Robinhood bate recorde com opções e cripto em queda

A Robinhood encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita recorde, embora a linha de criptomoedas tenha perdido peso no negócio. Assim, a empresa passou a depender mais de opções, contratos de eventos e ações para sustentar a monetização.

No quarto trimestre de 2024, a Robinhood gerou US$ 358 milhões em receita de transações com criptomoedas. O total da receita baseada em transações foi de US$ 672 milhões. Portanto, as criptomoedas respondiam por cerca de 53% desse segmento.

Já no segundo trimestre de 2026, essa linha caiu 38% na comparação anual, para US$ 100 milhões. Dessa forma, a participação das criptomoedas recuou para 12,9% da receita transacional.

Opções e contratos sustentam o resultado

Enquanto a linha cripto encolheu, outras áreas avançaram com força. Em primeiro lugar, as opções somaram US$ 342 milhões. Além disso, os contratos de eventos renderam US$ 156 milhões, ao passo que as ações contribuíram com US$ 129 milhões.

Juntas, essas três linhas responderam por 81% da receita baseada em transações. Em outras palavras, elas entregaram cerca de seis vezes mais receita do que as criptomoedas no trimestre.

Ademais, a Robinhood registrou US$ 389 milhões em receita líquida de juros e mais US$ 143 milhões em outras receitas. Nesse sentido, as assinaturas do Robinhood Gold ajudaram a impulsionar o resultado.

Os números mostram uma mudança relevante frente ao fim de 2024, quando as criptomoedas lideravam a monetização transacional da plataforma. Ainda assim, a receita total baseada em transações subiu de US$ 672 milhões para US$ 776 milhões entre os períodos comparados.

No trimestre, a companhia informou volume nocional total de US$ 40 bilhões em criptomoedas. Desse montante, o aplicativo da empresa respondeu por US$ 18 bilhões, uma queda de 35% em relação ao ano anterior. Por outro lado, a Bitstamp passou a representar a maior fatia, com US$ 22 bilhões.

Bitstamp amplia alcance, mas reduz monetização

Esse dado ajuda a explicar por que o volume permaneceu relevante, mas a receita perdeu força. Afinal, a Robinhood vem montando uma estrutura mais ampla para sua operação cripto. Nesse desenho, a Bitstamp atua como fonte de liquidez institucional e alcance internacional.

Ao mesmo tempo, a Robinhood Wallet funciona como acesso de autocustódia a produtos on-chain. Além disso, a Robinhood Chain atua como camada de liquidação e programabilidade.

Nessa arquitetura, os tokens de ações levam ativos tradicionais para a mesma infraestrutura. Bem como isso, o Earn e os contratos perpétuos ampliam a oferta com empréstimos e derivativos. Enquanto isso, o aplicativo original da Robinhood segue como base dessa estrutura, com quase 30 milhões de contas de investimento.

Com isso, a empresa passa a capturar receita em um negócio financeiro mais diversificado, ainda que parcialmente apoiado em infraestrutura cripto. No entanto, o volume trazido pela Bitstamp, de perfil mais institucional, tende a ter taxa de monetização menor do que o volume de varejo negociado no aplicativo.

No quarto trimestre de 2024, a receita com criptomoedas equivalia a cerca de US$ 5 milhões por cada US$ 1 bilhão em volume nocional. Já no segundo trimestre de 2026, esse indicador caiu para aproximadamente US$ 2,5 milhões por US$ 1 bilhão. Portanto, a diferença sugere que a Bitstamp amplia alcance e infraestrutura antes de adicionar receita em nível comparável.

Robinhood Chain ganha tração com memecoins

A Robinhood Chain estreou como mainnet pública em 1º de julho, baseada em Arbitrum. A rede foi desenhada para ações tokenizadas, ativos do mundo real, empréstimos DeFi e finanças nativas de inteligência artificial. Contudo, o primeiro grande surto de atividade veio de outro vetor: as memecoins.

A CASHCAT, memecoin ligada à antiga história de origem da marca com o nome CashCat, alcançou mais de US$ 227 milhões em valor de mercado. Como resultado, ela impulsionou uma onda de lançamentos dentro da Robinhood Chain.

Um painel da Dune mostra que o volume spot em exchanges descentralizadas na rede chegou a quase US$ 370 milhões em 29 de julho. O movimento foi puxado principalmente por memecoins. No mesmo dia, os lançamentos de tokens em diferentes launchpads superaram 29 mil registros, com a Pons respondendo por 14.751 lançamentos.

Em sete dias, a Robinhood Chain movimentou mais de US$ 2,6 bilhões em volume de exchanges descentralizadas. Além disso, dados da DefiLlama indicam que a oferta de stablecoins na rede superou US$ 500 milhões no mesmo intervalo. Enquanto isso, a receita da chain passou de US$ 1 milhão nos últimos sete dias.

Mesmo após uma queda de 80% desde o pico, a CASHCAT ainda mantinha valor de mercado de US$ 45 milhões. Ainda mais, esse patamar seguia mais de 60% acima dos quase US$ 28 milhões em valor de mercado de ativos tokenizados do mundo real na rede.

Investidores avaliam sinais de uso sustentável

Esse contraste resume o dilema atual da Robinhood. A empresa lançou uma infraestrutura voltada para finanças tokenizadas, mas a tração inicial veio de atividade especulativa em memecoins. Portanto, o teste real será medir quanto desse uso permanece quando o entusiasmo inicial perder força.

Os tokens de ações negociados na Robinhood Wallet estão disponíveis em mais de 120 países, operam 24 horas por dia e podem servir como colateral em pools de empréstimo DeFi. Contudo, a Robinhood descreve esses ativos como títulos de dívida tokenizados. Eles oferecem exposição econômica às ações subjacentes, sem conceder propriedade legal ou beneficiária.

Além disso, esses tokens não estão disponíveis nos Estados Unidos e enfrentam restrições em outras jurisdições. Nesse sentido, investidores devem observar a sustentação do volume em DEX, a participação das memecoins, a permanência da liquidez em stablecoins e a evolução do valor de mercado de ativos tokenizados.

O mercado também tende a acompanhar o avanço da receita da própria chain. Em um cenário positivo, a Robinhood Chain pode ser precificada como infraestrutura crível e durável. Em contrapartida, em um cenário negativo, a rede pode ser vista apenas como um pico temporário de atenção após o lançamento.

Outro indicador relevante veio das assinaturas. O Robinhood Gold cresceu 39% na comparação anual, para 4,8 milhões no trimestre. Assim, a empresa reforçou sua capacidade de monetizar usuários para além do trading puro.

No balanço final, o trimestre recorde da Robinhood foi sustentado por opções, contratos de eventos e ações, enquanto a receita com criptomoedas perdeu protagonismo. Ainda assim, a expansão da Robinhood Chain, o volume de US$ 40 bilhões em criptomoedas, os US$ 22 bilhões trazidos pela Bitstamp e a atividade intensa de memecoins mostram que a infraestrutura cripto segue no centro da estratégia da empresa.