Risco quântico do Bitcoin é menor do que se pensava

O Bitcoin voltou ao centro do debate sobre segurança digital por causa das dúvidas envolvendo o impacto de computadores quânticos. Apesar das preocupações históricas, análises recentes indicam que o risco atual é menor do que muitos temem. Além disso, novos dados da CoinShares reforçam que o cenário é mais controlado do que se supunha.

Endereços vulneráveis representam pequena parcela da rede

Segundo o levantamento, apenas 10.230 BTC estão em endereços com chaves públicas expostas. Assim, essa é a fração mais suscetível caso um computador quântico funcional surja inesperadamente. Desse total, cerca de 7.000 BTC permanecem em carteiras de médio porte, entre 100 e 1.000 unidades. No entanto, aproximadamente 3.230 BTC estão em grandes endereços com saldos entre 1.000 e 10.000 unidades.

Em valores atuais, esse conjunto equivale a algumas centenas de milhões de dólares. Apesar disso, especialistas afirmam que um ataque restrito a esse grupo geraria apenas um movimento abrupto de mercado, sem risco estrutural ao protocolo. Portanto, mesmo um ataque direto não resultaria em colapso sistêmico.

Capacidade dos computadores quânticos ainda é insuficiente

Especialistas destacam que o algoritmo de Shor poderia comprometer assinaturas baseadas em curvas elípticas. Além disso, o algoritmo de Grover reduziria a segurança do SHA-256. No entanto, existe uma grande diferença entre a teoria matemática e a tecnologia disponível.

Os computadores quânticos atuais possuem pouco mais de 100 qubits, operando com altos níveis de erro. Para ameaçar o Bitcoin, seriam necessários milhões de qubits corrigidos e estáveis. Essa tecnologia ainda está distante, e não há indícios de que estará pronta em breve.

Moedas antigas exigem atenção especial

Grande parte dos endereços vulneráveis pertence aos primeiros anos do ativo e contém moedas que jamais foram movidas. Naquele período, as recomendações de segurança eram diferentes das práticas adotadas hoje. Portanto, caso o risco quântico avance, a migração dessas moedas exigiria coordenação entre custodiante, exchanges e usuários.

Os caminhos técnicos para essa migração existem. Assim, o principal desafio seria logístico, envolvendo atualização de carteiras e ajustes de chaves antes de qualquer avanço real de computadores quânticos.

Gráfico BTCUSD

BTCUSD operando a US$ 69.054 no gráfico de 24 horas: TradingView

Especialistas defendem preparação antecipada

Analistas renomados, como Andreas Antonopoulos, afirmam que o risco quântico existe, mas está distante. Além disso, Adam Back explica que é possível planejar soluções com antecedência, desde que a comunidade adote medidas preventivas.

Segundo esses especialistas, é fundamental evitar reutilização de chaves, desenvolver processos de atualização e testar estratégias de migração. Portanto, a preparação gradual garante segurança mesmo diante de avanços tecnológicos futuros.

Com base nos dados apresentados, o risco quântico para o Bitcoin é limitado e concentrado em poucos endereços antigos. A tecnologia necessária para um ataque real ainda está longe, oferecendo tempo suficiente para que o ecossistema adote medidas de segurança e atualizações estruturais.