Ray Dalio mantém 1% da carteira em Bitcoin
O bilionário Ray Dalio afirmou que ainda mantém Bitcoin em sua carteira, mas com uma exposição bastante limitada. Segundo o fundador da Bridgewater Associates, a criptomoeda representa apenas 1% de seu portfólio. Ao mesmo tempo, sua preferência pessoal continua sendo o ouro.
As declarações ocorreram durante participação no podcast Diary of a CEO, em episódio exibido na quinta-feira. Na entrevista, Dalio disse que existem diferentes tipos de dinheiro. Além disso, reconheceu que o Bitcoin se enquadra nessa categoria. Ainda assim, reforçou que vê o metal precioso como uma alternativa superior de investimento.
Dalio reconhece função monetária, mas vê riscos
Ao comentar sua visão sobre reserva de valor, Ray Dalio destacou que o Bitcoin tem uma característica importante. Para ele, o ativo não pode ser emitido livremente como moedas fiduciárias. No entanto, o investidor argumentou que a criptomoeda enfrenta riscos estruturais e regulatórios. Por isso, considera o ouro mais atraente em sua estratégia de alocação.
“[Bitcoin] é um tipo de dinheiro que não pode ser impresso, mas há tecnologias que podem prejudicá-lo. Em outras palavras, se houver computação quântica”, afirmou.
Além disso, Dalio mencionou a possibilidade de monitoramento estatal e de incidência de impostos sobre o uso ou a posse do ativo. Nesse sentido, acrescentou que moedas digitais têm semelhanças importantes, sobretudo quanto à rastreabilidade e ao alcance dos governos sobre transações e patrimônio.
Na entrevista, o investidor foi direto ao explicar o tamanho de sua exposição. Segundo ele, o Bitcoin responde por apenas 1% de sua carteira. Em seguida, apontou que prefere manter posição em ouro físico, indicando barras de ouro enquanto comparava os dois ativos.
Ceticismo do fundador da Bridgewater já era conhecido
Essa não é a primeira vez que Ray Dalio expõe publicamente seu ceticismo em relação ao Bitcoin. Ao longo dos últimos anos, o investidor saiu de uma postura de rejeição à criptomoeda para uma admissão mais moderada. Ainda assim, o espaço do ativo em sua carteira segue reduzido.
No ano passado, ele já havia reconhecido que o Bitcoin correspondia a apenas 1% de seus investimentos. Anteriormente, em 2020, Dalio afirmou que a criptomoeda era volátil demais para funcionar como dinheiro no dia a dia. Ao mesmo tempo, defendia que todos deveriam manter alguma parcela em ouro no portfólio.
Outro ponto levantado por Dalio foi o risco de ação governamental mais dura contra o Bitcoin. Na avaliação dele, se governos decidirem que não querem o ativo, possuem poder suficiente para impor restrições relevantes. Ele também afirmou que bancos centrais não devem manter quantias significativas de Bitcoin. Segundo Dalio, essas instituições querem preservar a privacidade e o controle de suas próprias transações.
“Quando os governos dizem que não o querem, eles têm o poder de fazer o que quiserem com isso, e os bancos centrais não possuirão qualquer quantia significativa por causa do que eu disse: eles querem que suas transações sejam privadas e estejam sob seu controle”, declarou.
Adoção institucional contrasta com cautela
Embora Ray Dalio mantenha uma abordagem cautelosa, o Bitcoin ganhou aceitação entre investidores tradicionais e nomes de peso de Wall Street nos últimos anos. Assim, o movimento incluiu gestoras e executivos que passaram a tratar o ativo como uma classe legítima dentro do sistema financeiro global.
Entre os exemplos citados está a BlackRock, maior gestora de ativos do mundo. O CEO da companhia, Larry Fink, classificou o Bitcoin nos últimos anos como um ativo internacional e também como uma forma de digitalizar o ouro. Dessa forma, a comparação reforça o contraste entre a leitura mais conservadora de Dalio e a visão de parte do mercado institucional.
Além disso, uma parcela crescente do setor passou a enxergar a criptomoeda como instrumento de diversificação e reserva de valor em formato digital. Mesmo assim, a fala de Dalio mostra que sua avaliação permanece praticamente inalterada em um ponto central. O Bitcoin pode ter algum papel em portfólios, mas esse papel segue pequeno diante do espaço que ele reserva ao ouro.
Exposição de 1% resume a estratégia do investidor
Na prática, o investidor continua reconhecendo o ativo como um tipo de dinheiro que não pode ser impresso. Contudo, ele pondera riscos ligados à computação quântica, à supervisão governamental, à tributação e à baixa probabilidade de adoção relevante por bancos centrais.
No balanço de Dalio, a presença do Bitcoin na carteira funciona mais como uma alocação marginal do que como uma aposta central. Ao repetir que o ativo representa só 1% de seu portfólio e que prefere barras de ouro, ele retomou argumentos já conhecidos. Entre eles estão a preocupação com volatilidade, fiscalização estatal e controle governamental. Ainda assim, reconheceu que a criptomoeda segue presente, mesmo de forma limitada, em sua estratégia.