Rússia pode bloquear exchanges internacionais em breve
A Bitcoin enfrenta possíveis mudanças no mercado russo, já que o país se aproxima de um novo arcabouço regulatório para cripto previsto para entrar em vigor até 1º de julho. A medida pode impulsionar bloqueios a exchanges internacionais, segundo especialistas do setor. Além disso, o governo pode priorizar plataformas locais para manter controle total das operações internas. Quando autoridades avaliam essas mudanças, cresce a expectativa de restrições severas já no próximo verão.
Possível impacto do bloqueio no uso de cripto no país
Segundo o portal RBC Crypto, participantes do mercado acreditam que o governo russo deve restringir o acesso a exchanges estrangeiras de forma parecida com o bloqueio aplicado ao Telegram e ao YouTube. Assim, o país reforçaria sua intenção de reduzir a presença de empresas internacionais no setor de cripto. Além disso, autoridades esperam ampliar o controle sobre operações internas ao direcionar usuários para serviços licenciados.
Nikita Zuborev, analista sênior do agregador Bestchange.ru, afirmou que a chance de bloqueios acontecerem é muito alta. Ele explicou que, após a adoção do novo regime regulatório, pode haver um esforço amplo para limitar concorrentes considerados prejudiciais ao mercado local. Segundo ele, o regulador Roskomnadzor tende a iniciar bloqueios em massa contra sites de exchanges que não possuam registro na Rússia.
O analista destacou que a estratégia deve seguir o modelo aplicado ao YouTube, com exclusão de registros DNS e ações constantes para impedir bypasses. No entanto, ele acrescentou que esse processo terá impacto direto nos usuários de Bitcoin e de outros ativos digitais. Isso porque a migração forçada para plataformas locais pode reduzir opções, elevar taxas e diminuir a competitividade do setor.
Zuborev ainda alertou que, caso exchanges globais não consigam licenças ou parcerias no país, parte do mercado pode operar na clandestinidade. Portanto, a tendência é que fraudes aumentem e fiscalizações se tornem mais complexas, além de encarecer transações.
Modelo inspirado na Belarus pode servir de referência
Dmitry Machikhin, advogado e fundador da BitOK, sugeriu que a Rússia pode adotar um modelo parecido com o da Belarus. No país vizinho, apenas empresas autorizadas operam com cripto, enquanto pessoas físicas não podem negociar em plataformas estrangeiras. No entanto, ele acredita que proibir totalmente o uso dessas exchanges é inviável. Como exemplo, apontou a Binance, que deixou o mercado russo, mas ainda mantém mais de 1 milhão de usuários do país.
Além disso, Machikhin afirmou que uma proibição direta é improvável, embora restrições mais rígidas devam surgir com o avanço das novas regras.
Pressão internacional e possíveis sanções ampliam riscos
Ignat Likhunov, fundador da agência jurídica Cartesius, concorda que o país avança em direções duplas: bloqueia plataformas estrangeiras enquanto fortalece o mercado regulado interno. Apesar disso, ele destacou que a Rússia tem pouca influência prática sobre grandes exchanges internacionais, que não são obrigadas a seguir normas locais.
Assim, o governo russo pode responsabilizar essas empresas indiretamente e restringir seu acesso ao país, especialmente quando tais plataformas aplicam sanções contra usuários russos ou não seguem regras de armazenamento de dados.
A União Europeia, por sua vez, discute ampliar sanções envolvendo operações de cripto ligadas à Rússia. A Comissão Europeia avalia proibir transações de usuários e entidades russas para impedir o uso de ativos digitais no contorno das restrições. Além disso, analisa suspender serviços como sucessores da Garantex e impedir movimentações atreladas ao rublo digital.

Bitcoin (BTC) opera a US$ 67.588 no gráfico semanal. Fonte: TradingView
Esse avanço rumo ao bloqueio de exchanges internacionais mostra uma transformação acelerada do mercado russo de cripto. Além disso, especialistas alertam que o endurecimento regulatório somado à pressão de sanções externas pode alterar profundamente a forma como usuários russos negociam Bitcoin e outros ativos digitais nos próximos meses.