Saylor reafirma que Bitcoin da Strategy não é reutilizado

O debate sobre a custódia de Bitcoin ganhou força após Michael Saylor reforçar que a Strategy mantém apenas BTC reais e não reutilizados por intermediários. A discussão surgiu depois que Jameson Lopp, cofundador e CTO da Casa, levantou dúvidas sobre a possibilidade de rehypothecation envolvendo ativos da empresa.

Saylor respondeu de forma direta, afirmando que a companhia compra apenas Bitcoin real e não permite qualquer tipo de reutilização por terceiros. Essa declaração reacendeu um debate mais amplo sobre transparência, auditorias e garantias de que grandes corporações listadas em bolsa detêm seus próprios UTXOs sem riscos adicionais.

Compras agressivas e questionamentos públicos

A controvérsia ocorreu em meio ao ritmo acelerado de acumulação da Strategy em 2026. Em 26 de janeiro, Saylor divulgou que a empresa adquiriu 2.932 BTC por cerca de US$ 264,1 milhões, pagando o preço médio de US$ 90.061 por unidade. Além disso, ele destacou que, até 25 de janeiro, a corporação detinha 712.647 BTC, avaliados em cerca de US$ 54,19 bilhões a um custo médio de US$ 76.037 por moeda.

Os volumes chamaram a atenção de analistas como Jesse Myers. Segundo ele, a Strategy absorveu 40.150 BTC somente em 2026, enquanto apenas 11.700 BTC foram minerados no mesmo período. Esse desequilíbrio, portanto, indica como um grande comprador pode reduzir a oferta circulante e influenciar diretamente a dinâmica do mercado.

Transparência e demandas por provas

Lopp continuou cético quanto às garantias apresentadas pela empresa. Ele argumentou que não há clareza total sobre o processo utilizado pelos custodians responsáveis pelos ativos. Além disso, ele questionou se existe verificação efetiva de que os BTC pertencem exclusivamente à Strategy.

Saylor voltou a negar qualquer possibilidade de rehypothecation. No entanto, Lopp ampliou o debate ao observar que muitos investidores pedem provas de reservas porque não conhecem os mecanismos internos de monitoramento. Assim, participantes do mercado sugeriram que a empresa deveria divulgar seus endereços on-chain, embora outros alertassem para riscos operacionais caso isso ocorresse.

Advogados e especialistas em compliance também participaram da discussão. O advogado Jesse Kobernick, do Miller Nash LLP, afirmou que documentos públicos já explicam como auditores verificam saldos, controles internos e processos de custódia. Apesar disso, Lopp contestou a confiança em terceiros de forma irrestrita e ressaltou que qualquer intermediário cria novos pontos de fragilidade.

Outros nomes conhecidos da cripto, como Adam Back, defenderam que custodians tradicionais, como Fidelity e Coinbase, utilizam padrões avançados de segurança. Portanto, ele considera exagerados os temores sobre suposto “Bitcoin de papel” dentro dessas instituições.

Ainda assim, Lopp afirmou que permanece difícil para observadores externos compreenderem todos os protocolos adotados. Ele reforçou que, sem validar nodes próprios ou endereços, a verificação completa ainda parece limitada.

No fim de 28 de janeiro, Saylor reafirmou publicamente que a Strategy audita seus custodians e não pratica rehypothecation. Além disso, ele recomendou que outras empresas do setor evitem a reutilização de ativos, já que isso pode comprometer a confiança do mercado.

No momento da divulgação, o Bitcoin era negociado a US$ 88.001.

Bitcoin price chart

Fonte: TradingView

Com a Strategy intensificando suas aquisições e enfrentando questionamentos sobre a integridade da custódia, o mercado acompanha o impacto dessas compras no preço do Bitcoin e observa como a empresa tenta afastar qualquer especulação sobre rehypothecation ao reforçar processos de auditoria e segurança.