Saylor vê Bitcoin a US$ 7 milhões com instituições

Michael J. Saylor defendeu uma projeção agressiva para o Bitcoin durante sua palestra principal no BTC Prague 2026. O presidente executivo da Strategy afirmou que a maior criptomoeda do mercado pode alcançar uma faixa entre US$ 700 mil e US$ 7 milhões no longo prazo. A estimativa pressupõe avanço institucional e possível migração de até US$ 20 trilhões para produtos financeiros ligados ao ativo.

De acordo com Saylor, o Bitcoin tende a deixar de ser visto apenas como um ativo digital independente. Em vez disso, ele pode se consolidar como a base de um novo ecossistema financeiro global. Assim, a tese apresentada por ele, chamada de “capitalismo do Bitcoin”, depende da expansão de infraestrutura construída sobre o próprio ativo.

Adoção institucional sustenta a projeção

Nesse sentido, a visão inclui crédito, moeda digital, produtos de rendimento e estruturas de capital baseadas em Bitcoin. Além disso, o executivo sustenta que a valorização futura virá menos do varejo e mais da integração do ativo ao sistema financeiro tradicional.

Saylor afirmou que, apesar do crescimento recente, o Bitcoin ainda representa cerca de 0,1% da riqueza global. Contudo, na avaliação dele, essa fatia pode subir para algo entre 1% e 10% nas próximas décadas. Isso ocorreria à medida que empresas, bancos, gestores de ativos e governos adotarem estruturas financeiras ligadas ao ativo.

Em outras palavras, Saylor define o Bitcoin como “capital digital”. Para ele, trata-se de uma forma de capital escassa, global e programável, capaz de sustentar categorias inteiramente novas de produtos financeiros. Assim sendo, o potencial do ativo não se limitaria à custódia direta. Também incluiria instrumentos apoiados em sua liquidez e em sua função como garantia.

Pilha de ativos digitais amplia a tese

Para explicar essa leitura, o executivo apresentou uma estrutura chamada de “pilha de ativos digitais”. Ela reúne várias camadas criadas em torno do Bitcoin. Entre elas estão o capital digital, representado pelo próprio ativo, o crédito digital, a moeda digital apoiada em empréstimos vinculados ao Bitcoin, produtos de rendimento digital e estruturas de capital digital.

Segundo ele, essas camadas podem liberar o acesso de grandes reservas de capital institucional que hoje não conseguem ou não desejam manter Bitcoin diretamente em carteira. Dessa forma, recursos institucionais poderiam entrar no setor por meio de veículos estruturados, e não apenas pela compra direta da criptomoeda.

Rede financeira poderia chegar a US$ 100 trilhões

Um dos pontos centrais da apresentação foi o papel das instituições financeiras tradicionais. Saylor destacou que os bancos administram cerca de US$ 200 trilhões em ativos. Ademais, consultores e orientadores patrimoniais influenciam aproximadamente US$ 156 trilhões em todo o mundo. Na visão dele, parte relevante desse capital aguarda produtos de investimento em Bitcoin compatíveis com as exigências do mercado institucional.

Com base nesse raciocínio, o executivo projetou que o mercado atual do Bitcoin, hoje ao redor de US$ 1 trilhão, pode sustentar no futuro uma rede financeira de US$ 100 trilhões. Esse salto dependeria de investidores globais alocando capital em instrumentos lastreados em Bitcoin. Por consequência, o uso do ativo como infraestrutura e garantia ganharia escala.

Como resultado, Saylor afirmou que o preço do Bitcoin poderia subir primeiro para US$ 700 mil. Em um horizonte mais longo, ainda segundo ele, o ativo teria potencial para alcançar US$ 7 milhões. Embora a projeção esteja entre as mais ousadas do setor, ela reflete a convicção do executivo sobre a adoção institucional em larga escala.

Crédito com garantia em Bitcoin ganha relevância

O executivo também citou o crescimento do mercado de crédito apoiado em Bitcoin como um sinal prático dessa transformação. De acordo com ele, esse segmento saiu de praticamente zero para algo entre US$ 11 bilhões e US$ 12 bilhões em apenas um ano. Assim, defensores dessa tese entendem que a expansão ajuda a reduzir a percepção de que o Bitcoin seria apenas um ativo especulativo.

Ao mesmo tempo, Saylor segue promovendo a adoção institucional por meio do modelo de balanço da Strategy. Ainda assim, voltaram a circular discussões online sobre a possibilidade de ele ter vendido Bitcoin. Apesar dos rumores, suas declarações recentes reforçam a defesa pública de uma tese de longo prazo para o ativo.

No cenário traçado por Saylor, o Bitcoin poderia sair de cerca de 0,1% da riqueza global para uma participação entre 1% e 10%. Se essa hipótese avançar, a rede financeira associada ao ativo poderia atingir US$ 100 trilhões. Nesse contexto, a faixa entre US$ 700 mil e US$ 7 milhões dependeria da adoção de camadas como crédito digital, moeda digital e produtos de rendimento construídos sobre o Bitcoin. Ainda assim, esse cenário exige avanços regulatórios consistentes e participação institucional em escala inédita.