Ripple amplia tokenização no Brasil com CSD BR

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A Ripple ampliou sua presença no Brasil ao conectar pagamentos internacionais, stablecoins e tokenização de ativos no XRP Ledger (XRPL). Em 29 de setembro, a empresa e a CSD BR anunciaram a primeira fase de um projeto com cotas de fundos do BTG Pactual. A iniciativa espelha os registros dessas cotas na rede. Contudo, os sistemas da CSD BR continuarão como registro oficial para depósito, controle e liquidação.

Um dia antes do anúncio, Markus Infanger, executivo da RippleX, falou sobre a participação brasileira no XRPL. Em entrevista ao Estadão, ele afirmou que cerca de US$ 2,7 bilhões estavam no Brasil. O montante integra os US$ 6,7 bilhões em ativos financeiros do mundo real tokenizados que o executivo contabilizou na rede. Assim, aproximadamente 40% do valor informado estava concentrado no país.

Estratégia reúne pagamentos, stablecoins e fundos

A métrica considera ativos representados no XRPL, e não a atividade de pagamentos processada pela Ripple. Por isso, os números não permitem comparar diretamente os diferentes segmentos da estratégia brasileira. Cada área utiliza indicadores próprios para medir circulação, adoção e volume financeiro. A companhia também não divulgou dados agregados sobre pagamentos, circulação da RLUSD ou uso institucional ativo apenas no Brasil.

A Ripple abriu seu escritório brasileiro em 2019. Em agosto de 2022, a companhia anunciou pagamentos habilitados para XRP com o Travelex Bank. Posteriormente, em outubro de 2024, uma parceria com o Mercado Bitcoin iniciou transferências internas de tesouraria entre Brasil e Portugal. Na ocasião, os pagamentos internacionais corporativos e de varejo ainda apareciam como planos futuros.

Serviços institucionais avançam no país

Em março de 2026, a empresa expandiu sua oferta institucional brasileira. O portfólio passou a reunir pagamentos, custódia, corretagem prime e gestão de tesouraria. Banco Genial, Braza Bank e Nomad apareceram entre os usuários dos serviços de pagamentos. Enquanto isso, Mercado Bitcoin, Foxbit e Ripio estavam entre as plataformas que listavam ou apoiavam a stablecoin em dólar RLUSD.

A Ripple também informou que pretende solicitar uma licença brasileira de prestadora de serviços de ativos virtuais. Portanto, a empresa busca integrar sua operação às regras locais enquanto amplia os serviços. Essa estratégia abrange instituições que movimentam recursos, plataformas que distribuem stablecoins e empresas que administram investimentos. Ao mesmo tempo, a companhia mantém diferentes frentes comerciais dentro da infraestrutura financeira existente.

A expansão da Ripple no Brasil abrange pagamentos, custódia e tokenização, enquanto a CSD BR mantém o registro oficial de valores mobiliários.

 

As mesmas empresas podem participar de várias áreas dessa estratégia. Por exemplo, o Mercado Bitcoin anunciou em julho de 2025 planos para tokenizar mais de US$ 200 milhões em ativos regulados no XRPL. A emissão planejada acrescenta uma frente de ativos à relação já existente em pagamentos e stablecoins. Desse modo, a atuação das empresas se estende por diferentes serviços financeiros.

Ranking avalia adoção ampla de criptomoedas

O índice de adoção de 2026 da Chainalysis colocou o Brasil em primeiro lugar no resultado geral. O país ficou em segundo nos fluxos transfronteiriços e em terceiro nos fluxos de serviços e na atividade ponto a ponto doméstica. Além disso, o Brasil alcançou a quarta posição no indicador de saldos. A metodologia revisada valoriza um desempenho abrangente nessas quatro áreas.

Logo, a liderança não significa que o Brasil tenha o maior mercado de criptomoedas do mundo em volume bruto de dólares. A mudança metodológica também limita comparações diretas com classificações anteriores. A Chainalysis estimou US$ 252,5 bilhões em atividade de criptomoedas no país entre julho de 2025 e junho de 2026. Porém, o relatório sobre a América Latina apontou contração de 1,6% na economia cripto brasileira durante o período.

Uso empresarial aproxima Ripple do mercado local

A liderança em adoção, portanto, coexistiu com uma desaceleração da atividade. Para a Ripple, a conexão mais relevante está no uso empresarial das criptomoedas. O relatório descreve companhias brasileiras que utilizam stablecoins para administrar liquidez e realizar transferências internacionais. Esses usos coincidem com parte da oferta institucional da empresa.

Em contrapartida, as restrições brasileiras de 1º de outubro afetarão determinados fluxos de câmbio eletrônico. As regras impedirão o uso de ativos virtuais na liquidação de fluxos agregados entre provedores e contrapartes estrangeiras. Ainda assim, as transferências internacionais individuais com ativos virtuais continuarão permitidas. Dessa maneira, a operação institucional deverá observar os limites regulatórios aplicáveis a cada modalidade.

Tokenização avança sobre a infraestrutura financeira

O valor de US$ 2,7 bilhões citado por Infanger dimensiona a presença brasileira de ativos do mundo real no XRPL. Em outubro de 2025, a Ripple informou que a plataforma de crédito da VERT registrava eventos, documentos e pagamentos na rede. A operação também utilizava a sidechain EVM do XRPL. Naquele momento, o fundo de recebíveis previdenciários da empresa mantinha mais de R$ 200 milhões em patrimônio líquido.

O projeto com a CSD BR leva essa abordagem à infraestrutura de valores mobiliários. Na primeira etapa, a plataforma espelha a propriedade das cotas de fundos do BTG Pactual por meio do XRPL e da custódia da Ripple. Somente participantes corporativos e bancários brasileiros autorizados podem acessar o sistema. Além disso, esses participantes estarão sujeitos a verificações de identidade e de prevenção à lavagem de dinheiro.

CSD BR preserva o registro oficial das cotas

A emissão e a negociação nativas estão previstas para etapas posteriores, após a validação do espelhamento. Por enquanto, o projeto insere a Ripple em processos existentes sem transformar a blockchain pública no registro oficial dos valores mobiliários. A CSD BR continuará responsável pelos sistemas regulados de registro, depósito e liquidação. Com isso, a iniciativa testa a integração entre o XRPL e a infraestrutura financeira brasileira.

O Brasil funciona como um teste prático da estratégia institucional mais ampla da Ripple. No entanto, o valor representado na rede não demonstra, isoladamente, o nível de uso operacional do sistema. Transações recorrentes e maior adesão à plataforma da CSD BR indicarão a evolução do projeto. Esses indicadores também mostrarão até onde a iniciativa poderá avançar além dos valores já informados.

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