Por que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos desejam uma moeda digital comum?

Tal experimento com a criação de uma moeda digital única entre os estados seria o primeiro no mundo

O Banco Central da Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua decisão de criar uma moeda digital que também pode ser usada entre os bancos envolvidos por meio de uma única rede de liquidação e pagamento transfronteiriço. Os especialistas compartilharam suas opiniões sobre por que Riade e Abu Dhabi decidiram unir forças no desenvolvimento da economia digital e quais seriam os benefícios econômicos do lançamento de uma moeda digital única.

Em comunicado conjunto, os dois bancos centrais afirmaram que o sistema vai ajudar a dotar as estruturas das oportunidades necessárias para o desenvolvimento dos sistemas de pagamentos a nível local e internacional.

Outros estados e organizações internacionais teriam a oportunidade de aderir ao projeto. As partes manifestaram a esperança de que uma moeda digital comum se torne a base para o desenvolvimento da economia digital internacional. Por enquanto, a moeda digital só será usada por dois bancos centrais e pelos bancos comerciais que já anunciaram sua disposição de receber criptomoedas como unidade de conta para transações: sejam transferências locais ou transações entre os dois estados.

Moeda digital e perspectivas

O especialista dos Emirados em mercados monetários globais, Nizar al-Aridy, vê essa etapa como uma excelente oportunidade para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos diversificarem suas economias nacionais nos próximos 10 anos.

“A moeda digital única entre os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita é um passo qualitativamente novo nas relações estratégicas entre os dois países. É importante entender que estrategicamente é incrivelmente lucrativo, justamente porque a esfera é extremamente promissora e ninguém ainda criou moedas digitais oficiais “, disse, acrescentando que a moeda digital provavelmente terá um papel crucial no futuro para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial (IA).

“Ou seja, a economia digital vai se abastecer e trazer lucro. Além disso, a modernização da economia e a introdução dos sistemas digitais vão atrair um grande fluxo de investimentos”, acrescentou al-Aridy.

Segundo ele, o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial e da economia digital inextricavelmente interligados não só contribuirá para a diversificação das economias nacionais das duas monarquias do Golfo, como também dará um sério impulso ao seu crescimento.

Cooperação de sucesso

Por sua vez, o economista dos Emirados Najib Abdallah acredita que a existência de uma moeda digital comum fortalecerá a parceria estratégica entre os dois países: é muito mais fácil para dois países ricos da região trabalhar e enfrentar as crises juntos do que tentar sozinhos.

“A economia da Arábia Saudita é a maior do mundo árabe em termos de PIB. Ao mesmo tempo, a economia dos Emirados Árabes Unidos é a segunda economia árabe com base no mesmo indicador. A proximidade geográfica, o comércio e as relações econômicas altamente desenvolvidas tornam a coordenação dos dois países na economia digital extremamente exitosa ”, afirmou.

Falando sobre os benefícios esperados, o especialista acrescentou:

“Ter uma moeda digital comum só vai favorecer o setor privado. Espera-se que esse movimento maximize o volume das trocas comerciais entre os países. E, creio, muitos vizinhos da região, como outros países, vão querer aderir a este sistema ”.

Soluções sobre como usar, implementar e gerenciar a moeda digital no âmbito do projeto Emirados-Sauditas foram trabalhadas ao longo deste ano. Prevê-se que a implementação do projeto de criação de uma moeda digital única e as transações monetárias no seu âmbito se processem em várias fases e demorem vários anos. Vários bancos comerciais participarão do projeto, incluindo o Al-Rajhi Bank, o Al-Inma Bank e o Riyadh Bank, o First Abu Dhabi Bank, o Emirates NBD e o Dubai Islamic Bank, entre outros.

Fonte: Sputnik News

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Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader aposentado. Segue firme como entusiasta do Bitcoin e inimigo declarado das pirâmides financeiras.