Samsung cai 7% com lucro recorde e realização de ganhos

As ações da Samsung Electronics caíram 6,9% na terça-feira, mesmo após a empresa divulgar um resultado preliminar muito acima do registrado um ano antes. Como resultado, o mercado retirou mais de US$ 80 bilhões do valor de mercado da companhia.

A gigante da Coreia do Sul informou lucro operacional de 89,4 trilhões de won, cerca de US$ 58,4 bilhões, no segundo trimestre. O número superou a projeção de consenso da LSEG SmartEstimate, de 87,3 trilhões de won. Além disso, marcou um salto relevante frente aos 4,7 trilhões de won do mesmo período do ano passado.

A receita trimestral chegou a 171 trilhões de won, aproximadamente US$ 112 bilhões. Assim, o faturamento mais que dobrou na comparação anual, impulsionado sobretudo pela demanda por memória voltada à inteligência artificial.

Ainda assim, parte dos agentes financeiros avaliou que o resultado já estava precificado nas ações. Além disso, o papel vinha de uma sequência de forte valorização, o que ampliou o espaço para realização de lucros.

O lucro operacional preliminar da Samsung Electronics no segundo trimestre avançou 19 vezes na comparação anual, para cerca de US$ 58,4 bilhões, acima do consenso de US$ 55,3 bilhões, impulsionado pela demanda por memória para IA. No entanto, a receita preliminar do trimestre ficou levemente abaixo do esperado, em cerca de US$ 111,8 bilhões, ante US$ 113,1 bilhões do consenso, embora ainda tenha subido 129% em relação ao ano anterior.

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Investidores embolsam ganhos após forte rali

Nos 12 meses anteriores, as ações da Samsung acumulavam alta de cerca de 382%. Portanto, a divulgação do balanço serviu como gatilho para investidores embolsarem ganhos, apesar dos números acima das estimativas.

Jim Reid, do Deutsche Bank, classificou a queda como um movimento típico de realização de lucros. Segundo ele, embora o balanço tenha superado as previsões, a surpresa positiva foi de apenas 6%. Esse patamar não bastou para sustentar novas compras depois de uma escalada tão intensa.

Ao mesmo tempo, a pressão atingiu outras empresas do setor. A rival SK Hynix recuou 6,1% no mesmo pregão, enquanto o índice KOSPI, principal referência da bolsa da Coreia do Sul, caiu 4,9%.

Esse desempenho sugere uma fraqueza mais ampla nas ações de semicondutores. Em outras palavras, o mercado passou a rever expectativas após meses de euforia com a demanda ligada à inteligência artificial.

Receita forte não elimina dúvidas sobre os próximos trimestres

O foco da preocupação está menos nos números passados e mais nas perspectivas futuras. Afinal, cresce no mercado a avaliação de que grandes companhias norte-americanas de computação em nuvem podem precisar elevar o endividamento para manter investimentos em inteligência artificial.

Entre os nomes citados estão Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet. Caso esses grupos adotem maior disciplina de capital, a demanda por chips poderá desacelerar nos próximos trimestres.

O Morgan Stanley projetou, em relatório publicado na segunda-feira, continuidade da fraqueza nas ações de semicondutores no curto prazo. Conforme os analistas, o setor começou a perder força depois de uma corrida histórica desde o fim de março.

“A negociação das empresas de semicondutores finalmente começou a perder fôlego depois de uma corrida histórica desde o fim de março”, afirmaram os analistas da instituição.

Raisah Rasid, da JPMorgan Asset Management, disse manter confiança na entrega de resultados. Ainda assim, reconheceu que o desempenho deve moderar adiante, já que os ganhos de três dígitos vistos no primeiro semestre dificilmente vão se repetir.

Preços de memória avançam, mas riscos aumentam

Apesar da correção nas ações, os preços dos chips de memória continuaram em alta no segundo trimestre. Segundo a Citi Research, os preços médios de venda de DRAM avançaram 44% na comparação sequencial, enquanto os de NAND subiram 53%.

Além disso, a expansão acelerada da produção de memória de alta largura de banda, usada em aplicações de inteligência artificial, reduziu a oferta de memória padrão para smartphones, computadores pessoais e servidores. Dessa forma, a restrição de oferta ajudou a sustentar os preços.

Mesmo com esse pano de fundo favorável, o mercado quer entender a qualidade do lucro da Samsung. Isso porque o resultado inclui provisões relevantes ligadas a salários e bonificações.

Bônus, fundição e chips lógicos entram no radar

Em maio, a Samsung fechou um acordo para vincular bônus de funcionários da divisão de semicondutores à rentabilidade operacional. Por consequência, o lucro reportado carrega um efeito contábil relevante. Sem esse impacto, analistas estimam que o lucro operacional teria superado 100 trilhões de won.

Por outro lado, as operações de fundição e de chips lógicos da companhia devem registrar perdas maiores no trimestre. Isso ocorreu porque a empresa distribuiu os custos com bônus por toda a divisão de semicondutores.

Assim, o resultado consolidado muito forte não eliminou as dúvidas sobre a sustentabilidade dos ganhos. O mercado agora aguarda os números completos em 30 de julho, quando a empresa deve detalhar o desempenho por segmento.

Em paralelo, a SK Hynix lançou na segunda-feira uma oferta de ações nos Estados Unidos com meta de 43 trilhões de won, cerca de US$ 28 bilhões, por meio de American depositary receipts. A negociação deve começar na sexta-feira e tende a servir como novo teste de apetite dos investidores pelo setor.

Na semana anterior, Samsung e SK Hynix também anunciaram planos de investimento que somam centenas de bilhões de dólares para ampliar capacidade produtiva. No entanto, essas estratégias agressivas passaram a alimentar temores de excesso de oferta, caso os gastos com inteligência artificial desacelerem.

No momento, o mercado pesa o lucro operacional de 89,4 trilhões de won, a receita estimada de 171 trilhões de won, a alta acumulada de 382% das ações em 12 meses e o risco de moderação na demanda global por chips. Portanto, a queda de quase 7% reflete menos o passado recente e mais a incerteza sobre o ritmo de crescimento à frente.