Petróleo sobe 3,5% com ameaça no Estreito de Ormuz
A escalada militar entre Irã e Estados Unidos impulsionou os preços do petróleo nesta segunda-feira. Como resultado, o mercado voltou a embutir risco geopolítico em uma das rotas energéticas mais sensíveis do planeta.
Os contratos futuros do Brent avançaram 3,5% e chegaram a US$ 78,68 por barril durante o pregão. Ao mesmo tempo, o West Texas Intermediate, referência dos Estados Unidos, subiu 3,5%, para US$ 73,89 por barril. Mais cedo, ambos os benchmarks registraram ganhos intradiários de 4,5%, embora tenham devolvido parte da alta ao longo da sessão.

Fonte do gráfico: Yahoo Finance.
Mercado reage a risco de bloqueio marítimo
O avanço do petróleo ganhou tração depois que Teerã lançou, ao longo do fim de semana, ataques coordenados com mísseis e drones contra países do Golfo, incluindo Catar e Emirados Árabes Unidos. O Irã apresentou a ofensiva como retaliação direta a ações militares recentes dos Estados Unidos contra instalações iranianas.
Em seguida, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou a suspensão por tempo indeterminado da navegação no Estreito de Ormuz. Além disso, a declaração ocorreu após um incidente com um navio mercante civil. A embarcação sofreu danos em um ataque, pegou fogo e levou à evacuação da tripulação.
Uma publicação atribuída ao Comando Central dos Estados Unidos contestou diretamente o anúncio iraniano de fechamento.
O Estreito de Ormuz permanece “aberto a todos os navios que busquem transitar legalmente”.
HormuzLetter no X.
Por que o Estreito de Ormuz preocupa tanto
O Estreito de Ormuz é o corredor marítimo mais crítico do mundo para o transporte de petróleo. Cerca de um quinto do consumo global passa por essa faixa estreita, bem como exportações de Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Uma interrupção prolongada nessa rota obrigaria refinarias asiáticas a buscar fontes alternativas de petróleo bruto. Além disso, esse cenário tende a elevar custos de transporte e prêmios de seguro marítimo, pressionando ainda mais a cadeia global de energia.
Dados de monitoramento de embarcações mostraram que apenas seis navios atravessaram o estreito no domingo. Esse foi o menor volume em mais de cinco semanas. Ainda assim, operadores do setor marítimo adotaram postura cautelosa. Os deslocamentos na região desaceleraram de forma acentuada ao longo do fim de semana, segundo pesquisa do ANZ.
Bolsas asiáticas recuam com piora geopolítica
A deterioração do cenário também atingiu os mercados acionários da Ásia. Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair 9% nas negociações da manhã, pressionado principalmente por forte venda de ações de tecnologia.
Os papéis da SK Hynix recuaram mais de 15% em Seul. A fabricante de chips de memória já perdeu quase 40% de seu valor de mercado desde os recordes históricos alcançados no mês passado. O movimento ocorreu após um período de forte desempenho de seus recibos depositários nos Estados Unidos, que haviam subido quase 13% depois de uma captação de US$ 26,5 bilhões em Nova York.
A Samsung Electronics caiu mais de 10%. No Japão, por sua vez, fabricantes de equipamentos para semicondutores, como Advantest e Tokyo Electron, também registraram perdas relevantes.
Além da crise geopolítica, investidores acompanham o início da temporada de balanços corporativos. Nesta semana, Taiwan Semiconductor Manufacturing Company e ASML divulgam resultados. JPMorgan Chase, Bank of America e Goldman Sachs também apresentam seus números trimestrais.
Oferta global segue no centro das atenções
O estrategista de mercado Fawad Razaqzada alertou que a situação geopolítica pode se deteriorar rapidamente. No entanto, analistas de energia avaliaram que os preços do petróleo dificilmente voltarão aos níveis extremos observados quando as hostilidades se intensificaram inicialmente em fevereiro.
A Agência Internacional de Energia informou na semana passada que interrupções prolongadas no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz podem comprometer a recuperação esperada da oferta global. Em junho, a produção mundial de petróleo havia se recuperado em 4,1 milhões de barris por dia, à medida que os fluxos pela rota estratégica se normalizaram temporariamente.
Nesse meio tempo, o mercado voltou a reagir ao risco de restrição na passagem marítima. O Brent alcançou US$ 78,68, o WTI chegou a US$ 73,89 e apenas seis embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz no domingo. Por isso, qualquer novo bloqueio tende a manter energia, transporte marítimo e bolsas globais sob pressão.