Polymarket lança mercado gratuito e pressiona rival Kalshi

A Polymarket abriu um mercado gratuito de alimentos em Nova York, iniciativa que funcionará entre 12 e 15 de fevereiro. A ação ganhou destaque porque acontece logo após a Kalshi atrair grande público ao distribuir US$ 50 em compras para moradores de Manhattan, fato que gerou filas com mais de um quarteirão. Ambas atuam em mercados de previsão e agora investem em estratégias voltadas ao alto custo da alimentação, buscando alcançar novos públicos.

O período escolhido é estratégico. O Super Bowl ocorre em 8 de fevereiro, momento em que cresce o interesse por apostas, mas anúncios de mercados de previsão estão proibidos durante o evento. Assim, as empresas buscam alternativas para manter visibilidade, e a distribuição de alimentos surge como uma forma de marketing que contorna as restrições e reforça a presença das marcas em um assunto sensível para a população.

A ação da Kalshi, divulgada no X, atraiu quase 1.800 inscritos e gerou uma multidão estimada em milhares de pessoas. Muitos participantes afirmaram não conhecer a empresa, mas reconheceram o impacto da inflação dos alimentos e aproveitaram a oportunidade gratuita.

Aposta da Polymarket amplia disputa no setor

Como resposta direta, a Polymarket assinou contrato de locação para montar um mercado físico temporário chamado “The Polymarket”. A proposta difere da ação de um único dia da rival, já que funcionará como uma pequena mercearia abastecida com itens essenciais. A abertura está marcada para 12 de fevereiro, ao meio-dia, com funcionamento até 15 de fevereiro. O endereço final ainda será revelado.

Segundo comunicado no X, a empresa destaca que o projeto estava planejado há meses. A iniciativa permite que qualquer morador de Nova York retire alimentos gratuitamente, sem cadastro ou compra. Além disso, a empresa doou US$ 1 milhão ao Food Bank for New York City, reforçando o caráter social da campanha e seu retorno regulatório aos Estados Unidos com o lançamento de seu novo aplicativo.

Estratégia de marketing e impacto político

No entanto, analistas afirmam que a ação também funciona como ferramenta de visibilidade nacional em um momento de barreiras publicitárias. A estratégia amplia o reconhecimento da Polymarket entre pessoas fora do universo cripto e intensifica a disputa com a Kalshi.

Críticos nas redes sociais veem a campanha como um movimento calculado. Para eles, a empresa tenta acelerar seu crescimento antes do Super Bowl e fortalecer avaliações bilionárias. Outros indicam que a ação busca apoio público enquanto autoridades discutem futuras regras de tributação e regulação dos mercados de previsão.

De acordo com dados do Bureau of Labor Statistics, os preços de alimentos subiram cerca de 30% desde 2020. Uma pesquisa de março de 2025 revelou que quase 90% dos moradores de Nova York acreditam que o custo da alimentação cresce mais rápido que seus salários. Esse cenário influenciou o debate político local e fortaleceu propostas por mercados públicos de alimentos. Críticos afirmam que o gesto da Polymarket também conversa com esse contexto, favorecendo políticas defendidas pelo atual prefeito Zohran Mamdani.

No curto prazo, a abertura do mercado gratuito coloca a Polymarket no centro das discussões sobre custo de vida e estratégias de marketing não convencionais. Além disso, reforça seu retorno aos Estados Unidos e amplia sua visibilidade em meio à competição direta com a Kalshi.