Ripple: Alderoty diz que cripto já integra finanças dos EUA

Stuart Alderoty, diretor jurídico da Ripple, afirmou que as criptomoedas já fazem parte da vida financeira nos Estados Unidos. Em uma entrevista à NYSE em 28 de maio, ele citou um novo relatório da National Cryptocurrency Association, entidade da qual também é presidente. Segundo o estudo, 67 milhões de americanos já possuem ou usam ativos digitais.

Para Alderoty, esse avanço indica uma mudança relevante. Em vez de formar um sistema financeiro paralelo, as criptomoedas começam a entrar em serviços já conhecidos, como pagamentos, investimentos, custódia e infraestrutura de tesouraria. Assim, o mercado cripto passa a ocupar um espaço mais prático nas finanças tradicionais.

Além disso, o executivo afirmou que a Ripple atua justamente nessa frente corporativa. Conforme explicou, a empresa oferece infraestrutura cripto para companhias de médio e grande porte que desejam adicionar pagamentos, custódia, tokenização, liquidez ou gestão de tesouraria. Nesse sentido, a Ripple busca se posicionar como uma plataforma integrada para empresas que querem incluir ativos digitais em suas operações.

Adoção de criptomoedas avança nos Estados Unidos

O principal argumento de Stuart Alderoty se apoia no relatório State of Crypto Holder, produzido pela National Cryptocurrency Association em parceria com a Harris Poll pelo segundo ano consecutivo. De acordo com ele, a pesquisa ouviu 40 mil americanos, uma amostra ampla para medir a evolução da adoção de ativos digitais no país.

“Descobrimos que 67 milhões de americanos hoje possuem ou usam criptomoedas. Portanto, as criptomoedas já não são mais um produto de nicho. Acho que estão avançando cada vez mais para o mainstream”, afirmou Alderoty.

Além disso, o relatório aponta que mais 12 milhões de americanos entraram na economia de ativos digitais no último ano. A comparação considera as edições de 2025 e 2026 do State of Crypto Holder. Segundo Alderoty, esse crescimento não se limita aos perfis tradicionalmente associados ao setor, como engenheiros do Vale do Silício, especialistas em tecnologia financeira ou primeiros entusiastas das criptomoedas.

Pelo contrário, a expansão recente alcança uma base demográfica mais ampla. O executivo destacou maior participação feminina, bem como presença crescente de trabalhadores da construção civil e de funcionários da indústria de manufatura. Dessa forma, a adoção das criptomoedas deixa de se concentrar em poucos polos tecnológicos e financeiros e passa a se distribuir de maneira mais uniforme pelos Estados Unidos.

Ele acrescentou que a National Cryptocurrency Association reúne um mapa interativo com dados por estado e por distrito congressional. Assim, a entidade tenta mostrar que os detentores de ativos digitais estão espalhados por várias regiões do território americano, e não apenas concentrados em centros específicos.

Integração com finanças tradicionais ganha força

Outro ponto levantado pelo diretor jurídico da Ripple envolve a convergência entre finanças tradicionais e mercado de criptomoedas. Na avaliação dele, o usuário já não precisa escolher entre um sistema e outro. Ao mesmo tempo, os dois ambientes começam a se tornar interoperáveis dentro dos mesmos aplicativos e interfaces financeiras usados no dia a dia.

“Não é uma escolha entre um ou outro. Não é como se você tivesse de usar criptomoedas ou usar serviços financeiros tradicionais. Acho que agora estamos em um mundo em que usamos os dois, e ambos estão se tornando intercambiáveis e interoperáveis”, disse Alderoty.

Para explicar esse processo, ele comparou a adoção das criptomoedas à transição para os smartphones. Segundo o executivo, os consumidores não abandonaram os celulares antigos de uma só vez. A mudança ocorreu de forma gradual, à medida que a nova tecnologia se mostrou útil o bastante para entrar naturalmente na rotina.

Da mesma forma, Alderoty argumentou que as criptomoedas podem seguir caminho semelhante conforme plataformas financeiras tradicionais passem a oferecer ativos digitais dentro de produtos já conhecidos. Em outras palavras, a cripto deixa de parecer algo separado e passa a operar como mais uma fonte de recursos dentro de uma estrutura financeira mais ampla.

“Vou poder chegar ao caixa do Walmart e usar meu aplicativo OnePay. E poderei configurar esse aplicativo para decidir: quero pagar em dinheiro, com cartão de débito, com cartão de crédito ou com minha carteira de criptomoedas? E essa transação vai acontecer nos bastidores”, afirmou.

Além disso, ele disse que o consumidor talvez nem precise sinalizar que está pagando com criptomoedas. Segundo Alderoty, a experiência poderá se tornar tão fluida quanto um pagamento por aproximação com Apple Pay.

Ripple, gerações e preço do XRP entram no radar

O relatório da National Cryptocurrency Association também detalhou a adoção por faixa etária. De acordo com Alderoty, 18% dos novos detentores estão entre 18 e 24 anos. Por outro lado, 28% dos usuários têm mais de 55 anos. Para ele, esse recorte reforça um movimento geracional mais amplo.

Segundo o executivo, os mais jovens já entram em um ambiente financeiro no qual as criptomoedas fazem parte da oferta de produtos. Ao mesmo tempo, consumidores mais velhos também aderem à tecnologia, em vez de ficarem à margem desse mercado. Assim, o setor avança em várias faixas etárias e amplia sua base de usuários.

Alderoty observou ainda que o segmento continua jovem, com cerca de 15 anos de existência. Ainda assim, ele avalia que usuários da geração Z, millennials e geração X tendem cada vez mais a tratar as criptomoedas como um componente normal das finanças. Nesse contexto, ativos como o XRP seguem no centro desse debate sobre integração financeira.

“Eles nunca vão crescer em um mundo em que as criptomoedas não façam parte do conjunto de produtos financeiros disponíveis para uso”, disse.

No momento da publicação da notícia original, o XRP era negociado a US$ 1,32.

Gráfico do preço de XRP
XRP segue em movimento lateral no gráfico diário. Fonte: TradingView

Em suma, a leitura apresentada por Stuart Alderoty combina três pontos centrais. Primeiro, 67 milhões de americanos já possuem ou usam ativos digitais. Em segundo lugar, 12 milhões de novos participantes entraram nesse mercado em apenas um ano. Por fim, a integração progressiva das criptomoedas a pagamentos, investimentos, custódia e serviços financeiros tradicionais avança nos Estados Unidos, enquanto o XRP aparecia cotado a US$ 1,32 no momento da publicação original.