Produção de petróleo do Iraque cai 67% na guerra
A produção de petróleo do Iraque despencou em abril de 2026 em meio ao conflito regional entre Estados Unidos, Israel e Irã. Dados citados sobre o período indicam que o país produziu, em média, apenas 1,389 milhão de barris por dia.
Nos três meses anteriores ao agravamento da crise, no fim de fevereiro, o volume superava 4,1 milhões de barris por dia. Assim, a diferença representa uma perda de cerca de 2,7 milhões de barris diários.
Esse recuo configura um dos maiores choques de oferta ligados a um único país nas últimas décadas. Além disso, a queda ocorre enquanto o Iraque busca rotas alternativas para escoar sua produção.
Ao mesmo tempo, o tema ganhou força entre investidores que acompanham contratos ligados ao preço do barril. O movimento também interessa a agentes expostos a energia, inflação, risco geopolítico e mercado cripto.
Mercados de previsões ajustam apostas para o barril
Os dados do Iraque também repercutiram nos mercados de previsões sobre o petróleo bruto. O contrato com vencimento em 30 de setembro, que mede a chance de o petróleo atingir uma nova máxima histórica, marcava 26,5% no lado positivo.
Um dia antes, esse nível estava em 24%. Sete dias antes, porém, o mesmo contrato havia alcançado 36%.
Nos vencimentos mais longos, a precificação mostrava mais força. O contrato de 31 de dezembro estava em 34,5%, enquanto o de 30 de junho marcava 7,5%.
Dessa forma, a estrutura indica que o mercado vê baixa probabilidade de recorde no curtíssimo prazo. Ainda assim, os contratos mantêm espaço para um choque de oferta mais relevante nos próximos meses.
Em outras palavras, a inclinação entre junho e setembro sugere uma janela de pressão mais intensa no terceiro trimestre de 2026. No entanto, o comportamento recente do Brent reduziu parte dessas apostas.
O barril chegou a cair 4,4%, para perto de US$ 99, em 24 de maio. Por isso, os contratos mais próximos perderam força, mesmo diante da magnitude da queda na produção iraquiana.
Brent fraco limita reação nos contratos curtos
Na leitura de mercado, a interrupção da oferta do Iraque favorece sobretudo os contratos com vencimento entre setembro e dezembro. Isso ocorre porque um corte tão expressivo tende a reforçar cenários de escassez global mais à frente.
Portanto, os participantes atribuem maior sensibilidade a esses prazos intermediários. Por outro lado, a fraqueza recente do Brent mostra que parte dos agentes ainda considera fatores capazes de compensar o choque.
Entre eles, estão as preocupações com a demanda global e a possibilidade de algum alívio diplomático no conflito. Assim, a reação dos contratos de curto prazo segue contida.
Além disso, a máxima histórica do petróleo permanece bem acima dos preços à vista atuais. Logo, para que os contratos atrelados a um novo recorde fechem no lado positivo, o mercado internacional ainda precisaria registrar uma alta muito mais intensa.
OPEP, EIA e guerra no Oriente Médio entram no foco
O cenário agora depende de confirmações oficiais e de novos sinais sobre a evolução da guerra. Declarações públicas do secretário-geral da OPEP, Haitham Al Ghais, e do ministro da Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman Al Saud, podem influenciar as expectativas dos investidores.
Ademais, o mercado monitora eventuais confirmações do Ministério do Petróleo do Iraque e da OPEP+ sobre os números de produção. Os investidores também acompanham possíveis acordos para novas rotas de exportação.
Outro fator relevante envolve a chance de cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã. Se isso ocorrer, investidores podem reavaliar rapidamente para baixo os contratos ligados a novas máximas do petróleo.
Em contrapartida, caso o conflito se prolongue, a perda de oferta do Iraque tende a continuar no centro das projeções. A próxima divulgação de estoques e produção pela EIA deve funcionar como um dos principais termômetros para os preços.
Como resultado, o mercado segue dividido entre o peso de uma perda de cerca de 2,7 milhões de barris por dia no Iraque e a fraqueza recente do Brent. Ainda assim, os contratos de setembro e dezembro continuam refletindo maior sensibilidade a um possível choque de oferta do que os vencimentos imediatos.