Pi ativa contratos inteligentes após Protocolo 23

A rede Pi concluiu a atualização Docker do Protocolo 23 entre 19 e 20 de maio de 2026. Com isso, a infraestrutura passa a operar como uma blockchain de camada 1 programável. Na prática, a rede agora suporta contratos inteligentes, exchanges descentralizadas e tokenização de ativos do mundo real.

Além disso, mais de 421 mil operadores de nós ativos executaram a migração simultânea de quatro camadas diretamente na mainnet. Esse tipo de atualização paralela, com rede distribuída e prazo rígido, ainda é raro, inclusive entre projetos consolidados do mercado de criptomoedas.

Dr. Chengdiao Fan no X

Atualização técnica amplia capacidade da rede

À primeira vista, a mudança pode parecer pontual. No entanto, envolve quatro atualizações estruturais executadas de forma simultânea. A rede adotou Ubuntu 24.04, migrou para PostgreSQL 16, atualizou o núcleo para Stellar Core v23.0.1 e modernizou a API Horizon.

Cada etapa já exigiria planejamento avançado de forma isolada. Ainda assim, a execução paralela elevou a complexidade, sobretudo porque a rede permaneceu ativa durante todo o processo. Além disso, houve reprocessamento de dados da blockchain, o que aumentou temporariamente a demanda por armazenamento.

O prazo inicial era 15 de maio. Contudo, a equipe estendeu o limite para 19 de maio. Nós que não migraram foram removidos do consenso, uma vez que as novas versões não são compatíveis com protocolos anteriores.

Contratos inteligentes com tecnologia Soroban

O principal avanço envolve a ativação de contratos inteligentes na mainnet. Nesse sentido, a tecnologia Soroban, desenvolvida no ecossistema Stellar, passa a sustentar aplicações descentralizadas e instrumentos financeiros programáveis.

Os contratos utilizam Rust compilado em WebAssembly. Dessa forma, a execução se torna mais previsível e segura, especialmente em comparação com sistemas baseados em Solidity. Esse fator ganha relevância diante de uma base superior a 60 milhões de usuários.

Execução paralela melhora desempenho

Antes da atualização, a rede processava transações de forma sequencial. Agora, em contrapartida, suporta execução paralela utilizando múltiplos núcleos de CPU. Como resultado, a capacidade de processamento aumenta, enquanto a latência diminui.

Além disso, as taxas permanecem baixas mesmo com maior volume. Isso ocorre porque a arquitetura otimizada distribui melhor a carga de trabalho.

Novas funcionalidades ampliam o ecossistema

Com o Protocolo 23, a rede desbloqueia funcionalidades estratégicas. Em primeiro lugar, surgem melhorias internas, como cache de módulos Wasm e armazenamento em memória do estado ativo. Assim, reduz-se a dependência de leitura em disco.

Além disso, a atualização cria a base para uma exchange descentralizada. Nesse contexto, mecanismos de formadores de mercado automatizados permitem negociação direta entre usuários, bem como a criação de pools de liquidez.

Tokenização e padronização de dados

A rede também avança na tokenização de ativos reais. Por exemplo, imóveis, ações e commodities podem ser representados digitalmente. Esse movimento acompanha uma tendência crescente em outras blockchains.

Ao mesmo tempo, a padronização de eventos simplifica integrações. Ou seja, carteiras e plataformas analíticas passam a operar com maior eficiência.

Ferramentas com IA ampliam desenvolvimento

O AI App Studio saiu da fase beta com essa atualização. Dessa maneira, desenvolvedores podem criar aplicações com baixo código dentro do Pi Browser. Mesmo sem experiência avançada, torna-se possível desenvolver soluções funcionais.

Por consequência, a barreira de entrada diminui. Isso tende a acelerar o crescimento do ecossistema.

Base de usuários pressiona evolução

Diferentemente de muitas blockchains, a Pi priorizou a expansão de usuários antes das funcionalidades. Atualmente, são mais de 60 milhões de participantes, com cerca de 18,1 milhões verificados por KYC.

Assim, desenvolvedores encontram uma base ativa desde o início. Por outro lado, essa escala elevou a expectativa por recursos mais robustos. Portanto, atualizações como o Protocolo 23 tornam-se necessárias para sustentar o crescimento.

Desafios técnicos enfrentados pelos nós

A migração exigiu esforço significativo dos operadores. Muitos enfrentaram falhas no PostgreSQL, limitações de armazenamento e reinicializações frequentes. Ainda assim, testes prévios ajudaram a mitigar riscos operacionais.

O alto índice de sucesso indica forte engajamento da comunidade. Além disso, evidencia a qualidade da documentação técnica disponibilizada.

Próximos passos da rede

A equipe já prepara o Protocolo 24.1, previsto para 25 de maio de 2026. Nesse sentido, o ritmo acelerado reforça a estratégia de evolução contínua da rede.

Entre os próximos marcos, destacam-se a ativação completa do novo consenso e o avanço dos contratos inteligentes em ambiente de produção. Como resultado, a Pi amplia sua ambição de se consolidar como infraestrutura funcional no mercado cripto.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas