RateFi permite uso de cripto na comprovação de renda

A adoção de cripto no mercado imobiliário ganhou força com o lançamento do RateFi, solução da empresa de crédito Rate, sediada em Chicago. A plataforma permite que tomadores de empréstimo utilizem ativos digitais verificados como parte do cálculo de renda e reservas financeiras, sem exigir a venda antecipada desses ativos.

Essa mudança busca reduzir barreiras enfrentadas por investidores que sempre tiveram dificuldade para transformar patrimônio digital em elegibilidade para financiamento. Muitos precisavam liquidar ativos, o que gerava impacto fiscal. Além disso, bancos tradicionais ofereciam apenas modelos inflexíveis com garantia em cripto. Agora, o RateFi oferece um processo mais alinhado ao cenário financeiro atual.

Mesmo com o avanço, o programa segue limites claros. A plataforma opera dentro das diretrizes de financiamentos non-QM. Isso significa que a comprovação de renda pode incluir ativos digitais, porém valores usados na entrada ou nos custos de fechamento devem ser convertidos em dinheiro. A iniciativa mantém rigorosas normas de conformidade, com verificação de identidade e rastreamento das transações para prevenção de lavagem de dinheiro.

Cripto amplia acesso ao financiamento imobiliário

Segundo a Rate, mais de dez por cento dos norte-americanos possuem ativos digitais, muitos com valores relevantes. No entanto, esse patrimônio continua ausente das análises de crédito tradicionais. Assim, investidores jovens encontram obstáculos para obter aprovação em financiamentos, mesmo possuindo carteiras expressivas.

A taxa de propriedade de imóveis entre pessoas com menos de 35 anos está em queda histórica. Ao mesmo tempo, a adoção de cripto cresce rapidamente nesse grupo, que concentra parte considerável de sua riqueza em ativos digitais. Essa desconexão entre comportamento financeiro moderno e modelos tradicionais de crédito dificulta o acesso à casa própria.

Kate Amor, vice-presidente executiva da Rate, afirmou que os ativos digitais já fazem parte da vida financeira de milhões de cidadãos. Além disso, destacou que o setor imobiliário precisa reconhecer essa realidade para acompanhar as transformações do mercado.

Sinais regulatórios impulsionam o uso de cripto

A criação do RateFi ocorre enquanto autoridades federais dos Estados Unidos ampliam o reconhecimento de ativos digitais. A senadora Cynthia Lummis apresentou o 21st Century Mortgage Act, que determina que agências como Fannie Mae e Freddie Mac considerem cripto na avaliação financeira de financiamentos residenciais. Esse movimento acompanha discussões da Federal Housing Finance Agency sobre o uso desses ativos como reservas nos processos de análise.

Assim, o ambiente regulatório mais favorável fortalece a adoção de plataformas como o RateFi. O reconhecimento institucional dos ativos digitais reduz a distância entre investidores e o sistema financeiro tradicional.

Portanto, o RateFi marca um avanço relevante para quem deseja utilizar patrimônio digital como parte da análise de crédito. A possibilidade de incluir ativos verificados na comprovação de renda oferece um caminho mais realista para jovens compradores. No entanto, a conversão para dinheiro nas etapas de entrada continua obrigatória, preservando regras já estabelecidas pelo setor.