Riot vende bilhões em BTC para ampliar foco em IA

A mineradora Riot Platforms, que recentemente revelou dados de produção atualizados, movimentou o mercado ao vender 2.201 BTC entre novembro e dezembro. Essa venda gerou quase US$ 200 milhões em receita líquida. A operação ganhou atenção por envolver Bitcoin e por reforçar a mudança estratégica da companhia com sede no Colorado, EUA.

A empresa encerrou 2025 com 18.005 BTC em caixa, avaliados em cerca de US$ 1,65 bilhão. Apesar disso, o volume representa queda relevante em relação ao saldo de outubro, quando a mineradora mantinha 19.324 BTC. Além disso, o crescimento anual foi considerado discreto. Ainda assim, a Riot segue entre as maiores detentoras corporativas de BTC no mundo.

Estratégia financeira da Riot e impacto no mercado

O movimento surpreendeu analistas, pois a empresa não vendeu nenhum BTC em 2024. Pelo contrário, naquele ano ampliou suas reservas ao comprar mais de meio bilhão de dólares em Bitcoin. No entanto, a mudança recente está alinhada ao novo posicionamento da mineradora, que agora direciona esforços para o setor de inteligência artificial.

Matthew Sigel, chefe de ativos digitais da VanEck, afirmou que o valor arrecadado com as vendas equivale ao montante necessário para construir a primeira fase do novo complexo de data centers da Riot. O projeto, localizado em Corsicana, Texas, deve operar com capacidade de 112 MW. A conclusão está prevista para o primeiro trimestre de 2027, e o complexo é considerado peça-chave na expansão da empresa para infraestrutura de IA.

“Isso equivale aproximadamente todo o investimento de capital que a Riot projetou para a primeira construção de núcleo/estrutura de 112 MW em Corsicana, com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2027. Em outras palavras, um inverno de vendas de BTC equivale ao financiamento da Fase 1 da transição para o data center de IA.”

Segundo Sigel, a venda funciona como financiamento direto para a expansão estrutural da mineradora. Assim, a operação reflete a nova prioridade energética da companhia, que busca atender à crescente demanda da computação avançada.

Transição para data centers de IA e cenário do setor

A Riot não detalhou as condições exatas das vendas. Representantes também não responderam aos pedidos de comentário. Em comunicados anteriores, o CEO destacou que a venda de BTC auxilia no financiamento de crescimento e na manutenção das operações.

A estratégia power-first, apresentada no resultado do terceiro trimestre, explica a reorientação. Nessa abordagem, a mineração de Bitcoin monetiza temporariamente o grande portfólio energético da empresa. Posteriormente, esse portfólio será totalmente direcionado para data centers voltados à inteligência artificial.

Essa tendência também ganha força entre outras mineradoras listadas em bolsa. CleanSpark e MARA anunciaram iniciativas semelhantes. Além disso, a Bitfarms afirmou que vai encerrar a mineração para migrar totalmente ao setor de IA. A Hut 8, por sua vez, firmou parceria com o Google para expandir operações em infraestrutura avançada.

No mercado financeiro, as ações da Riot fecharam em alta de 1,3%. A valorização nos últimos seis meses supera 23%. Já o Bitcoin avançou quase 6% na última semana e foi negociado a US$ 92.773 recentemente.

As vendas da Riot mostram que o BTC continua central em sua estratégia financeira. Portanto, o ativo funciona como reserva de valor e fonte de liquidez. A empresa acelera sua transição para grandes projetos de data centers de IA, reforçando um caminho de diversificação e expansão estrutural.