Petróleo sobe após Irã fechar Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo dispararam na quinta-feira, após uma nova escalada no Oriente Médio atingir duas rotas marítimas sensíveis para o comércio global de energia. Assim, o barril do Brent subiu 4% e fechou a US$ 97,87, no maior nível desde 3 de junho. Ao mesmo tempo, o West Texas Intermediate, referência dos Estados Unidos, avançou 3,2% e encerrou o dia a US$ 89,63.

Mercado reage ao risco de oferta no Golfo
O movimento ganhou força porque investidores passaram a precificar um risco maior de interrupção na oferta. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, um navio-tanque sofreu um incêndio após uma explosão em uma rota minada ao sul do Estreito de Ormuz, perto da costa de Omã. Além disso, outros dois petroleiros inverteram o curso.
Em seguida, autoridades iranianas anunciaram o fechamento total do Estreito de Ormuz. Também alertaram que nenhum navio-tanque receberia autorização para atravessar a área sem coordenação prévia com as autoridades marítimas iranianas. Dessa forma, o mercado elevou rapidamente a percepção de risco, já que a passagem concentra uma parcela relevante do fluxo marítimo mundial de petróleo.
ÚLTIMA HORA: o presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos vão bombardear e destruir uma ponte ou uma usina de energia a cada vez que o Irã atirar contra um navio no Estreito de Ormuz daqui em diante.
Donald Trump afirmou que isso inclui pontes e usinas de energia próximas ou dentro de Teerã.
Fonte: The Kobeissi Letter no X
Ataques no Mar Vermelho ampliam a pressão
No mesmo período, militantes houthis alinhados ao Irã afirmaram ter atacado com sucesso dois navios-tanque sauditas, identificados como ENCELA e LAYLIA, em águas do Mar Vermelho. Segundo o grupo, as embarcações teriam violado um novo bloqueio marítimo contra operações de transporte ligadas à Arábia Saudita.
Autoridades sauditas ainda não confirmaram danos aos navios. Ainda assim, os ataques marcaram uma escalada importante no confronto regional. Em outras palavras, a pressão passou a atingir simultaneamente o Estreito de Ormuz e o estreito de Bab el-Mandeb.
Essas duas passagens são cruciais para o escoamento marítimo de petróleo. Afinal, Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Analistas do Goldman Sachs estimam que o fluxo de petróleo pela região ficou perto de 9 milhões de barris por dia no último mês. Desse total, cerca de 4 milhões de barris diários seriam extremamente difíceis de redirecionar, caso os dois corredores enfrentem bloqueios ao mesmo tempo.
Antes mesmo desse novo agravamento, vários navios-tanque sauditas com destino à Índia e à China já haviam alterado suas rotas ao longo da semana. Isso ocorreu, sobretudo, em resposta aos alertas marítimos emitidos pelos houthis.
Estados Unidos mantêm operações militares
Estoques sobem, mas tensão segue no foco
Os Estados Unidos confirmaram a conclusão da 12ª noite consecutiva de operações militares contra instalações iranianas. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia prometido destruir infraestrutura do Irã, incluindo pontes e usinas de geração de energia, a cada ação hostil de Teerã contra embarcações em trânsito pelo Estreito de Ormuz.
Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone, afirmou que os participantes do mercado passaram a precificar uma probabilidade preocupante de interrupção de oferta em um segundo gargalo crítico. Portanto, o viés altista para o petróleo permaneceu no curto prazo.
O Goldman Sachs projeta que o petróleo deve sustentar a maior parte dessa valorização ao longo de julho e agosto. Entre os fatores citados pelo banco estão a redução dos estoques globais, a menor capacidade de produção no Oriente Médio, a demanda sazonalmente mais forte da temporada de viagens no verão e a desaceleração nas liberações de reservas estratégicas.
Houve, porém, um fator em sentido contrário. A U.S. Energy Information Administration informou um aumento inesperado de 2 milhões de barris nos estoques comerciais de petróleo na semana encerrada em 17 de julho. Com isso, o total chegou a 411,7 milhões de barris. Além disso, os estoques de gasolina e de destilados também avançaram.
Mesmo com a alta dos estoques nos Estados Unidos, o mercado manteve o foco na vulnerabilidade das rotas marítimas, no aumento dos prêmios de seguro para transporte e no risco de novos ataques contra navios-tanque ou infraestrutura de energia. Ao fim do dia, o Brent estava em US$ 97,87, o WTI em US$ 89,63, o Irã mantinha o anúncio de fechamento do Estreito de Ormuz, os houthis relatavam ataques no Bab el-Mandeb e os Estados Unidos confirmavam a 12ª noite seguida de operações militares.