Queda do USDT reacende alerta de liquidez no mercado
USDT voltou a oscilar nesta semana ao atingir cerca de US$0,9980, seu nível mais fraco em mais de cinco anos. A variação elevou o alerta sobre riscos de liquidez no mercado cripto, que depende amplamente do desempenho do maior stablecoin em volume e uso global.
A pressão ocorreu em um momento de maior sensibilidade. O Bitcoin recuou logo após o descolamento do USDT, mostrando como pequenas tensões no principal stablecoin ainda influenciam movimentos rápidos em outros ativos. Além disso, o episódio reacendeu discussões antigas sobre a dependência estrutural do setor em relação ao token da Tether.
Segundo dados do quarto trimestre de 2025, o USDT concentra 68,4% dos usuários ativos mensais de stablecoins. Assim, desvios mínimos no lastro costumam repercutir de forma acelerada em diversos mercados, criando ondas de preocupação. No entanto, esse comportamento também expõe o quanto a liquidez global do segmento continua concentrada.
Um alerta recente publicado nas redes sociais ampliou o temor ao sugerir que novos episódios de descolamento podem gerar turbulência mais intensa. A mensagem viralizou e recolocou o USDT no centro das atenções, sobretudo entre traders que observam sinais precoces de instabilidade.
Liquidez do USDT e efeitos sobre o mercado
Além do impacto imediato nos preços, o caso reforçou uma tese discutida entre analistas e pesquisadores. O estudo sugere que a trajetória de longo prazo do Bitcoin estaria mais ligada à liquidez derivada do USDT do que à dinâmica clássica de oferta e demanda. Portanto, mudanças no comportamento do stablecoin poderiam antecipar fases de topos, fundos e consolidações.
O pesquisador independente Deso destacou alinhamentos recorrentes entre pressões no lastro do USDT e mudanças de ciclo do Bitcoin. Como exemplo, ele citou março de 2024, quando um breve descolamento do stablecoin foi seguido por meses de lateralização do Bitcoin, mesmo com narrativas otimistas ganhando força na época.

Como a liquidez influencia tendências do Bitcoin
De acordo com essa tese, o salto do Bitcoin a partir da região de US$16.000 ocorreu sobretudo pela expansão de liquidez, e não por demanda orgânica. Assim, críticas sobre a influência das stablecoins ganharam nova força, especialmente entre analistas que defendem que emissões e fluxos desses ativos moldam preços de forma mais intensa do que o mercado costuma admitir.
Deso argumenta que qualquer manipulação ou influência fora da lógica tradicional deveria ser visível nos gráficos, algo que ele afirma perceber ao longo de diversos ciclos. Além disso, o pesquisador diz que atualiza suas projeções à medida que novos dados surgem, o que reforçaria sua confiança no modelo.
No entanto, analistas do setor afirmam que o episódio mais recente não indica risco sistêmico. A Tether reiterou que o USDT possui lastro integral composto por títulos do Tesouro dos EUA e outros ativos líquidos. A empresa também reforça que sua operação segue entre as mais lucrativas do mercado cripto.
Mesmo assim, a falta de transparência total sobre as reservas ainda causa cautela entre investidores. Assim, qualquer oscilação alimenta debates intensos e pressiona o sentimento geral do mercado.
Traders experientes lembram que quedas pontuais no lastro do USDT já ocorreram diversas vezes sem provocar colapsos mais amplos. No entanto, os episódios sempre despertam preocupação imediata, pois o token exerce papel central na liquidez global.
Assim, a oscilação recente gerou resposta rápida no Bitcoin e reacendeu discussões sobre o peso da liquidez nas tendências do setor. Investidores agora observam de perto qualquer novo sinal de instabilidade no stablecoin mais utilizado do mundo.