Sanções dos EUA atingem Shelbit e Aban Tether
As sanções dos EUA incluíram duas exchanges ligadas ao Irã em uma nova ação do Departamento do Tesouro. O órgão acusa as plataformas de apoiar operações financeiras ilícitas e ajudar Teerã a contornar restrições internacionais.
O Tesouro anunciou as medidas na sexta-feira e relacionou as empresas a uma rede financeira mais ampla. Segundo o departamento, essa estrutura integra o sistema bancário paralelo usado pelo governo iraniano.
Tesouro mira rede financeira ligada ao Irã
Conforme as autoridades americanas, agentes iranianos recorreram a plataformas de criptomoedas com supervisão limitada. Também usaram redes empresariais e operações de jogos de azar online para movimentar ativos digitais.
Nesse contexto, o Tesouro vinculou as atividades ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, conhecido pela sigla IRGC. A instituição exerce influência sobre diferentes setores econômicos e integra a estrutura de poder do país.
Uma investigação da Reuters identificou a Shelbit, sediada em Dubai, como um centro relevante dessa rede. Depois disso, as autoridades americanas ampliaram a pressão sobre empresas de criptomoedas que mantêm relações comerciais com o Irã.
Shelbit e Aban Tether entram na lista
O Departamento do Tesouro também sancionou Siavash Kayvanpour, identificado como operador da Shelbit. A medida alcançou ainda diversas empresas que, de acordo com o órgão, integravam a rede administrada por ele.
Além disso, as autoridades acusam a Shelbit de processar milhões de dólares em transações relacionadas a operações iranianas de jogos de azar. O governo americano considera essas movimentações parte da estrutura financeira paralela investigada.
Já a Aban Tether entrou na lista por atuar no setor financeiro iraniano. Dessa forma, a designação alcançou as duas plataformas, seus operadores e companhias associadas às atividades descritas pelo Tesouro.
“A dependência do regime iraniano de ativos digitais e redes bancárias paralelas é mais uma prova de que a campanha de pressão máxima está funcionando”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Assim, o governo americano busca limitar o acesso das entidades designadas ao sistema financeiro internacional. A decisão também aumenta os riscos para intermediários que mantenham transações ou relações comerciais com essas empresas.
Regulador de Dubai já havia apontado irregularidades
A Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais de Dubai, conhecida como VARA, já havia apontado irregularidades na Shelbit. O regulador citou supostas violações relacionadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
No entanto, a plataforma continuou operando após as medidas anteriores de fiscalização. Com isso, as novas sanções americanas ampliam a pressão regulatória sobre negócios de criptomoedas vinculados ao Irã.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, conhecido como OFAC, determinou o bloqueio dos bens sujeitos às sanções. A regra abrange propriedades e participações controladas pelas pessoas ou entidades designadas.
Ao mesmo tempo, o OFAC alertou que violações das restrições podem gerar penalidades civis ou criminais. Empresas e indivíduos que negociarem com os alvos da medida, portanto, poderão enfrentar riscos jurídicos maiores.
Na prática, a decisão mira exchanges, operadores e companhias associados à rede financeira investigada pelas autoridades americanas. O Tesouro relaciona essa estrutura ao sistema bancário paralelo do Irã e ao IRGC.