Petróleo sobe pela segunda semana após ameaças ao Irã

O preço do petróleo encerrou esta sexta-feira em alta nos mercados internacionais e acumulou ganhos pela segunda semana consecutiva. A valorização reflete a queda das expectativas de uma retomada rápida do tráfego marítimo no Oriente Médio. Enquanto isso, restrições severas continuam limitando a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

As novas ameaças do presidente Donald Trump contra o Irã também deterioraram as perspectivas para o mercado energético. Nesse contexto, as declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ampliaram a tensão no setor. Bessent afirmou que Washington impôs as sanções econômicas mais severas já adotadas contra o governo iraniano.

Os contratos futuros do Brent avançaram para US$ 93,86 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate, conhecido pela sigla WTI, subiu para US$ 86,94 por barril. Ambos acumularam avanço superior a 5% na semana, conforme dados da CNBC.

Mercado recalcula riscos no Estreito de Ormuz

Na primeira semana de agosto, especulações sobre um possível acordo diplomático entre Washington e Teerã pressionaram as cotações para baixo. Contudo, o endurecimento da posição dos Estados Unidos alterou esse cenário. O tom mais agressivo de Trump também elevou a volatilidade e reativou os temores sobre o fornecimento.

Analistas da Rystad Energy afirmaram que os investidores precificam, neste momento, o fracasso das negociações diplomáticas. Por isso, a falta de avanços concretos força o mercado a recalcular os riscos de abastecimento. Nesse ambiente, as dificuldades no trânsito marítimo reduzem a disponibilidade de petróleo para importantes mercados consumidores.

Diesel e outros derivados enfrentam maior pressão

Apesar da alta do petróleo bruto, os produtos refinados enfrentam um impacto mais severo. As margens do diesel atingiram níveis históricos diante do receio de uma escassez imediata de suprimentos. Além disso, a combinação de demanda sustentada com estoques baixos amplia a vulnerabilidade da infraestrutura energética global.

Bessent declarou surpresa com a tendência de alta das cotações internacionais do petróleo. Embora reconheça a pressão sobre os preços, o secretário afirmou que a estratégia econômica busca reduzir o risco de um conflito militar direto. Entretanto, os operadores continuam priorizando as incertezas relacionadas à logística e ao transporte de energia na região.

As limitações na capacidade de refino podem manter elevadas as margens dos combustíveis derivados do petróleo. Ao mesmo tempo, a evolução das tensões marítimas continua determinando a segurança energética global. Nesse quadro, as cotações podem registrar oscilações amplas durante as próximas sessões.

Restrições marítimas orientam as próximas sessões

As restrições comerciais no Estreito de Ormuz continuam afetando o fluxo habitual dos navios petroleiros internacionais. Por sua vez, as principais empresas de análise esperam pressão persistente sobre os derivados energéticos nas próximas semanas. Os operadores também acompanharão eventuais medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos.

O equilíbrio entre a oferta global e a demanda por derivados definirá o rumo das cotações no curto prazo. Caso as restrições marítimas persistam, a ausência de alternativas logísticas imediatas poderá sustentar os preços do setor energético. Sinais de avanço diplomático, porém, podem reduzir os riscos incorporados pelo mercado.