Peter Thiel deixa ETHZilla e pressiona ações
A ETHZilla apareceu novamente no centro das atenções após a saída completa de Peter Thiel e do Founders Fund de sua participação na companhia. A mudança foi confirmada por um registro 13G enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, que mostrou que o investidor já não detinha ações da empresa em 31 de dezembro de 2025. A decisão reverteu a fatia de 7,5% apresentada em agosto do mesmo ano e aumentou a pressão sobre o papel.
A revelação sobre o investimento de Thiel havia impulsionado as ações da empresa, na época ainda conhecida como 180 Life Sciences. A adoção da nova marca ETHZilla e o foco em tesouro baseado em Ethereum ampliaram o interesse do mercado. Naquele momento, o apoio institucional fez o papel disparar mais de 90% em um único pregão. No entanto, a saída total do investidor provocou queda de quase 7% no pré-mercado, levando o preço para cerca de US$3,20 e contribuindo para a desvalorização que hoje supera 97% frente ao pico superior a US$107 registrado em agosto de 2025.
Mudanças na estratégia e ajuste no tesouro em Ethereum
A empresa lançou sua estratégia de tesouro lastreado em Ethereum em 18 de agosto de 2025, quando captou US$565 milhões junto a mais de 60 investidores, como Electric Capital, Polychain Capital e GSR. O objetivo principal era acumular Ether e ampliar retornos com staking. Assim, a companhia chegou a deter mais de 100 mil ETH durante o ápice do projeto.
No entanto, a piora das condições de mercado, aliada ao aumento das responsabilidades financeiras, levou a empresa a reduzir sua exposição. Em outubro, a ETHZilla vendeu cerca de US$40 milhões em ETH para sustentar um programa de recompra de ações de US$250 milhões. Além disso, em dezembro, vendeu mais 24.291 ETH avaliados em US$74,5 milhões, destinando o montante à quitação de notas conversíveis sênior garantidas.
Atualmente, a companhia mantém 69.802 ETH, avaliados entre US$139 milhões e US$140 milhões. Assim, ela segue entre as maiores detentoras corporativas de Ethereum no mundo. Porém, a administração afirma que os resultados futuros dependerão cada vez mais de receitas provenientes de iniciativas de tokenização, e não de acumulação direta de cripto.
Expansão para tokenização e fortalecimento do caixa
Com o reposicionamento estratégico, a ETHZilla direcionou sua atuação para tokenização de ativos reais. Em 5 de fevereiro, a empresa comprou uma carteira com 95 empréstimos imobiliários de casas manufaturadas e modulares por cerca de US$4,7 milhões. A expectativa é tokenizar esses contratos em uma rede Ethereum Layer 2, oferecendo rendimento anualizado de 10,36%.
A companhia também adquiriu dois motores aeronáuticos CFM56-7B24 para tokenização na plataforma Liquidity.io, um sistema regulado pela SEC. Além disso, lançou um novo produto tokenizado que oferece exposição acionária em motores de jatos arrendados, ampliando sua presença no mercado de ativos alternativos.
Essas iniciativas mostram que a saída de Thiel coincidiu com um momento crítico de transformação interna. A venda de parte relevante de seu estoque de Ether e a aposta na tokenização indicam uma tentativa de estabilizar receitas e adaptar a empresa ao cenário atual. Portanto, o novo foco pode redefinir o futuro da companhia, ainda que a pressão sobre as ações continue significativa.