Ripple busca licença no Brasil e amplia estratégia

A Ripple, empresa global de infraestrutura blockchain, afirmou que está expandindo seus serviços de ativos digitais no Brasil e planeja solicitar uma licença de Provedor de Serviços de Ativos Virtuais (VASP) junto ao Banco Central do país. A empresa está lançando uma plataforma integrada para bancos e fintechs que combina pagamentos internacionais, custódia de criptomoedas, corretagem e ferramentas de tesouraria. A investida da Ripple no Brasil ocorre em meio a uma rápida expansão por meio de aquisições bilionárias e do lançamento de uma stablecoin lastreada em dólar americano, a Ripple USD (RLUSD).

A Ripple busca expandir seus serviços no Brasil.

Nesse contexto, a companhia iniciou movimentos para se adequar ao ambiente regulatório local e avalia solicitar uma licença junto ao Banco Central, com o objetivo de fortalecer sua presença no país.

O movimento vai além da expansão comercial. De fato, a Ripple busca operar em conformidade com o novo marco legal de ativos virtuais. Assim, o Brasil surge como um potencial polo de operações na América Latina, especialmente em um cenário de maior clareza regulatória e crescimento do mercado de criptomoedas.

Brasil ganha relevância na estratégia da Ripple

Segundo Maria Isabel Longhi, diretora de Políticas Públicas para a América Latina da Ripple, a decisão reflete a maturidade do ecossistema brasileiro. Conforme a executiva, o país combina avanços regulatórios com uma infraestrutura eficiente, o que tende a atrair empresas globais do setor financeiro.

“O Brasil se tornou referência no nosso setor, com uma regulação consistente e uma infraestrutura mais rápida do que a de muitos países desenvolvidos”, afirmou.

Além disso, o volume de transações e a atuação ativa do regulador reforçam essa posição estratégica. Embora o prazo de adaptação às novas regras vá até outubro de 2026, a Ripple mantém diálogo com o Banco Central. Dessa forma, a empresa busca antecipar exigências e alinhar seus processos internos.

A companhia ainda não formalizou o pedido de licença. Ainda assim, já segue diretrizes regulatórias, o que pode reduzir riscos e acelerar uma eventual aprovação no futuro.

Desafios regulatórios e pontos de atenção

Apesar dos avanços, a Ripple avalia que parte das regras pode gerar complexidade operacional. Um exemplo envolve a aplicação da segregação patrimonial em operações de câmbio, que, segundo a empresa, ainda levanta dúvidas práticas.

De acordo com a executiva, o Banco Central tem tratado contas usadas em pagamentos internacionais de forma semelhante a contas de varejo. No entanto, essas estruturas funcionam como instrumentos de transição e garantia, o que pode exigir abordagem regulatória distinta.

Outro ponto relevante envolve a falta de clareza nas regras para operações B2B. Nesse sentido, a regulamentação prioriza o consumidor final, enquanto empresas de infraestrutura financeira enfrentam incertezas.

“Há muitas regras voltadas ao usuário final, mas pouca clareza para empresas como a Ripple, cujos clientes já são instituições licenciadas. Isso pode gerar duplicidade de relatórios e aumentar a complexidade operacional”, explicou.

Entre as normas recentes, destaca-se a Resolução 521, que trata do envio de relatórios sobre transações de câmbio com stablecoins. A exigência entra em vigor em maio, com primeiros reportes previstos para junho. Assim, o Banco Central deve ampliar a coleta de dados sobre esse mercado.

IOF e segurança jurídica no radar

A possível incidência de IOF em operações com stablecoins também entrou no radar da Ripple. Embora o tema tenha perdido força no debate recente, ele ainda levanta preocupações relevantes no setor.

A empresa não se posiciona contra a tributação. Contudo, defende que eventuais mudanças ocorram por meio do processo legislativo adequado. Caso contrário, medidas via decreto podem aumentar a insegurança jurídica e impactar a atratividade do país para investidores.

“O que oferecemos é eficiência e agilidade, não isenção de impostos. No entanto, o IOF é um tributo problemático de forma geral e sua aplicação precisa respeitar a legislação adequada”, afirmou.

Expansão e foco em soluções práticas

Apesar dos desafios regulatórios, a Ripple segue ampliando sua atuação no Brasil. Atualmente, a empresa investe em soluções voltadas a pagamentos internacionais, com foco em eficiência e experiência do usuário.

Um exemplo é a parceria com a Nomad, que permite transferências globais contínuas, disponíveis 24 horas por dia. Dessa forma, usuários conseguem realizar operações rápidas sem lidar diretamente com a complexidade da blockchain.

Nesse modelo, a infraestrutura da Ripple opera de forma integrada aos parceiros. Ou seja, a tecnologia otimiza processos internos enquanto o cliente final percebe apenas a agilidade do serviço.

Quanto ao XRP, a empresa reforça que o ativo possui papel relevante dentro do ecossistema, embora funcione de forma independente. Assim, a Ripple mantém atuação próxima à rede, defendendo seu uso como alternativa em pagamentos internacionais.

Em conclusão, o avanço da Ripple no Brasil sinaliza uma estratégia de longo prazo baseada em adaptação regulatória e expansão operacional. Ao mesmo tempo, a empresa segue apontando ajustes necessários, sobretudo em temas como tributação, relatórios e operações transfronteiriças.