Petróleo pode atingir US$ 90 com oferta da Nigéria

O mercado global de Petróleo enfrenta pressão altista em 2026, impulsionada por gargalos na oferta da Nigéria. O maior produtor africano não conseguiu cumprir o volume de óleo bruto destinado às refinarias domésticas no início do ano. Como resultado, cresce a expectativa de que o barril alcance US$ 90 até o fim de junho.

Além disso, o cenário amplia preocupações com a estabilidade da oferta global. Isso ocorre porque a Nigéria desempenha papel relevante no equilíbrio energético internacional. Assim, qualquer disrupção em sua cadeia produtiva tende a impactar diretamente os preços.

Gargalos na Nigéria pressionam o mercado global

Apesar de manter produção elevada, a Nigéria enfrenta dificuldades logísticas e estruturais. Entre abril de 2025 e abril de 2026, o país produziu cerca de 1,71 milhão de barris por dia. No entanto, menos da metade do volume destinado às refinarias locais foi efetivamente entregue.

Como consequência, o abastecimento interno ficou comprometido. Em especial, a refinaria Dangote, uma das maiores da África, foi diretamente afetada. A instalação possui capacidade de 650 mil barris por dia. Ainda assim, precisou importar aproximadamente 71% do petróleo necessário apenas em maio.

Esse movimento evidencia um problema estrutural persistente. Embora a produção seja robusta, a distribuição interna permanece ineficiente. Além disso, refinarias estatais seguem praticamente inoperantes desde 2020, o que agrava a dependência de importações.

Esse desequilíbrio pressiona a percepção de oferta global e sustenta expectativas de preços mais altos entre investidores.

Projeções indicam petróleo próximo de US$ 90

Nos mercados de previsões, esse cenário já se reflete nas estimativas. Atualmente, há forte consenso de que o petróleo pode atingir US$ 90 até o fim de junho. Em diversas análises, essa faixa aparece como o nível mais provável.

Isso ocorre porque, em um ambiente sensível a fatores geopolíticos, qualquer redução adicional na oferta tende a amplificar movimentos de alta. Além disso, decisões da OPEP+ continuam sendo determinantes para o comportamento dos preços.

Por outro lado, essa pressão ainda não alterou significativamente as expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos. As projeções indicam baixa probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve em junho. Em contrapartida, julho surge como o período mais provável para ajustes.

Enquanto isso, investidores também acompanham mercados correlacionados, como o mercado cripto. Ainda assim, o petróleo permanece como um dos principais termômetros macroeconômicos globais.

Limitações estruturais ampliam dependência externa

A situação da Nigéria revela um conflito persistente entre exportação e consumo interno. Por um lado, o país depende das vendas externas para gerar receita. Por outro, precisa garantir segurança energética doméstica.

Nesse sentido, a política conhecida como “naira por petróleo” busca priorizar transações na moeda local. Contudo, enfrenta limitações práticas devido à baixa capacidade operacional das refinarias.

Como resultado, o país exporta grande parte de sua produção e, ao mesmo tempo, importa derivados ou até petróleo bruto para suprir a demanda interna. Dessa forma, cria-se um ciclo ineficiente que aumenta a vulnerabilidade a choques externos.

Além disso, a dependência de importações por refinarias privadas, como a Dangote, indica que investimentos recentes ainda não resolveram os gargalos logísticos e estruturais.

O que pode influenciar o preço nas próximas semanas

Nas próximas semanas, investidores devem monitorar possíveis mudanças na política energética nigeriana. Caso o governo ajuste a alocação de petróleo entre exportação e consumo interno, o impacto pode ser relevante.

Além disso, decisões da OPEP+ seguem no radar. Lideranças como Abdulaziz bin Salman e Alexander Novak têm influência direta sobre os níveis de produção global. Portanto, qualquer anúncio tende a repercutir rapidamente nos preços.

Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas permanecem como fator de risco. Em um cenário de oferta apertada, interrupções adicionais podem acelerar ainda mais a valorização do barril.

Em suma, embora a produção nigeriana permaneça elevada, limitações estruturais continuam afetando o abastecimento interno e pressionando o mercado global. Como consequência, o petróleo segue com viés de alta no curto prazo.