Ripple: 67 milhões nos EUA têm criptomoedas
Stuart Alderoty, diretor jurídico da Ripple, afirmou que os norte-americanos que possuem criptomoedas já não formam um grupo marginal no debate regulatório dos Estados Unidos. Em artigo de opinião, ele defendeu que o avanço da adoção deve influenciar a discussão sobre o CLARITY Act, projeto que segue travado no Senado.
Segundo Alderoty, um levantamento da National Cryptocurrency Association, em parceria com a The Harris Poll, indica que um em cada quatro adultos dos Estados Unidos possui criptomoedas. Assim, esse grupo equivale a mais de 67 milhões de pessoas. Para o executivo da Ripple, esse contingente muda a forma como legisladores e reguladores deveriam encarar o setor.
Adoção de criptomoedas ganha peso no debate regulatório
De acordo com Stuart Alderoty, esse crescimento precisa entrar no centro da discussão política. Além disso, ele relacionou o total de detentores de criptomoedas a uma pesquisa citada pela Politico sobre o apoio ao CLARITY Act. Nesse levantamento, 27% dos norte-americanos disseram apoiar a proposta.
“Esses não são dois pontos de dados em tensão. São os mesmos norte-americanos, vistos de dois ângulos”, escreveu Alderoty.
Na avaliação do diretor jurídico da Ripple, os números não se contradizem. Pelo contrário, eles mostram o mesmo público sob perspectivas diferentes. Ademais, ele destacou que a posse de criptomoedas passou de um em cada cinco norte-americanos no ano passado para um em cada quatro neste ano.
Com isso, a leitura do relatório sugere a entrada de cerca de 12 milhões de pessoas adicionais na economia de ativos digitais em apenas 12 meses. Nesse sentido, Alderoty rejeitou a ideia de que o mercado de criptomoedas seria dominado apenas por perfis de alta renda ou por profissionais de tecnologia.
Segundo ele, mais da metade dos detentores vive em lares com renda inferior a US$ 150 mil por ano. Além disso, quase um quarto está abaixo de US$ 75 mil em renda familiar. Dessa forma, a Ripple sustenta que a base de usuários está mais distribuída entre diferentes faixas sociais.
Perfil dos investidores vai além de tecnologia e finanças
Outro ponto ressaltado por Alderoty envolve a participação feminina. Segundo ele, a posse de criptomoedas entre mulheres cresceu 10% na comparação anual. Além disso, elas representam 42% dos novos participantes do mercado. Para o executivo, a tendência contraria visões antigas sobre quem realmente utiliza ativos digitais.
O texto também menciona trabalhadores da construção civil e da indústria manufatureira. Juntos, eles somam mais de 21% da base de detentores. Ao mesmo tempo, esse contingente se aproxima do total combinado de profissionais dos setores de tecnologia e serviços financeiros.
Dessa maneira, a argumentação reforça a ideia de uma adoção mais espalhada pela economia real. Alderoty também afirmou que muitos usuários não recorrem às criptomoedas apenas para fins especulativos. Segundo ele, os ativos digitais já são usados para pagamentos, doações, atividades empresariais e transferências entre amigos e familiares.
Além disso, ferramentas baseadas em blockchain estariam sendo aplicadas fora do ambiente de negociação financeira. Como exemplos, o executivo citou pecuaristas de Oklahoma usando registros em blockchain para rastreamento de gado, trabalhadores recorrendo a credenciais verificadas e processos de tokenização ampliando o acesso a ativos como imóveis e participação em pequenas empresas.
CLARITY Act segue parado no Senado dos Estados Unidos
O CLARITY Act, formalmente identificado como H.R. 3633, segue no Calendário Legislativo do Senado dos Estados Unidos como o item de número 423. Até o momento, porém, não existe votação em plenário agendada. Da mesma forma, não houve pedido de encerramento de debate, o que mantém a proposta em compasso de espera.
Na Câmara dos Representantes, o projeto foi aprovado em julho de 2025 por 294 votos a 134. Já no Senado, o Comitê Bancário avançou com o texto em 14 de maio de 2026 por 15 votos a 9. Ainda assim, a tramitação entrou em uma fase decisiva.
Analistas avaliam que o retorno do recesso em 13 de julho abre uma janela importante antes do recesso de agosto. Portanto, esse intervalo é visto como crucial para uma eventual aprovação ainda em 2026. Para superar a obstrução parlamentar no Senado, o projeto precisa alcançar 60 votos.
Os republicanos controlam 53 cadeiras. No entanto, reportagens indicam que os senadores Josh Hawley e Rand Paul devem se opor à proposta. Por consequência, cresce a necessidade de apoio democrata para que o texto avance.
Disputas políticas ainda travam a proposta
Entre os principais entraves estão as regras de ética do projeto, as proteções a desenvolvedores previstas na Seção 604 e o processo de conciliação entre os textos produzidos pelos Comitês Bancário e de Agricultura do Senado. Em outras palavras, o impasse não se resume à contagem de votos.
Brian Gardner, estrategista-chefe de política em Washington da Stifel, avaliou que a proposta “provavelmente precisa passar pelo Senado até o fim de julho”. Segundo ele, perder a janela antes do recesso de agosto pode deteriorar de forma relevante as chances do projeto.
Alderoty sustentou que o CLARITY Act não pede ao Congresso que favoreça um ativo específico. Pelo contrário, na visão dele, a proposta criaria uma estrutura regulatória voltada à proteção dos consumidores e à competição mais clara para empresas que atuam legalmente.
“Sessenta e sete milhões de pessoas não estão pedindo a Washington um favor. Elas estão pedindo ao seu governo que faça o seu trabalho.”
Na prática, o diretor jurídico da Ripple retomou três pontos centrais. Mais de 67 milhões de norte-americanos possuem criptomoedas. Cerca de 12 milhões de usuários entraram nesse mercado em um ano. Por fim, o projeto de lei ainda precisa reunir 60 votos para avançar no Senado.