Polymarket negocia US$ 3,3 bi na Copa de 2026

Os mercados de previsões ligados à Copa do Mundo de 2026 elevaram a atividade da Polymarket a um novo patamar. Ao mesmo tempo, os números recordes expuseram uma distorção no comportamento dos traders. Dados da plataforma indicam que os contratos relacionados ao torneio já superaram US$ 3,3 bilhões em volume negociado. Assim, o montante ficou muito acima dos cerca de US$ 1,4 bilhão registrados nos mercados de previsões durante o Super Bowl deste ano.

Esse avanço mostra a velocidade com que a negociação baseada em eventos se consolidou no esporte. Como resultado, a Copa do Mundo passou a oferecer às plataformas um horizonte mais longo do que uma final isolada. Além da Polymarket, a Kalshi e outros ambientes do setor também registram forte atividade em contratos sobre resultados de partidas, classificação e desfecho do torneio.

França e Argentina lideram as probabilidades

Apesar da explosão no volume, o capital não está distribuído de forma proporcional entre as seleções com maiores chances de título. À medida que a competição avança para a fase de 32 seleções, os mercados de previsões mostram dois retratos ao mesmo tempo. De um lado, há uma disputa apertada entre os principais favoritos. De outro, permanece uma massa bilionária de capital vinculada a equipes tratadas como azarões extremos.

Na Polymarket, a França aparece como favorita estreita para vencer a Copa do Mundo de 2026, com probabilidade implícita de 23%. A Argentina surge logo atrás, com 21%. Em seguida, a Espanha aparece com 11%, a Inglaterra com 10% e o Brasil com 6%. Em outras palavras, as duas finalistas do Mundial de 2022 seguem praticamente empatadas no topo.

Apostas no vencedor da Copa do Mundo na Polymarket

Fonte: Polymarket.

O mesmo padrão aparece no mercado sobre quais seleções chegarão à final. A França lidera esse contrato com chance implícita de 39%, enquanto a Argentina soma 38%. Ademais, a Espanha aparece atrás, com 23%. Essa precificação sugere que muitos participantes já consideram seriamente a possibilidade de uma nova final entre França e Argentina, quatro anos depois do título argentino no Catar.

Volume dos favoritos mostra forte concentração

O volume negociado entre os favoritos reforça essa concentração. A Argentina acumula cerca de US$ 81 milhões no mercado de campeão. A França soma aproximadamente US$ 77 milhões. Além disso, Portugal aparece com cerca de US$ 76 milhões, a Espanha com US$ 68 milhões e a Inglaterra com US$ 61 milhões.

Esses dados confirmam a demanda pelos principais candidatos, mas não explicam o maior desequilíbrio do quadro atual. Afinal, a distribuição histórica do volume conta uma história diferente da fotografia atual das probabilidades.

Azarões concentram bilhões mesmo com chance mínima

Cerca de US$ 1,6 bilhão já foi negociado em seleções cuja probabilidade implícita de título é de 1% ou menos. Isso representa aproximadamente dois terços de todo o volume do mercado de vencedor. Ainda assim, essas equipes têm, segundo os preços atuais, caminho pouco realista até a taça.

Entre os azarões mais negociados, a Costa do Marfim acumula cerca de US$ 101 milhões em volume histórico. O México registra aproximadamente US$ 97 milhões. O Egito soma por volta de US$ 90 milhões. Além disso, Cabo Verde aparece perto de US$ 87 milhões, enquanto Marrocos reúne cerca de US$ 82 milhões.

Seleções com menos de 1% de chance de vencer a Copa do Mundo
Seleções com menos de 1% de chance de vencer a Copa do Mundo

Fonte: Polymarket.

A distância entre volume e probabilidade atual revela uma particularidade dos mercados de previsões. Em muitos casos, um contrato com forte movimentação não significa que os traders ainda acreditem naquele resultado. Pelo contrário, isso pode apenas indicar grande quantidade de operações feitas no início do torneio, antes de as odds mudarem de forma acentuada.

