Polymarket: engenheiro do Google é acusado por US$ 1,2 mi

Promotores federais em Nova York acusaram Michele Spagnuolo, engenheiro de cibersegurança do Google, de usar informações confidenciais da empresa para lucrar cerca de US$ 1,2 milhão no Polymarket. A plataforma baseada em blockchain opera mercados de previsões. Segundo a acusação, ele transformou acesso a dados internos de busca em vantagem indevida para apostar em um evento ligado à própria companhia.

Spagnuolo, de 36 anos, ocupava o cargo de Staff Information Security Engineer. As acusações, divulgadas em 27 de maio, incluem fraude em commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Autoridades prenderam o engenheiro no mesmo dia. Posteriormente, a Justiça concedeu liberdade mediante fiança de US$ 2,25 milhões.

Promotores apontam uso de dados internos do Google

Os promotores afirmam que Michele Spagnuolo usou dados não públicos de tendências de busca obtidos por uma ferramenta interna do Google. A finalidade, segundo a denúncia, era antecipar o resultado do Year in Search 2025. A retrospectiva anual da empresa lista termos e personalidades mais pesquisados do ano.

Assim, a acusação sustenta que ele apostou que o cantor D4vd apareceria como a pessoa mais buscada. O resultado só chegou ao público em 4 de dezembro de 2025. Com essa suposta vantagem informacional, ele teria operado no Polymarket por meio de uma conta registrada sob o pseudônimo AlphaRaccoon.

Além disso, as autoridades afirmam que Spagnuolo tentou ocultar a origem dos recursos após acumular ganhos expressivos. Por isso, os promotores incluíram lavagem de dinheiro entre as acusações, ao lado de fraude em commodities e fraude eletrônica.

Um porta-voz do Google confirmou que Spagnuolo tinha acesso a dados de marketing por meio de uma ferramenta interna da empresa. Ademais, a companhia classificou o episódio como grave violação de suas políticas corporativas.

Conta AlphaRaccoon virou peça central da investigação

Segundo a acusação, a conta AlphaRaccoon concentrou as operações que permitiram capturar o suposto ganho de US$ 1,2 milhão. Nesse sentido, os investigadores entendem que o uso de dados internos do Google comprometeu a integridade do mercado de previsões.

Ao mesmo tempo, o caso ampliou o debate sobre o uso de informações privilegiadas em ambientes ligados ao mercado cripto. Afinal, plataformas de previsões dependem da qualidade da informação para formar preços de maneira confiável.

Casos envolvendo Polymarket avançam nos Estados Unidos

O processo contra Spagnuolo não aparece como episódio isolado. Segundo a apuração, este é o segundo caso em 2026 em que a Promotoria dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York apresenta acusações de uso de informação privilegiada ligadas ao Polymarket.

Anteriormente, o primeiro caso envolveu um soldado das forças especiais dos Estados Unidos. Ele recebeu acusação por apostas vinculadas a uma operação militar na Venezuela. Dessa forma, a repetição de episódios com características semelhantes sugere monitoramento mais rígido das autoridades americanas sobre mercados de previsões baseados em blockchain.

Em resposta a esses incidentes, o Polymarket estaria implementando medidas adicionais de segurança. No entanto, a acusação não detalha quais mecanismos entraram em análise nem quando eventuais mudanças devem entrar em vigor.

Embora a plataforma siga ativa, o avanço de processos criminais com fatos parecidos aumenta a pressão sobre seus controles internos. Em contrapartida, o caso reforça que autoridades dos Estados Unidos já aplicam estruturas jurídicas tradicionais a disputas que envolvem blockchain e apostas informacionais.

Enquadramento segue padrões usados em Wall Street

Um dos pontos mais relevantes do caso é a estratégia jurídica dos promotores. As acusações contra Spagnuolo não dependem de legislação inédita voltada especificamente ao setor de criptomoedas. Em vez disso, eles recorreram a instrumentos conhecidos, como fraude em commodities e fraude eletrônica. Esses enquadramentos aparecem com frequência em casos de insider trading no mercado financeiro tradicional.

Na prática, a leitura das autoridades é direta. Quando alguém usa informação confidencial para obter vantagem em mercados de previsões, a conduta pode receber tratamento semelhante ao uso de informação privilegiada em Wall Street. Portanto, essa interpretação tende a ampliar a pressão regulatória sobre plataformas baseadas em blockchain quando houver suspeita de exploração de dados internos ou não públicos.

O caso também chama atenção pela posição ocupada pelo acusado. Spagnuolo trabalhava justamente na área de segurança da informação em uma das empresas mais ricas em dados do mundo. Segundo a acusação, ele teria usado esse acesso para explorar uma plataforma cuja proposta depende de formação de preços baseada em informação descentralizada.

Em suma, Michele Spagnuolo responde a acusações de fraude em commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Os promotores afirmam que ele lucrou US$ 1,2 milhão em apostas no Polymarket com base em dados internos do Google sobre o Year in Search 2025. A conta usada teria o nome AlphaRaccoon, enquanto a fiança ficou em US$ 2,25 milhões. O Google classificou o episódio como séria violação de suas políticas.