Payward adotará a tecnologia de vigilância da bolsa em diferentes plataformas. A cobertura inclui criptomoedas, ações, ações tokenizadas, futuros e opções.
A unidade Digital Liquidity Networks da Nasdaq lidera a colaboração em infraestrutura para mercados tokenizados. Além disso, as empresas esperam lançar os tokens de ações no segundo trimestre de 2027. O trabalho envolve distribuição, negociação e serviços pós-negociação conectados ao ecossistema xStocks da Payward.
Ao mesmo tempo, a estrutura busca preservar as proteções aos investidores e os direitos dos emissores. Arjun Sethi, co-CEO da Payward, descreveu o projeto como “trilhos que não fecham, com os direitos dos acionistas preservados”. Apesar disso, a Nasdaq ressaltou que a previsão de lançamento não garante desempenho futuro.
A empresa citou a regulação e a execução de iniciativas estratégicas entre os fatores que podem afetar os resultados. Portanto, o cronograma permanece sujeito ao avanço dessas condições. A colaboração também pretende preparar a infraestrutura necessária para mercados com funcionamento contínuo.
Aquisições ampliam derivativos e pagamentos
Em maio, a Payward concluiu a aquisição da Bitnomial, ampliando sua presença nos derivativos regulados dos Estados Unidos. A compra havia sido anunciada em abril por até US$ 550 milhões em dinheiro e ações. No entanto, as empresas não divulgaram os termos finais.
A estrutura regulatória da Bitnomial inclui mercado de contratos designado, organização de compensação de derivativos e corretora de futuros. Segundo a Payward, essas autorizações abrangem funções de bolsa, compensação e corretagem sob o arcabouço da CFTC. Dessa forma, a empresa pretende conectar Kraken, NinjaTrader e Payward Services por uma única integração.
Nesse modelo, bancos, corretoras e empresas de pagamentos poderão acessar derivativos regulados de criptomoedas nos Estados Unidos. A Payward também comprou a plataforma de futuros NinjaTrader por cerca de US$ 1,5 bilhão em 2025. Posteriormente, concluiu a aquisição da Reap em uma operação de pagamentos com stablecoin anunciada por US$ 600 milhões.
A transação com a Bitnomial foi fechada em 1º de maio, enquanto a compra da Reap terminou em 1º de julho. Já em 14 de agosto, a Payward informou receita ajustada de US$ 508 milhões no segundo trimestre. O resultado representou alta anual de 17%.
Contudo, o EBITDA ajustado ficou em US$ 23 milhões, enquanto o volume de transações caiu 18%, para US$ 310 bilhões. Com isso, receitas baseadas em ativos e outras fontes passaram a representar 60% do total. Um ano antes, essa participação correspondia a 55%.
Tecnologia de carteiras reforça expansão
Em 28 de julho, a companhia acertou a compra dos ativos do negócio de carteiras da Magic Labs. A tecnologia já havia suportado mais de 60 milhões de carteiras e mais de US$ 10 bilhões em volume de stablecoins. Ainda assim, a Payward não divulgou os valores da operação, que não envolveu toda a empresa.
As negociações com o BNY ocorrem enquanto a Payward amplia sua infraestrutura regulada, financeira e de tokenização. Dessa maneira, uma eventual parceria reuniria capacidades institucionais dos dois grupos em várias linhas de negócio. Por enquanto, as conversas não representam um acordo confirmado.
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