Rotação de capital favorece o Ethereum enquanto o Bitcoin enfrenta maiores saídas de ETFs em meses

Acúmulo institucional e tesourarias corporativas impulsionam o Ethereum, que se recupera mais rápido que o Bitcoin e amplia participação de mercado
A rotação de capital entre as maiores criptomoedas segue em andamento e agora beneficia claramente o Ethereum. Analistas como Willy Woo destacam que os fluxos diários para ETH já se aproximam de US$ 900 milhões, praticamente no mesmo nível do Bitcoin, após dispararem em julho com a entrada da BitMine Immersion Technologies, que acumulou 1,7 milhão de ETH em pouco mais de dois meses. Hoje, a empresa detém 1,4% da oferta total do ativo, consolidando-se como a maior tesouraria corporativa da rede.
O movimento reflete também no mercado de ETFs. Enquanto fundos de Bitcoin sofreram saídas líquidas de mais de US$ 1,5 bilhão entre 15 e 22 de agosto — o maior volume negativo em meses —, os ETFs de Ethereum registraram perdas menores e já voltaram a receber aportes. No agregado de agosto, mais de US$ 2,8 bilhões entraram em fundos spot de ETH, sinalizando que a preferência institucional está migrando para o ativo.
Essa dinâmica reforça a resiliência do Ethereum frente ao Bitcoin. Após atingir a máxima histórica acima de US$ 4.940, o ETH caiu, mas recuperou mais rápido que o BTC, que segue pressionado pela liquidação de posições e saídas de fundos. Na quarta-feira, o ETH chegou a US$ 4.638, apenas 6,7% abaixo da máxima, enquanto o BTC ainda operava distante do topo, em torno de US$ 111 mil.
A dominância de mercado confirma a tendência: a fatia do Ethereum subiu de 7% em abril para 14,5% atualmente, enquanto a do Bitcoin recuou de 66% para 58% no mesmo período. Segundo o analista Axel Bitblaze, o ETH rompeu uma formação gráfica de quatro anos que projeta alvos entre US$ 6.800 e US$ 7.000, reforçando a expectativa de continuação da alta.
Mesmo com a volatilidade típica do setor e a cautela de curto prazo sugerida por analistas, a combinação de forte acúmulo institucional, tesourarias corporativas crescentes e recuperação mais rápida em relação ao BTC coloca o Ethereum como protagonista do atual ciclo de rotação de capital no mercado cripto.
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