Também é possível que parte dessas posições esteja ligada à especulação com azarões, compras motivadas por torcida, operações de hedge, combinações de apostas ou posições que os usuários simplesmente não encerraram. Dessa forma, alguns mercados seguem parecendo muito ativos, mesmo quando as probabilidades atuais já não sustentam esse entusiasmo.

Capital antigo distorce a leitura do mercado

Ao contrário de uma casa de apostas tradicional, em que as linhas podem mudar com mais clareza ao longo do evento, os usuários negociam contratos de mercados de previsões até a liquidação ou até a saída dos participantes. Na prática, o capital pode permanecer preso a seleções das quais o mercado já se afastou.

Esse efeito fica ainda mais visível quando comparado ao grupo principal de favoritos. Um pacote formado por França, Argentina, Espanha, Inglaterra e Portugal custa, somado, cerca de US$ 0,72 pelos preços atuais. Se qualquer uma dessas cinco seleções vencer a Copa, a posição paga US$ 1. Portanto, a confiança do mercado ficou concentrada, embora bilhões em volume histórico ainda estejam espalhados entre equipes consideradas improváveis.

Assim, o painel da Copa do Mundo não funciona apenas como um ranking de favoritos. Ele também registra como os traders atravessaram o torneio, onde entraram cedo demais, quais bilhetes envelheceram mal e onde a liquidez não foi totalmente desfeita.

Setor acelera e chama atenção dos reguladores

A intensidade das negociações em torno da Copa do Mundo também acelera a adoção institucional e a aquisição de usuários em todo o setor. A corretora de Wall Street Bernstein projeta que as negociações relacionadas ao torneio podem ultrapassar US$ 10 bilhões em apostas totais antes da final, marcada para 19 de julho.

O efeito não se limita ao esporte. Na semana passada, a Andreessen Horowitz publicou dados no X indicando que o volume de negociação fora do esporte, incluindo eventos geopolíticos, divulgação de dados macroeconômicos e eleições, alcançou US$ 3,6 bilhões somando Kalshi e Polymarket.

Volume dos mercados de previsões
Volume dos mercados de previsões

Fonte: Andreessen Horowitz, no X.

De fato, esse volume não esportivo sozinho já supera todo o volume agregado de todos os mercados de previsões observado um ano antes. Em julho de 2025, o volume semanal fora do esporte girava em torno de US$ 200 milhões. Como resultado, isso representa crescimento de 18 vezes em 12 meses.

No total, a Andreessen Horowitz afirmou que os volumes semanais em todo o ecossistema de mercados de previsões atingiram US$ 14,5 bilhões na última semana. Enquanto isso, o interesse em aberto permaneceu em US$ 1,6 bilhão, um recorde sustentado pela terceira semana consecutiva.

Ao mesmo tempo, o sucesso comercial do setor chega em paralelo com um novo ciclo de escrutínio regulatório. O The Wall Street Journal informou que a Commodity Futures Trading Commission, conhecida como CFTC, teria aberto uma investigação sobre a Polymarket.

A apuração ocorre no momento em que defensores da proteção ao consumidor e alguns estados dos Estados Unidos pressionam por supervisão mais rígida sobre plataformas de mercados de previsões. Polymarket e Kalshi cresceram rapidamente ao permitir negociações sobre esportes, eleições, preços de criptomoedas e resultados do mercado financeiro. Para a Polymarket, a investigação amplia a incerteza depois de a plataforma ter retomado operações limitadas nos Estados Unidos no ano passado.

Por fim, o cenário chama atenção porque coincide com volumes recordes justamente quando os reguladores intensificam a análise sobre o funcionamento do setor. No caso da Copa do Mundo, os dados mostram ao mesmo tempo US$ 3,3 bilhões em negociações, França e Argentina na liderança das probabilidades e cerca de US$ 1,6 bilhão ainda preso a seleções com 1% ou menos de chance de título.