Polymarket e Kalshi sob investigação no Congresso

O deputado James Comer, republicano do Kentucky e presidente do Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara dos Estados Unidos, anunciou em 22 de maio a abertura de uma investigação formal contra as plataformas de mercados de previsões Polymarket e Kalshi. O objetivo central é esclarecer como essas empresas detectam e evitam o uso de informações privilegiadas em negociações sensíveis.

Segundo a CNBC, Comer enviou cartas aos CEOs das duas companhias solicitando dados detalhados sobre verificação de identidade, bloqueio de usuários em jurisdições restritas e monitoramento de padrões suspeitos. Além disso, o parlamentar busca entender como as plataformas lidam com operações potencialmente ilegais.

Assim, a investigação marca uma escalada da pressão regulatória sobre o setor, que, nos últimos meses, passou a atrair maior atenção em Washington. Ao mesmo tempo, esse avanço ocorre em paralelo à expansão acelerada desses mercados digitais.

Polymarket ETHUSD

Tendência de preço do ETH no gráfico diário. Fonte: TradingView

Indícios levantam suspeitas sobre a Polymarket

Casos envolvendo operações militares e ganhos atípicos

Os padrões analisados pelas autoridades chamaram atenção pela precisão e pelo timing das apostas. Em um dos episódios, um soldado das forças especiais dos Estados Unidos foi preso após negociar na Polymarket eventos ligados a uma incursão militar na Venezuela. As apostas ocorreram horas antes da operação que teria resultado na captura do presidente Nicolás Maduro, conforme destacou o The Hill.

Além disso, outro caso citado envolve um operador que acumulou quase US$ 1 milhão com uma taxa de acerto de 93%. Ele previu ações militares não divulgadas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Essas operações ocorreram antes de ataques registrados em outubro de 2024, junho de 2025 e fevereiro de 2026, segundo a CNN.

De fato, o episódio mais expressivo ocorreu em 28 de fevereiro de 2026. Na ocasião, 38 contas lucraram mais de US$ 2 milhões ao apostar em ataques contra o Irã. Segundo parlamentares, essas contas receberam recursos dias antes, o que reforça suspeitas de coordenação.

Posteriormente, em 7 de abril, pelo menos 50 contas recém-criadas realizaram apostas sincronizadas sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Algumas foram abertas minutos antes do anúncio oficial, o que intensificou as preocupações no Congresso.

Ademais, a própria Polymarket identificou atividades suspeitas envolvendo cerca de 50 contas antes das negociações diplomáticas. Essas informações constam em correspondências analisadas por legisladores e divulgadas pelo Casino.org.

Resposta das empresas e impactos regulatórios

Pressão política cresce sobre mercados de previsões

A Kalshi respondeu por meio de sua chefe de comunicação, Elisabeth Diana. Segundo ela, a empresa está disposta a colaborar plenamente com as autoridades e mantém mecanismos robustos para prevenir o uso indevido de informações privilegiadas. Por outro lado, a Polymarket não comentou imediatamente o caso.

Em março de 2026, ambas as plataformas anunciaram atualizações em suas regras. Entre elas, destacam-se restrições para impedir que políticos negociem contratos ligados às próprias campanhas, bem como a proibição de atletas em mercados esportivos. Ainda assim, essas medidas não dissiparam as suspeitas.

Enquanto isso, o setor segue em expansão. O volume combinado de negociações entre Kalshi e Polymarket atingiu dezenas de bilhões de dólares apenas em março de 2026, conforme dados da TipRanks. Esse crescimento ocorre em paralelo ao avanço do mercado de criptomoedas, que também enfrenta maior escrutínio regulatório.

Outro ponto relevante envolve a influência política. As duas empresas contam com Donald Trump Jr. como conselheiro e investiram cerca de US$ 1 milhão em lobby federal em 2025. Nesse sentido, o cenário regulatório tende a se tornar ainda mais complexo.

Em conclusão, a investigação aberta pelo Congresso representa um momento decisivo para os mercados de previsões. O foco recai sobre a capacidade dessas plataformas de mitigar riscos ligados a informações sensíveis, sobretudo em contextos militares e geopolíticos.