Queda de hashrate do Bitcoin após frio extremo nos EUA
O Bitcoin segue pressionado abaixo de US$ 88.000 enquanto o mercado reage à queda abrupta do hashrate. O movimento ocorre após a recente liquidação que levou o ativo a uma zona sensível de suporte, intensificando o sentimento de cautela. Além disso, novos dados on-chain apontam mudanças importantes na atividade da rede, ampliando a atenção dos investidores.
O hashrate mede a força computacional total dedicada à segurança do Bitcoin. Normalmente, quedas acentuadas sugerem desligamento de equipamentos devido à baixa rentabilidade, cenário ligado a capitulações. No entanto, o comportamento atual apresenta outra explicação e desperta preocupação devido à velocidade da queda.
Em apenas dois dias, o hashrate recuou de 1.133 ZH/s para 690 EH/s. A intensidade surpreendeu analistas e levou Darkfost a destacar que o movimento foge do padrão de estresse econômico. Ele aponta fatores externos que afetaram diretamente grandes operações de mineração.

Fonte: CryptoQuant
Frio extremo nos EUA provoca desligamento de mineradoras
A forte redução no hashrate está relacionada à onda de frio que atinge os Estados Unidos. O país responde por quase um terço da capacidade global de mineração, e a tempestade de gelo levou ao desligamento temporário de milhares de máquinas ASIC. Assim, grandes instalações industriais precisaram interromper parte das operações.
O Texas foi um dos estados mais afetados. Empresas como MARA e Foundry Digital reduziram sua capacidade devido à pressão sobre a rede elétrica. Segundo Darkfost, a MARA viu seu hashrate cair para cerca de um quarto de sua média mensal, sinalizando o impacto mais severo da onda de frio.
A demanda elevada por energia levou operadores da rede a priorizar serviços essenciais. Portanto, mineradoras enfrentaram interrupções e custos temporariamente inviáveis, já que picos no preço da eletricidade tornam algumas operações insustentáveis. Além disso, a queda na produção de blocos gera reflexos imediatos no funcionamento da rede.
Com o ritmo reduzido de mineração, o tempo de confirmação das transações tende a aumentar. Um ajuste negativo de dificuldade de aproximadamente 4,5 por cento já é esperado. Caso o clima continue adverso, alguns mineradores podem precisar vender parte de suas reservas para arcar com custos fixos, o que acrescenta pressão ao mercado.
Cenário técnico reforça fragilidade no médio prazo
No gráfico de três dias, o Bitcoin opera perto de US$ 87.850. A região tornou-se decisiva após meses de correção contínua. O ativo perdeu força desde o topo próximo de US$ 125.000 no fim de 2025, e as recentes tentativas de recuperação mostram menor intensidade.

Fonte: TradingView
Médias móveis mostram enfraquecimento. O preço permanece abaixo da média de 50 períodos, que virou resistência. A média de 100 períodos começa a apontar para baixo e indica perda de força no médio prazo. A média de 200 períodos segue positiva, mas ainda distante do preço.
O mercado exibe compressão e baixo volume, sugerindo consolidação. Para recuperar fôlego, o ativo precisaria retomar a faixa entre US$ 90.000 e US$ 92.000. Caso contrário, cresce o risco de retorno aos níveis próximos de US$ 80.000.
A queda do hashrate causada pela tempestade nos EUA amplia a tensão no curto prazo. Portanto, o impacto sobre blocos, dificuldade e operações de mineradores reforça o ambiente sensível enquanto o preço permanece preso a uma região crítica.