Polymarket prepara overhaul e nova stablecoin própria

A Polymarket, plataforma de mercados de previsões voltada ao ecossistema cripto, prepara a maior atualização de sua infraestrutura até agora. A empresa planeja lançar um sistema de negociação reformulado e, além disso, introduzir uma stablecoin nativa para substituir o modelo atual baseado em ativos com bridge.

A atualização deve ocorrer nas próximas semanas. Entre as mudanças, estão novos contratos inteligentes e um livro de ordens central (CLOB) redesenhado. Ao mesmo tempo, a plataforma pretende lançar o token Polymarket USD.

Essa stablecoin será lastreada em proporção 1:1 por USDC. Assim, substituirá o USDC.e, versão com bridge atualmente utilizada. Dessa forma, a empresa busca simplificar as operações on-chain e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência do sistema.

Nova arquitetura reduz complexidade e riscos

A decisão de abandonar ativos com bridge acompanha uma tendência do setor. Afinal, soluções cross-chain podem introduzir riscos adicionais e aumentar a complexidade operacional.

Ao adotar um token próprio como colateral, a Polymarket pretende ganhar maior controle sobre a liquidação. Nesse sentido, a iniciativa pode melhorar a consistência da liquidez e tornar a experiência mais simples para o usuário.

Execução mais rápida e custos menores

No centro da atualização está um novo mecanismo de correspondência de ordens. Além disso, a arquitetura do livro de ofertas foi aprimorada. Como resultado, a empresa espera execuções mais rápidas e spreads mais competitivos.

Segundo materiais técnicos, a nova estrutura também reduz custos operacionais e simplifica o envio de ordens. Em paralelo, adiciona suporte a recursos como assinaturas EIP-1271, o que amplia a compatibilidade com carteiras baseadas em contratos inteligentes.

A transição deve ser simples para a maioria dos usuários. A interface converterá automaticamente os ativos existentes para o padrão Polymarket USD mediante uma única autorização. Por outro lado, traders avançados e desenvolvedores precisarão realizar etapas adicionais, como encapsular ativos manualmente e atualizar integrações.

Migração e crescimento da plataforma

Durante a migração, todos os livros de ordens serão resetados dentro de uma janela programada. Ainda assim, a empresa afirma que avisará os usuários com antecedência.

A atualização ocorre em meio ao crescimento da plataforma. Nos últimos meses, o volume de negociações aumentou de forma relevante, com picos que, segundo dados divulgados pela própria empresa, ultrapassaram bilhões de dólares mensais.

Estratégia aponta maior integração

Esse avanço reforça a demanda por mercados baseados em eventos, que atraem tanto usuários de criptomoedas quanto participantes do sistema financeiro tradicional.

Além das melhorias técnicas, a reformulação sugere uma estratégia de maior integração vertical. Historicamente, a Polymarket utilizou sistemas externos, como oráculos otimistas, para determinar resultados dos mercados.

No entanto, a empresa já indicou planos para um possível token nativo, o POLY. Esse ativo pode atuar na governança e na resolução de disputas. Caso avance, a iniciativa tende a reduzir a dependência de protocolos externos.

Se implementado, o token permitirá internalizar funções críticas, como validação de mercados e verificação de resultados. Dessa maneira, a plataforma amplia o controle sobre sua infraestrutura.

Por fim, a modernização também ocorre em paralelo a movimentos de expansão nos Estados Unidos, em um contexto de maior atenção regulatória. A empresa busca alinhar crescimento tecnológico com maior clareza regulatória.

Em suma, a nova fase indica uma Polymarket mais focada em eficiência operacional, controle de colateral e evolução estrutural, acompanhando a expansão global e o aumento consistente da atividade na plataforma.