RWA avança com foco em captação de capital
Um novo levantamento da Brickken revelou que emissores de RWA seguem priorizando a captação de capital como principal motivação para tokenizar ativos. Além disso, o estudo indica que a liquidez permanece em segundo plano, ganhando força apenas com o amadurecimento do mercado.
Emissores focam eficiência na captação por meio da tokenização
De acordo com os dados, 53,8% dos emissores afirmam que a formação de capital é o principal motor da tokenização. No entanto, somente 15,4% consideram a liquidez como prioridade imediata, enquanto 38,4% indicam que seus projetos funcionam sem exigir liquidez rápida. Assim, 46,2% dos participantes esperam que o mercado secundário ganhe tração entre seis e doze meses após a emissão inicial.
Jordi Esturi, diretor de marketing da Brickken, destaca que os emissores avançam para estratégias operacionais mais sólidas. Segundo ele, o foco atual está no acesso a investidores, na eficiência dos processos e na simplificação das estruturas de emissão. Além disso, muitos projetos ainda passam por validação regulatória e digitalização de fluxos internos antes de priorizar a liquidez.
Esturi também comentou iniciativas recentes de grandes bolsas dos EUA. O CME Group planeja negociações contínuas em seus derivativos cripto, enquanto a Bolsa de Nova York e a Nasdaq estudam operar com ações tokenizadas em regime permanente. Para ele, esses movimentos representam ajustes naturais nos modelos de negócios e não mostram divergências entre emissores e plataformas de negociação.
Adoção cresce enquanto liquidez amadurece
O relatório aponta que a maioria dos emissores já opera no mercado. Cerca de 69,2% concluíram seus processos de tokenização, 23,1% ainda implementam suas infraestruturas e apenas 7,7% permanecem no estágio inicial de planejamento. Portanto, a adoção avança em ritmo acelerado, apesar das limitações de liquidez.
Esturi diferencia liquidez opcional e mandatória. Muitos emissores de mercados privados trabalham com horizontes de investimento mais longos, o que reduz a necessidade de liquidez imediata. Assim, a expectativa é de que esse fator ganhe importância quando houver maior volume de emissões e entrada expressiva de investidores institucionais.
Um exemplo desse avanço é a Ondo, que iniciou operações tokenizando títulos do Tesouro dos EUA e hoje administra mais de US$ 2 bilhões em ativos tokenizados. Além disso, a empresa ampliou suas iniciativas para ações e ETFs. Segundo Ian de Bode, diretor de Strategy da companhia, esses ativos apresentam descoberta de preço sólida e modelos de avaliação consolidados, facilitando seu uso como garantia e ampliando o alcance dos investidores.
Regulação segue como barreira dominante entre emissores
A pesquisa mostra que a regulação continua sendo o principal entrave para o avanço do setor. Entre os emissores consultados, 53,8% apontam que questões regulatórias atrasam operações, enquanto 30,8% relatam entraves parciais. No total, 84,6% enfrentam obstáculos relacionados à conformidade. Apenas 13% veem a tecnologia como desafio central.
Alvaro Garrido, sócio da Legal Node, afirma que estruturas jurídicas específicas já são incorporadas desde o início dos projetos. Além disso, a necessidade de conformidade regulatória cresce à medida que novos modelos de tokenização surgem e diferentes tipos de ativos passam a ser digitalizados.
No curto prazo, o relatório indica que a tokenização continuará avançando puxada pelas emissões. Portanto, emissores devem seguir priorizando eficiência na captação de capital, enquanto o mercado trabalha para criar bases regulatórias e operacionais que permitam maior liquidez no futuro.