Rigetti Computing e D-Wave Quantum caem em 2026
Após o avanço da inteligência artificial, ações ligadas à computação quântica atraíram atenção como uma possível oportunidade de investimento. O setor, contudo, ainda está em estágio inicial e enfrenta desafios técnicos e comerciais. Nesse cenário, avanços em hardware, correção de erros e aplicações práticas podem ampliar o interesse dos investidores nos próximos 12 meses.
Entre as empresas acompanhadas estão a Rigetti Computing e a D-Wave Quantum. Ambas acumulam fortes quedas nas ações em 2026, apesar dos projetos comerciais e dos planos de expansão tecnológica. Ainda assim, um retorno de dez vezes o capital não está garantido e depende de riscos operacionais relevantes.
Rigetti busca aplicações práticas para seus processadores
A Rigetti desenvolve processadores quânticos supercondutores e sistemas integrados de computação. A empresa busca aplicações que possam aproveitar uma capacidade de processamento superior à dos sistemas convencionais. Entretanto, a ação RGTI enfrentou dificuldades durante o ano.
No momento da publicação, os papéis custavam US$ 11,52 e acumulavam queda de 52% em 2026. Portanto, o desempenho no mercado contrastava com as expectativas sobre o potencial tecnológico do setor. A volatilidade também refletia os custos operacionais e os desafios técnicos da companhia.

Os resultados do segundo trimestre de 2026, divulgados em 6 de agosto, mostraram atividade comercial, embora a receita permanecesse limitada diante dos custos. A Rigetti reportou receita de US$ 5,1 milhões e prejuízo operacional de US$ 28,1 milhões. Além disso, a empresa encerrou junho com US$ 541,3 milhões em caixa, equivalentes de caixa e investimentos disponíveis para venda. Esses recursos podem financiar pesquisa, desenvolvimento e expansão comercial.
Paralelamente, a companhia trabalha com a Hewlett Packard Enterprise e o Pittsburgh Supercomputing Center. O projeto pretende criar um ambiente híbrido de supercomputação quântica e clássica. A Rigetti também busca um possível financiamento de até US$ 100 milhões com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, ao longo de três anos.
Custos e desempenho dos processadores continuam como riscos
O eventual financiamento depende dos termos de uma carta de intenção anunciada anteriormente. No entanto, perdas operacionais, despesas de pesquisa e dificuldades para melhorar os processadores continuam entre os principais riscos. Dessa forma, a evolução técnica será decisiva para sustentar a tese de investimento.
D-Wave amplia reservas de contratos com clientes
A D-Wave Quantum desenvolve sistemas de recozimento quântico voltados a problemas de otimização, logística, cronogramas e alocação de recursos. A utilidade desses sistemas, porém, depende de cada aplicação e da comparação com alternativas convencionais. Enquanto isso, as ações QBTS também enfrentaram forte pressão em 2026.
No momento da publicação, a QBTS custava US$ 11,60 e acumulava queda de 58% no ano. Ainda assim, os resultados do segundo trimestre apontaram forte crescimento nas reservas de clientes, mesmo com receita menor. Esse contraste destacou a volatilidade financeira do negócio.

A D-Wave registrou US$ 35,5 milhões em reservas no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2025, esse montante havia alcançado US$ 2,9 milhões. Ao mesmo tempo, as obrigações de desempenho remanescentes chegaram a US$ 40,7 milhões em 30 de junho. O valor representou crescimento anual de 668%.
Os números indicam que a demanda contratada cresce antes do reconhecimento da receita. Mais da metade da receita semestral veio de clientes comerciais, que também representaram mais de 50% da base de clientes. Por outro lado, a receita do primeiro semestre caiu de US$ 18,1 milhões para US$ 5,9 milhões.
Conversão das reservas será decisiva para a D-Wave
A queda ocorreu parcialmente porque a companhia reconheceu uma venda de sistema de US$ 13,7 milhões em 2025. Assim, a comparação anual evidenciou a volatilidade das receitas. O potencial de recuperação depende da conversão das reservas, da atração de clientes comerciais e da comprovação de aplicações com boa relação entre custo e benefício.
Novos contratos e resultados financeiros mais fortes podem melhorar o sentimento dos investidores. Em contrapartida, receitas inconsistentes, custos crescentes e adoção abaixo do esperado permanecem como riscos centrais. Reservas elevadas, isoladamente, não garantem a valorização das ações. Consequentemente, um retorno de dez vezes o capital continua sujeito a elevada incerteza.
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