Petróleo cai após Donald Trump sinalizar trégua com Irã
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos ficaram estáveis na manhã desta sexta-feira. O mercado absorveu a recente emissão de dívida e as declarações de Donald Trump sobre o conflito com o Irã. Ao mesmo tempo, o presidente afirmou que não ordenará ataques contra Teerã antes das eleições de meio de mandato. A declaração trouxe alívio temporário aos investidores após dias de forte volatilidade.
Nesse contexto, o rendimento do título de referência de dez anos permaneceu em 5,2399%. Antes disso, a taxa havia alcançado o maior nível em duas décadas. Já o rendimento do título de 30 anos ficou em 5,6150%. Assim, os mercados de dívida interromperam momentaneamente o movimento de forte pressão.
Preços do petróleo recuam e títulos se estabilizam
Nos mercados de commodities, o petróleo reagiu imediatamente às declarações do presidente americano. Os contratos do West Texas Intermediate caíram 0,79%, para US$ 90,77 por barril. Por sua vez, o Brent recuou 0,99% e chegou a US$ 103,25 por barril. Dessa forma, a redução do risco imediato interrompeu parte da escalada dos preços.
Enquanto isso, Christopher Waller, governador do Federal Reserve, avaliou o cenário inflacionário durante um evento em Istambul. Waller afirmou que novos aumentos dos juros serão necessários para conduzir a inflação à meta de 2%. Contudo, o dirigente ressaltou que existe flexibilidade sobre o momento adequado para os próximos ajustes. Portanto, a autoridade monetária ainda considera a evolução dos indicadores antes de definir o cronograma.
Confrontos aumentam no Iêmen e na Arábia Saudita
Apesar da pausa diplomática entre Washington e Teerã, a violência aumentou no front regional do Iêmen. Em 24 horas, aviões de combate sauditas realizaram 59 ataques aéreos contra dez províncias iemenitas. As incursões atingiram áreas urbanas de Sanaa, a capital do país. Conforme o relato, os ataques também destruíram fábricas de esponjas e produtos têxteis.
Em resposta, forças ligadas ao movimento Ansar Allah lançaram mísseis balísticos contra o território saudita. Os houthis atacaram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, pela terceira vez consecutiva. Além disso, os disparos atingiram bases militares e centros de abastecimento em Najran e Khamis Mushait. Com isso, a tensão regional continuou elevada, apesar dos sinais de distensão entre Estados Unidos e Irã.
Diante da deterioração do espaço aéreo, o porta-voz militar iemenita Yahya Saree emitiu alertas à aviação internacional e ao setor energético. Segundo Saree, o espaço aéreo saudita tornou-se uma zona de operações militares, exceto nas áreas de Meca e Medina. O porta-voz também alertou especialistas, engenheiros e trabalhadores para que deixem instalações petrolíferas consideradas alvos. Ainda assim, as advertências não alteraram imediatamente o funcionamento da infraestrutura mencionada.
Irã propõe reabrir o Estreito de Ormuz
Paralelamente aos confrontos, Washington e Teerã mantêm canais diplomáticos ativos por meio de intermediários internacionais. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, confirmou a continuidade do diálogo. De acordo com o ministro, Teerã apresentou formalmente o chamado Plano de Sete Dias. A iniciativa prevê a reabertura total do Estreito de Ormuz no prazo de uma semana.
Em contrapartida, os Estados Unidos deveriam suspender o bloqueio econômico, cancelar as sanções e liberar os recursos bloqueados. Atualmente, o governo americano analisa os termos técnicos enviados pelo Irã. Depois dessa avaliação, Teerã deverá examinar as observações apresentadas por Washington. As condições permanecem em negociação entre os dois países.
Araqchi afirmou que o governo iraniano responderá às posições americanas nos próximos dias. Enquanto isso, os investidores acompanham os riscos militares, diplomáticos e energéticos na região. Portanto, o avanço das negociações poderá influenciar tanto o mercado de títulos quanto os preços internacionais do petróleo.
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