Retrospectiva 2019: Tudo sobre a Unick Forex

A Retrospectiva 2019 relembrou tudo que aconteceu com Unick Forex

O ano está quase acabando e sabemos o quanto 2019 foi difícil para a Unick e seus investidores. Vamos relembrar o famoso caso da Unick Forex, empresa acusada de pirâmide financeira.

A empresa foi declarada irregular pela Comissão de Valores Mobiliários em março de 2018, entretanto, a Unick continuou captando clientes. 

Primeiro trimestre

Mesmo com a proibição da CVM feita em 2018, a empresa continuou atuando. Em 27 de março de 2019, a empresa comunicou a todos através do Facebook, a inauguração do escritório em São Leopoldo. 

No mesmo mês, o site da empresa entrou em manutenção, por uma suposta tentativa de ataque de hackers, de acordo com uma nota de esclarecimento divulgada pela Unick.

Foram noticiados vários casos de um suposto vazamento de dados dos usuários da Unick, através das redes sociais, dados como CPF, login, senha, telefone e até endereço. 

Desde então, iniciaram as reclamações referente a empresa no Reclame Aqui.  

Segundo trimestre

Em abril o diretor de marketing, Danter Silva, esclarece em vídeo o envolvimento com a D9. Danter estava sendo investigado e respondendo por um processo movido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, por suposta relação com ocaso da D9 (empresa acusada por pirâmide financeira). 

Já em junho, a empresa anuncia a troca do nome e do domínio para Unick Academy, com a proposta de promover conhecimento para o maior número de pessoas possível. 

Neste segundo trimestre, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), emitiu outro alerta da atuação irregular da empresa.  

Em contrapartida, a Unick divulgou um vídeo com a participação de Marcos Prata, membro do departamento jurídico para “prestar esclarecimento de forma objetiva, técnica e também clara”. 

“A Unick é uma prestadora de serviços à Golden Stripe Belize, para a qual ela presta um serviço de suporte, para a qual ela presta um serviço de marketing e de apoio.

 

(…) Ela vende informação, ela vende conhecimento, e as pessoas confundem as formas, a estratégia de marketing da empresa com a qual ela tenta atrair clientes e fidelizar os que já existem, com investimento.

 

Então senhores, a Unick (…) trabalha em sua plena normalidade, está tudo bem, não há ato novo, não há fato novo, o que há é um ato reiterado proveniente de questionamentos. Questionamentos equivocados, questionamentos talvez até de má fé, que todos aqui sabemos que trabalhamos com conhecimentos, vendemos um produto digital”, conclui Marcos Prata.

Terceiro trimestre

No início do terceiro trimestre, em julho a empresa enviou uma mensagem aos investidores com orientação sobre os cancelamentos de saques. 

“Olá, família Unick Academy!

Viemos por meio informá-los que todas as solicitações de saque efetuadas até o dia 12/07 através de uma das plataformas de pagamento que utilizamos, que ainda estão em aberto, serão estornadas integralmente. Tendo em vista o grande número de solicitações de estorno junto ao nosso canal de suporte, por motivos de contas, telefones e e-mails hackeados, vimos a necessidade de estornar os poucos pedidos que ainda estão em aberto nesse período. Tomamos essa decisão visando a segurança de todos os nossos clientes. Sendo assim, todos deverão conferir seus acessos e dados cadastrais antes de efetuar novamente sua solicitação de saque.”

As reclamações referentes aos problemas na plataforma da Unick continuaram a crescer, em resposta, a empresa declarou que essas dificuldades são por conta da implementação de uma nova ferramenta na plataforma. 

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que acusou a Unick de atuação irregular, a empresa teria que apresentar sua defesa contra as acusações da CVM. Entretanto, a Unick solicitou um prazo de 45 dias para montar sua defesa, o que foi aceito pela CVM. 

Em agosto, a empresa divulgou um vídeo com Danter Silva, diretor de marketing da empresa, esclarecendo as notícias sobre as supostas “fakes news” da empresa. 

 Danter afirma no vídeo, que a empresa está se reestruturando e passando por reformas e todos aqueles que saíram, vão receber o seu investimento de volta.

“A nossa empresa não parou. Sim. Declaramos isso. Passamos por um processo gigantesco, no ano de 2019 (…) Esperado um crescimento muito grande. Porém, passou das nossas expectativas e sofremos uma espécie de dor de crescimento, como comentamos das últimas vezes, em função das dificuldades que estávamos, não estamos mais, estávamos tendo na solução de pagamentos”, afirma Danter Silva.

Os clientes tiveram dificuldade em acessar o site da empresa e também estavam enfrentando problemas com o saque. 

Em 16 de agosto, a empresa começa a ser taxada como pirâmide financeira, por diversos canais de notícias, inclusive o Estadão

A empresa emite um comunicado referente ao cancelamento do evento que teria em São Paulo, o evento estava sendo criticado pelos clientes que acusavam a empresa de seguir promovendo seus “produtos” sem regularizar os atrasos dos saques. 

Quarto trimestre

Em setembro, a Unick não cumpre as promessas de reembolsos e clientes continuam com as reclamações. A empresa solicita que os clientes assinem um “termo de encerramento de contrato e quitação de valores”. No documento os clientes teriam que aceitar ter recebido os valores devidos pela empresa, mesmo sem ser pagos. 

Em outubro, o tumulto da Unick não parou, em comunicado assinado pelo presidente da Unick, Leidimar Lopes, foi anunciado que os pagamentos atrasados dos investidores sairiam após acordos extrajudiciais. 

No dia 17 de outubro, a Polícia Federal cumpre dez mandados de prisão na sede da Unick em São Leopoldo, Rio Grande do Sul,  referente a Operação Lamanai. 

Cerca de 200 agentes da Polícia Federal, foram cumprir 10 mandados de prisão e 65 ordens de busca e apreensão em Porto Alegre, Canos, São Leopoldo, Caxias do Sul, Curitiba, Bragança Paulista, Palmas e Brasília. 

De acordo com o relatório da Polícia Federal, a Unick chegou a captar R$40 milhões por dia, as investigações tiveram início em janeiro, mas a prisão só foi possível ser realizada em outubro. 

Em nota de esclarecimento divulgada no dia 17 de outubro, a Unick reafirma o seu compromisso com seus clientes e de colaborar com as autoridades. 

 

O inquérito feito pela Polícia Federa (PF) e as denúncias ao Ministério Público Federal, mostram que a Unick movimentou R$ 28 bilhões, segundo a PF, o presidente da Unick, Leidimar Bernardo Lopes, seria o cabeça de toda a organização criminosa

Para finalizar o quarto trimestre, em dezembro, conforme reportou o Jornal NH, a Polícia Federal afirmou que o advogado, Fernando Baum Salomon, seria o sócio oculto da Unick.

Fernando Salomon, teria cedido contas pessoais e de seus escritórios de advocacia para manter valores que teria captado dos clientes da Unick. 

Entretanto, não se sabe quais noticias podemos esperar da Unick em 2020, já que os investidores lesados continuam em busca de reembolso dos valores investidos na empresa.

 

Foto de Mirian Romão
Foto de Mirian Romão O autor:

Graduada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e Pós-Graduada em Comunicação em Redes Sociais.

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