Peter Todd liderará o Slipstream privado da MARA

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Peter Todd, veterano do Bitcoin, passou a integrar a MARA Foundation como principal mantenedor do Slipstream. Ele assumirá o desenvolvimento e a operação da plataforma privada de transações. Com isso, Todd ficará responsável por um serviço estratégico para a infraestrutura da mineradora. A fundação anunciou a contratação na quinta-feira.

Na prática, o Slipstream permite que usuários enviem transações de Bitcoin diretamente à MARA Pool. Assim, as operações não precisam circular pela rede pública ponto a ponto antes de chegar ao pool de mineração. Até a confirmação em um bloco, o serviço mantém essas transações fora da mempool pública. Esse modelo oferece uma rota alternativa para usuários que buscam maior privacidade antes da inclusão no blockchain.

Serviço mantém transações fora da mempool pública

O Slipstream ganhou utilidade após hackers explorarem carteiras físicas Coldcard em julho. O ataque resultou no roubo de mais de US$ 115 milhões pertencentes a usuários. Nesse contexto, o serviço ofereceu uma rota direta para a MARA Pool. Por isso, as transações puderam evitar a propagação antecipada pela rede pública do Bitcoin.

Até a confirmação, o sistema restringe a divulgação das informações associadas às operações enviadas. Portanto, o mecanismo ajuda a ocultar dados relevantes durante esse intervalo. Entre essas informações está a exposição das chaves públicas dos usuários. Ainda assim, os dados entram no registro público quando a transação chega a um bloco.

Todd afirmou que pretende explorar novas possibilidades para o Bitcoin por meio da plataforma. Segundo o desenvolvedor, o Slipstream pode funcionar como ambiente de testes para projetos experimentais e inovações de protocolo. Além disso, ele relacionou a nova função ao seu trabalho mais amplo com políticas de mempool.

“O que mais espero é ver o que é possível no Bitcoin, usando o Slipstream como campo de provas para desenvolvimento experimental e inovação de protocolo.”

 

Libre Relay e políticas de mempool

O desenvolvedor afirmou que seu trabalho no Slipstream complementa a atuação no Libre Relay. Nesse projeto, ele defende regras de retransmissão mais flexíveis para transações consideradas não padronizadas. Para Todd, o Bitcoin funciona melhor quando os protocolos consideram a demanda econômica. Desse modo, a política de mempool deve acompanhar as transações que o mercado deseja incluir nos blocos.

A nova posição também poderá aproximar desenvolvedores do Bitcoin Core e operadores de mineração. Ao mesmo tempo, Todd pretende aplicar sua pesquisa sobre políticas de mempool ao funcionamento do Slipstream. Em contrapartida, ele rejeita regras que limitem as formas de utilização do Bitcoin. Assim, sua abordagem prioriza as escolhas econômicas dos mineradores.

Plataforma apoia pesquisas sobre Bitcoin

Em 2024, o serviço da MARA chamou atenção ao publicar grandes inscrições de Ordinals. Depois, a plataforma ampliou sua participação em iniciativas experimentais ligadas ao protocolo. Mais recentemente, pesquisadores utilizaram o Slipstream em projetos como Quantum Safe Bitcoin e Binohash. Por sua vez, o Binohash busca emular covenants sem exigir um soft fork.

Todd mantém uma longa trajetória como colaborador do Bitcoin Core. Ele foi coautor da BIP 125, conhecida como replace-by-fee, e criou o OpenTimestamps. Posteriormente, em 2024, lançou o Libre Relay como uma bifurcação do Bitcoin Core. O projeto adota regras de retransmissão mais permissivas para transações não padronizadas.

Sob a liderança de Todd, o Slipstream continuará concentrado no envio privado de transações até a inclusão em bloco. Dessa forma, a plataforma também poderá apoiar testes técnicos ligados ao funcionamento da rede. Ao aproximar desenvolvedores e mineradores, o serviço cria um ambiente voltado à experimentação de políticas de mempool. Enquanto isso, a MARA mantém o controle da infraestrutura usada para receber e processar as operações.

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