Pump.fun: estudo questiona lucros do copy trading
Operadores que copiam carteiras na Pump.fun podem seguir endereços com lucros milionários que não são reproduzíveis. Uma investigação da Bitquery identificou uma diferença entre os ganhos exibidos e as operações disponíveis aos seguidores. Na prática, algumas carteiras lucraram sem registrar uma compra de mercado que pudesse gerar um sinal copiável. Por isso, os rankings de rentabilidade podem não refletir o retorno acessível a outros investidores.
O levantamento, publicado em 22 de outubro de 2026, analisou 3.170 posições com lucro declarado de pelo menos US$ 100 mil. Ao todo, as posições somaram US$ 752,5 milhões em ganhos reportados entre outubro de 2025 e agosto de 2026. No entanto, apenas 26% desse valor cumpriu os critérios da investigação da Bitquery para negociações convencionais de mercado.
Ganhos podem não produzir sinais de compra
Segundo o estudo, 51% dos ganhos envolveram carteiras que venderam tokens recebidos de outros endereços. Outros 13% apresentaram padrões de negociação possivelmente coordenada. Enquanto isso, a equipe não conseguiu classificar de forma conclusiva 10% das posições. Já as negociações convencionais representaram pouco mais de um quarto do valor analisado.
Plataformas de copy trading usam compras visíveis para abrir posições automaticamente. Contudo, uma carteira que recebe tokens por transferência pode registrar lucro elevado sem comprar no mercado. Nesse caso, os seguidores não recebem o sinal necessário para entrar pelo mesmo preço. Portanto, o ganho exibido não representa necessariamente uma operação que terceiros conseguiriam executar.
A prática ganhou força durante o período analisado. Em agosto, vendas de tokens transferidos responderam por sete em cada dez grandes ganhos registrados por carteiras. Até julho, esses eventos permaneciam abaixo de 100 casos mensais.
Transferências ligadas a criadores afetam resultados
A Bitquery identificou 1.579 posições lucrativas nas quais a maior parte dos tokens vendidos chegou por transferências. Desse total, a equipe rastreou 1.104 posições até endereços ligados aos criadores dos tokens. Em muitos casos, as conexões ocorreram diretamente ou por carteiras intermediárias. Assim, diferentes endereços podiam apresentar lucros sem registrar os custos iniciais de aquisição.
Em geral, ferramentas de monitoramento calculam a rentabilidade ao subtrair as compras registradas das vendas. Uma carteira receptora pode, então, mostrar um ganho elevado sem apresentar qualquer custo de aquisição. Por exemplo, um investidor pode comprar em uma carteira e transferir os tokens para outra antes da venda. Nesse cenário, o segundo endereço concentra o lucro, embora o retorno real dependa do valor pago inicialmente.
No caso do UOTF, quatro carteiras temporárias receberam quase oito milhões de unidades cada. Depois, elas enviaram os tokens a endereços vendedores durante uma operação coordenada. Como resultado, um dos destinatários vendeu suas posições por US$ 1,59 milhão sem registrar uma compra correspondente no mercado.

Fonte: Bitquery.
Essas transações podem fazer distribuições concentradas parecerem operações lucrativas de várias carteiras independentes. Ainda assim, investidores legítimos também podem transferir recursos entre endereços próprios. Logo, a ausência de uma compra registrada não comprova manipulação por si só.
Copy trading enfrenta teste de rentabilidade
Entre os 25 maiores ganhos declarados, 15 cumpriram os critérios da Bitquery para ciclos de wash trading. Nesses casos, compras concentradas coincidiram com vínculos financeiros diretos entre carteiras. Ao mesmo tempo, os endereços envolvidos registraram grandes diferenças entre os valores de compra e venda. Dessa forma, investidores externos dificilmente encontrariam as mesmas condições de entrada.
Em Arena, por exemplo, uma carteira gastou US$ 4.223 antes de registrar cerca de US$ 4,92 milhões em vendas. Durante o período de retenção, outra carteira respondeu por 99% das compras. A carteira vendedora havia transferido mais de US$ 1,4 milhão em SOL ao comprador nos dois dias anteriores. Assim, o padrão levantou dúvidas sobre a possibilidade de terceiros reproduzirem o retorno.
A análise também aumenta o escrutínio sobre plataformas como a GMGN. Por sua vez, a documentação da GMGN exibe alertas como "Não comprou" e "Vendeu mais do que comprou". Contudo, esses avisos não indicam se os seguidores conseguiriam alcançar os lucros apresentados nos rankings.
Taxas e execução reduzem os retornos
O sistema da GMGN inicia compras com base nas aquisições realizadas pela carteira monitorada. Porém, a venda proporcional considera apenas os tokens comprados pelo próprio serviço. Portanto, transferências recebidas não fornecem uma compra de mercado que o sistema possa replicar.
Mesmo compras convencionais enfrentam filtros de liquidez, capitalização e tamanho da transação. Além disso, a plataforma cobra uma taxa de processamento de 1% por operação. Custos de rede, prioridade, slippage e atrasos de execução também podem reduzir os resultados. Consequentemente, o desempenho dos seguidores pode ficar abaixo daquele exibido pela carteira original.
Apesar disso, o estudo encontrou atividade lucrativa considerada genuína. Uma posição em SOULGUY rendeu US$ 3,3 milhões ao longo de 3.632 operações. No entanto, seguidores precisariam executar muitas transações a preços competitivos para repetir o desempenho. Para tanto, cada ordem dependeria de liquidez e velocidade de execução adequadas.
Até agora, a investigação não mediu a diferença exata entre o lucro exibido e o retorno executável. A Bitquery também não analisou o desempenho real dos usuários de copy trading. Do mesmo modo, a documentação da GMGN não informa se os rankings descontam inventários recebidos por transferência. Por fim, 2.943 posições vencedoras de seis dígitos foram encerradas após agosto e ficaram fora da análise de transferências.
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