Rede russa usa cripto para driblar sanções, diz Elliptic

A Elliptic revelou uma ampla rede de plataformas de cripto ligadas à Rússia que facilita movimentações financeiras fora do alcance das sanções ocidentais. O relatório indica que cinco exchanges seguem ativas com volumes elevados, mesmo sem supervisão do sistema bancário tradicional. Além disso, essas operações mantêm rotas funcionais para usuários que buscam contornar restrições impostas após o agravamento das tensões geopolíticas.

As conclusões surgem enquanto autoridades europeias discutem novas ações, incluindo um possível bloqueio total das transações envolvendo a Rússia. No entanto, especialistas alertam que serviços emergentes podem substituir plataformas já sancionadas, ampliando a dificuldade de rastreamento.

Brechas operacionais e conexões entre exchanges russas

Entre as exchanges avaliadas, apenas a Bitpapa está formalmente sob sanções dos EUA. O OFAC a designou em março de 2024 por suposta facilitação de evasão de medidas restritivas. Segundo a análise, cerca de 9,7% das transações de saída da Bitpapa envolvem entidades bloqueadas, além do uso recorrente de endereços alternados para dificultar auditorias.

A ABCeX também chamou atenção no relatório. A plataforma opera na Federation Tower, em Moscou, local onde funcionava a Garantex antes da apreensão de sua infraestrutura por autoridades americanas, em março de 2025. A Elliptic estima que a ABCeX movimentou ao menos US$ 11 bilhões em cripto, com valores expressivos enviados para a própria Garantex e para a Aifory Pro.

A Exmo afirmou que deixou o mercado russo após a invasão da Ucrânia em 2022, transferindo operações locais para a entidade Exmo.me. No entanto, a Elliptic identificou que ambas ainda compartilham infraestrutura de custódia e carteiras quentes. Assim, mais de US$ 19,5 milhões teriam circulado entre a Exmo e exchanges sancionadas como Garantex, Grinex e Chatex.

A Rapira também foi destacada. Embora registrada na Geórgia, a empresa mantém escritório em Moscou e teria enviado mais de US$ 72 milhões diretamente à Grinex. Além disso, autoridades russas teriam feito uma operação na empresa no fim de 2025 por suspeitas de transferências de capital para Dubai.

A Aifory Pro atua com serviços de conversão de dinheiro em cripto em Moscou, Dubai e Turquia. A empresa oferece cartões virtuais financiados com USDT, permitindo que usuários russos acessem serviços bloqueados por fornecedores ocidentais. A Elliptic rastreou quase US$ 2 milhões enviados pela Aifory Pro para a exchange iraniana Abantether.

Sanções elevam migração para novos intermediários

Pesquisadores afirmam que a repressão oficial tende a deslocar as operações para outros serviços, em vez de eliminá-las. Após o fechamento da Garantex, o volume de transações aumentou de forma acentuada em outras exchanges, segundo dados de empresas de análise em blockchain.

A Chainalysis estimou US$ 154 bilhões movimentados por endereços ilícitos em 2025. Paralelamente, a TRM Labs chegou a números próximos de US$ 158 bilhões. Além disso, o mercado de mineração na Rússia continuou aquecido em 2024, com BitRiver e Intelion registrando US$ 200 milhões em receita e dominando mais da metade do setor legal.

Assim, os dados indicam que bloqueios e apreensões ainda não reduzem o fluxo total. Em vez disso, a atividade migra para intermediários alternativos, mantendo conexões entre plataformas russas e entidades sancionadas. Portanto, o relatório reforça a persistência desse ecossistema, impulsionado por transações expressivas e relações operacionais contínuas.