Poolin entra no Capítulo 11 com dívida de US$ 173 mi

O pedido de proteção contra falência da Poolin acrescenta pressão ao setor de mineração de Bitcoin nos Estados Unidos. A empresa e duas subsidiárias apresentaram a solicitação no Tribunal do Distrito de Nova Jersey. O pedido tramita sob o Capítulo 11, como mostram os registros públicos do processo.

Os documentos judiciais apontam passivos totais de cerca de US$ 173,1 milhões. Além disso, a maior parte desse valor envolve obrigações com antigos usuários de serviços digitais da companhia. Assim, o processo confirma o agravamento dos problemas financeiros iniciados durante o inverno cripto de 2022.

Desse total, aproximadamente US$ 163,7 milhões correspondem a notas promissórias emitidas para clientes da Poolin Wallet. A empresa entregou esses instrumentos de dívida após suspender os saques há quatro anos. Como resultado, milhares de usuários, inclusive operadores transfronteiriços, perderam acesso aos recursos mantidos na plataforma.

Reestruturação mira venda de data centers no Texas

A direção da Poolin pretende realizar uma ampla reestruturação interna para evitar a paralisação definitiva das atividades. Como parte desse plano, a companhia colocará à venda dois centros de dados localizados no oeste do Texas. Dessa forma, a administração busca levantar recursos para cumprir, ao menos em parte, os compromissos com credores.

Pool de mineração de Bitcoin, Poolin.
Poder computacional histórico da Poolin.

Fonte: Mempool.space

As ofertas iniciais pelos complexos de mineração nos Estados Unidos partiram de uma base conjunta de US$ 52 milhões. No entanto, o montante final destinado aos credores dependerá do resultado financeiro dessa liquidação de ativos. Além disso, qualquer plano de pagamento ainda precisará da aprovação do juiz responsável pelo caso.

A Poolin surgiu em 2017 e cresceu rapidamente durante o ciclo de alta das criptomoedas. Em 2019, a empresa se consolidou como o maior pool de mineração do mundo. No auge, controlava uma fatia expressiva do poder computacional da rede Bitcoin e virou uma referência histórica no segmento.

Esse cenário mudou com a virada brusca do mercado em 2022. A queda nas margens dos mineradores, combinada com o aumento dos custos de energia, pressionou fortemente o caixa da companhia. Ao mesmo tempo, a suspensão dos saques minou a confiança dos usuários e marcou o início da deterioração operacional da Poolin.

Capítulo 11 amplia alerta sobre mineração

O procedimento sob o Capítulo 11 concede tempo para a empresa reorganizar passivos e tentar manter operações correntes. Ainda assim, a recuperação efetiva dos valores devidos aos clientes depende de uma tramitação judicial cercada por incerteza. Portanto, o avanço da reestruturação definirá o alcance real das perdas.

O caso também reforça alertas sobre sustentabilidade financeira no setor de mineração de Bitcoin. Afinal, a falência de um antigo líder mostra como a volatilidade das criptomoedas e o custo operacional elevado pressionam até empresas que já dominaram o setor em escala global.

Nos últimos anos, a perda de atratividade econômica da mineração digital levou várias companhias a buscar alternativas em computação de alto desempenho. A estratégia tenta preservar receitas e melhorar a rentabilidade. No caso da Poolin, porém, o desfecho imediato depende da reestruturação judicial e da venda dos dois centros de dados no Texas.

Em suma, o processo reúne passivos de US$ 173,1 milhões, incluindo US$ 163,7 milhões em notas promissórias ligadas à Poolin Wallet. Por conseguinte, a possível venda de ativos com lances iniciais de US$ 52 milhões será decisiva para credores e para o futuro da Poolin sob o Capítulo 11.