Robinhood: DOJ acusa ex-engenheiros de fraude
Em 15 de setembro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou dois ex-engenheiros da Robinhood de fraude. Conforme os promotores, Hefu Chai e Huaisong Xiang usaram informações confidenciais da empresa para lucrar em operações com criptomoedas. As acusações incluem fraude em commodities e fraude eletrônica. No entanto, ambos permanecem inocentes perante a lei enquanto não houver uma condenação.
Chai trabalhou na Robinhood entre 2021 e maio de 2026. Já Xiang ingressou na companhia em 2024 e permaneceu na equipe de criptomoedas até setembro de 2026. Ambos participaram do processo de listagem de ativos digitais da corretora. Assim, conheciam informações que poderiam influenciar os preços após os anúncios públicos.
Acesso a informações sigilosas sobre listagens
De acordo com a acusação apresentada pelo Departamento de Justiça, a Robinhood classificava os engenheiros como “Coin Aware Individuals”. Internamente, esse grupo acessava um canal privado no Slack com datas planejadas para novas listagens. Com isso, seus integrantes conheciam os anúncios antes do público. Porém, a política interna proibia negociações relacionadas durante as 24 horas anteriores ou posteriores à divulgação.
Chai liderava tecnicamente o trabalho relacionado às novas listagens de ativos digitais. Além disso, os promotores alegam que ele ignorou as restrições de negociação impostas pela empresa. O documento do processo informa que seu vínculo com a Robinhood terminou em maio de 2026. Xiang, por sua vez, permaneceu na equipe até setembro daquele ano.
Operações teriam ocorrido na Hyperliquid
Em vez de comprarem os tokens diretamente, os acusados teriam aberto posições na Hyperliquid. A plataforma descentralizada oferece negociação de futuros perpétuos. Esses instrumentos permitem apostar na variação dos preços sem manter os tokens correspondentes. Dessa forma, a dupla poderia lucrar com a valorização esperada após cada anúncio.
Após a divulgação pública das listagens, os réus encerravam as posições, conforme a acusação. Chai teria negociado antes de pelo menos dez anúncios da Robinhood. Entre os ativos citados estão cat in a dogs world (MEW), Moo Deng (MOODENG), Aster (ASTER) e Plasma (XPL). A relação também inclui Hyperliquid (HYPE), Ethena (ENA) e Aerodrome Finance (AERO).
Por sua vez, Xiang teria negociado futuros perpétuos de Popcat (POPCAT) em março de 2025. Na sequência, ele teria repetido o padrão antes de pelo menos outros dez anúncios. Os promotores sustentam que as operações utilizaram informações obtidas no canal privado. Cada acusado teria lucrado mais de US$ 50 mil, enquanto o ganho combinado teria superado US$ 1,13 milhão.
Acusações podem resultar em penas de prisão
Cada réu responde a uma acusação de violação da Commodity Exchange Act. Essa infração prevê pena máxima de dez anos de prisão. Além disso, ambos enfrentam uma acusação de fraude eletrônica, cuja pena máxima chega a 20 anos. As penas efetivas, contudo, dependerão do andamento do processo e de uma eventual condenação.
Ao comentar o caso, o procurador dos Estados Unidos Jamie McDonald destacou o alcance das leis existentes. Segundo ele, pessoas com informações internas não podem evitar as normas sobre valores mobiliários e commodities. Isso também se aplica quando utilizam futuros perpétuos ou instrumentos semelhantes. Nesse contexto, o processo mostra como autoridades aplicam essas regras a ferramentas recentes de negociação.
Caso seguirá em tribunal federal de Nova York
O processo foi comparado a um caso de 2023 envolvendo um ex-gerente de produtos da Coinbase. Na ocasião, o acusado usou informações internas para negociar tokens diretamente antes de uma listagem pública. Posteriormente, o tribunal determinou uma pena de 24 meses de prisão. Entretanto, o caso atual envolve derivativos negociados em uma plataforma descentralizada.
Embora o mecanismo seja diferente, a acusação também trata do uso indevido de informações empresariais confidenciais. A Robinhood não figura como acusada de irregularidades no processo. A empresa recebeu um pedido de comentário, mas não havia respondido até a publicação. Agora, o caso seguirá na Justiça Federal do Distrito Sul de Nova York.