Petróleo supera US$ 90 com guerra no Estreito de Ormuz

A retomada da guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a abalar o mercado de petróleo. Além do Golfo Pérsico, os efeitos do conflito alcançam a economia global e os ativos de risco.

Após uma nova rodada de ataques no fim de semana, o petróleo Brent superou US$ 90 por barril. As forças americanas atingiram lançadores de foguetes iranianos na ilha de Larak. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra bases na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.

Com isso, o petróleo alcançou o maior nível em semanas. Autoridades americanas também informaram o início de ataques contra alvos iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Autoridades dos Estados Unidos afirmam que as forças militares americanas começaram a atacar alvos iranianos ao redor do Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo nos Estados Unidos avançam em direção a US$ 90 por barril com a notícia. Além disso, atingiram o maior nível desde 24 de julho.

The Kobeissi Letter no X

Conflito amplia o risco de inflação global

Esta é a escalada mais grave de um conflito que restringe, há seis meses, a principal rota petrolífera do planeta. Por isso, a alta do petróleo preocupa não apenas operadores de energia, mas toda a economia global.

Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, navios transportam pela região aproximadamente 35% do petróleo comercializado por via marítima. Assim, qualquer interrupção pode elevar os preços em diferentes mercados.

O mecanismo que preocupa os economistas começa nos postos de combustível. Quando o petróleo sobe, empresas enfrentam custos maiores de transporte e produção. Em seguida, essa pressão alcança praticamente todos os produtos fabricados ou movimentados.

Com o tempo, a alta dos custos pode se transformar em inflação. Conforme cálculos do Federal Reserve de Dallas, um fechamento do estreito por um trimestre teria impacto relevante. Nesse cenário, a inflação geral dos Estados Unidos poderia subir 0,6 ponto percentual em 2026.

O Banco Mundial também alertou para o risco de os preços da energia atingirem o maior nível desde 2022. Naquele ano, a invasão russa da Ucrânia provocou um choque nos mercados energéticos. Portanto, uma nova onda de inflação importada pressionaria diretamente o orçamento dos consumidores.

Juros elevados aumentam a pressão sobre investimentos

Para conter essa inflação, bancos centrais podem manter os juros elevados ou até promover novos aumentos. Contudo, essa possibilidade surge justamente quando parte do mercado esperava cortes nas taxas.

Com o dinheiro mais caro, o crédito perde força e as empresas enfrentam maior pressão financeira. Como resultado, investimentos de risco tendem a sofrer com a redução do apetite dos investidores.

Nesse ambiente, o Bitcoin sente diretamente os impactos econômicos da guerra. Em teoria, a criptomoeda poderia agir como o ouro e oferecer proteção contra a incerteza geopolítica.

Na prática, porém, o Bitcoin apresentou comportamento semelhante ao de outros investimentos de risco durante o conflito. Assim, recuou nos momentos de maior tensão e recuperou parte das perdas quando surgiram conversas de paz.

Bitcoin acompanha petróleo, inflação e juros

Durante os episódios mais intensos, a alta do petróleo e os dados fortes de inflação pressionaram o Bitcoin. Por consequência, Ethereum, Solana e outras criptomoedas também recuaram em movimentos de aversão ao risco.

No curto prazo, o preço do Bitcoin responde menos à sua tese de reserva de valor. Em vez disso, acompanha forças macroeconômicas semelhantes às que movimentam o mercado de ações.

Um ambiente de petróleo caro, inflação persistente e juros altos tende a ser hostil para o mercado de criptomoedas. Ainda assim, a intensidade dessa pressão dependerá da duração e do alcance do choque energético.

Por outro lado, o ouro apresentou um comportamento mais ambíguo. O mercado já havia incorporado parte do prêmio associado ao medo após seis meses de conflito.

Os novos ataques prolongam a incerteza nos mercados globais. Dessa maneira, os acontecimentos no Estreito de Ormuz continuarão influenciando as expectativas de inflação e as decisões dos bancos centrais.

Enquanto o conflito persistir, o Bitcoin permanecerá sensível às manchetes do Golfo Pérsico. As próximas decisões do Federal Reserve também devem pesar mais sobre seu preço do que os fundamentos específicos da rede.