Polícia fecha mineração ilegal de criptomoedas no DF
Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em conjunto com a Neoenergia, desmantelou uma estrutura clandestina de criptomoedas em São Sebastião (DF). O esquema utilizava energia elétrica desviada de forma ilegal, o que, segundo as autoridades, impactava diretamente a rede local.
Assim, a ação integrou a Operação CriptoGato, que identificou um sistema ativo com alto consumo energético. Em cerca de um mês, a estrutura teria consumido eletricidade suficiente para abastecer aproximadamente 262 residências. Como resultado, o prejuízo estimado chegou a R$ 1 milhão.
Consumo irregular pressiona rede elétrica
A quarta fase da operação ocorreu na quinta-feira (9), na região de Capão Cumprido. No local, os agentes encontraram uma estrutura completa de mineração. Além disso, os equipamentos operavam de forma contínua, característica comum desse tipo de atividade, embora ilegal neste caso.
Durante a ação, foram apreendidos 20 equipamentos de mineração, dois transformadores de 75 kVA e 20 exaustores. Ao mesmo tempo, os dispositivos funcionavam sem interrupção, indicando alta intensidade operacional. Esse padrão, conforme avaliação técnica, tende a elevar significativamente a carga sobre a rede elétrica.
Apesar da descoberta, os responsáveis não foram localizados. No entanto, a Polícia Civil instaurou inquérito para identificar os envolvidos e aprofundar as investigações.
Operação já soma apreensões relevantes
Desde janeiro, a Operação CriptoGato já desarticulou nove mineradoras clandestinas em quatro fases. Além disso, as autoridades apreenderam 654 máquinas de mineração. Como consequência, o prejuízo acumulado supera R$ 7,9 milhões.
Segundo a Neoenergia, o volume de energia desviado seria suficiente para abastecer mais de 47 mil residências durante um mês. Em outras palavras, o consumo equivale à demanda elétrica de toda a região administrativa do Recanto das Emas no período.
Além do impacto financeiro, o furto de energia compromete a qualidade do fornecimento. Por consequência, oscilações e sobrecargas podem afetar moradores, comerciantes e produtores rurais, aumentando riscos para equipamentos e para a própria infraestrutura elétrica.
A prática é considerada crime pelo Código Penal brasileiro. Portanto, os responsáveis podem responder por furto de energia, com penas que incluem reclusão e multa. Ainda assim, o avanço de casos semelhantes tem chamado a atenção das autoridades, especialmente com a expansão da mineração de ativos digitais no país.
Casos semelhantes indicam padrão crescente
O uso irregular de energia em operações de mineração tem se tornado mais frequente. Por exemplo, um caso recente ocorreu em Araçatuba (SP), onde a Polícia Civil identificou uma estrutura clandestina semelhante.
A descoberta ocorreu após denúncia de furto de energia, posteriormente confirmada por técnicos da CPFL. O imóvel, localizado no bairro Centenário, estava alugado havia cerca de dois meses. Contudo, não possuía moradores, embora operasse com diversos computadores e sistemas de refrigeração ligados continuamente.
Prisões e dinheiro apreendido
Durante a vistoria, os agentes encontraram R$ 52.236 em dinheiro, além de equipamentos ligados à mineração. Em seguida, dois homens foram presos em flagrante. Um deles teria alugado o imóvel a pedido do outro, que já era investigado.
As apurações também indicaram a participação de um eletricista. Segundo os investigadores, ele foi contratado para realizar a ligação clandestina mediante pagamento de R$ 3 mil. Dessa forma, o caso sugere atuação coordenada entre diferentes envolvidos.
De modo geral, os episódios reforçam um padrão recorrente: estruturas são montadas em locais comuns, mas apresentam consumo elevado de energia. Ao mesmo tempo, os operadores buscam reduzir custos por meio de ligações ilegais. Como resultado, os impactos atingem tanto a economia quanto a estabilidade do sistema elétrico.