Relógios de luxo sobem enquanto Bitcoin recua

O mercado de relógios de luxo mostra nova força em 2025. O Bitcoin enfrenta um ciclo de queda, mas os preços desses ativos físicos raros avançam no mercado secundário. Além disso, a diferença entre o desempenho dos relógios e dos criptoativos ficou mais evidente nos últimos meses.

Dados recentes da WatchCharts apontam que relógios premium registraram valorização média de quase 4% nos últimos seis meses. No entanto, o Bitcoin acumulou perdas próximas de 25% no mesmo período. O índice CoinDesk 20 recuou mais de 30%. Assim, a correlação observada entre esses segmentos durante a pandemia não se mantém em 2025.

Divergência entre ativos físicos e digitais aumenta

O índice que monitora milhares de modelos de relógios premium iniciou uma fase consistente de recuperação. Essa alta ocorre após quase dois anos de queda contínua, reflexo da demanda inflada durante a pandemia e da posterior correção do setor. Agora, conforme levantamento da WatchCharts, o mercado parece ter entrado em uma fase de estabilização.

Um relatório conjunto de Morgan Stanley e WatchCharts destaca que o excesso de estoque, que pressionou os preços, diminuiu. Além disso, o volume de vendas forçadas reduziu, o que fortaleceu a resistência a novos cortes. Portanto, vendedores passaram a segurar valores, criando ambiente mais estável no mercado secundário.

Os preços no varejo também influenciaram essa recuperação. Segundo o relatório, o valor de venda direta ao consumidor subiu cerca de 7% globalmente desde o início de 2025. Com isso, formou-se um piso mais firme para a revenda de modelos valorizados. Além disso, mesmo com fluxo menor de negociações, esse suporte ajudou na retomada dos preços.

A força das marcas mais prestigiadas

A recuperação no mercado secundário ocorre de modo desigual. Morgan Stanley observou que as marcas mais consolidadas concentram os maiores ganhos. No entanto, fabricantes com menor reputação seguem com descontos expressivos.

Os canais de revenda controlados também ganharam destaque. Programas de produtos certificados usados trouxeram mais padrão e segurança às transações. Como resultado, oscilações bruscas diminuíram, algo que reduz a volatilidade que marcou a fase de forte queda no setor.

Essa tendência contrasta com o comportamento do mercado de cripto. Durante a pandemia, relógios e ativos digitais subiram juntos. Porém, a partir de 2024, o Bitcoin ganhou força impulsionado pela expectativa dos ETFs spot, enquanto os relógios sofriam com o ambiente financeiro mais restrito. Agora, o movimento se inverteu.

No curto prazo, relógios de marcas consolidadas mostram recuperação firme, apoiada pela redução de estoques e pelos ajustes no varejo. Enquanto isso, o Bitcoin passa por correção acentuada. Portanto, a distância entre esses mercados reforça uma fase clara de desacoplamento.